Lipedema

Gordura nas pernas que não sai com dieta: quando é lipedema

Gordura nas pernas que não sai com dieta nem com exercício, enquanto o resto do corpo emagrece, tem nome: na maioria das vezes é lipedema. É uma doença crônica do tecido gorduroso, dependente de hormônios femininos, em que a gordura das pernas é diferente da gordura comum: inflamada, dolorosa e resistente ao emagrecimento. Se você já ouviu que "é só perder peso", este artigo é para você.

Por que as pernas não emagrecem como o resto do corpo?

A gordura do lipedema não é um depósito de energia como a gordura do abdome. É um tecido doente, com células de gordura aumentadas, fibrose entre elas, inflamação crônica e vasos linfáticos comprimidos. Esse tecido não responde ao déficit calórico da mesma forma. É por isso que a paciente com lipedema emagrece no rosto, nos braços, na cintura e no busto, e as pernas ficam praticamente iguais, tornando a desproporção ainda mais visível. Muitas contam que fizeram dietas rigorosas, perderam 10, 15 quilos e o manequim da calça não mudou.

Se essa é a sua história, uma coisa precisa ser dita com clareza: a culpa nunca foi sua. Não foi falta de disciplina. Foi um tecido doente que ninguém tinha nomeado.

Como é a perna de quem tem lipedema?

O aspecto muda com o estágio, mas alguns traços se repetem. A descrição completa está em estágios e tipos do lipedema.

  • Simetria: as duas pernas aumentam por igual, dos quadris aos tornozelos.
  • Pés poupados: o volume para no tornozelo e cria um degrau, como se a perna fosse um cano largo terminando num pé normal. Esse "sinal do degrau" é um dos mais característicos.
  • Desproporção: a parte de cima do corpo pode ser magra, com tamanho 38 de blusa e 46 de calça.
  • Textura: no início, pele lisa com sensação de pequenas bolinhas ao toque; com o tempo, nódulos maiores, pele irregular e dobras de gordura no joelho e na coxa.
  • Dor e sensibilidade: apertar a coxa ou a panturrilha dói de forma desproporcional; roupas justas incomodam.
  • Roxos fáceis: hematomas que aparecem sem lembrar de pancada.
  • Frio ao toque em algumas regiões, por má circulação local.

Estágio 1

Pele lisa, aumento leve de volume, textura fina de "areia" ou "bolinhas" sob os dedos. Muitas mulheres passam anos aqui achando que é apenas o formato do corpo.

Estágio 2

Pele com ondulações, nódulos palpáveis do tamanho de uma ervilha a uma noz, celulite acentuada nas coxas e o volume começa a formar dobras no joelho.

Estágio 3

Grandes deformidades, abas de gordura que pendem na face interna das coxas e dos joelhos, dificuldade para caminhar e para encontrar roupa. O degrau no tornozelo fica muito evidente.

Como diferenciar de gordura comum?

SinalGordura comumLipedema
Resposta à dietaReduz nas pernas junto com o restoReduz no tronco, pernas ficam iguais
Dor ao toqueNãoSim, desproporcional
PésAcompanham o corpoPoupados, com degrau no tornozelo
RoxosSó com pancadaCom toques leves
InícioGradual, ligado ao ganho de pesoPuberdade, gravidez ou menopausa, com histórico familiar

Vale lembrar que as duas coisas podem coexistir: uma mulher com lipedema também pode ter gordura comum sobreposta, e essa parte responde à dieta. É comum que o emagrecimento "descubra" o lipedema que estava escondido. Os outros diagnósticos que confundem, como linfedema e obesidade, estão em lipedema, linfedema ou obesidade.

Por que aparece justamente nas viradas hormonais?

O tecido gorduroso do lipedema responde ao estrogênio. Por isso a doença costuma começar na puberdade, piorar na gravidez e dar um novo salto na menopausa ou na perimenopausa. Há também um forte componente familiar: mãe, tias e avós com "pernas grossas de família" é uma história que ouvimos quase todo dia. Detalhes em lipedema e hormônios e em lipedema e menopausa.

O que fazer se você se reconheceu aqui?

  1. Confirmar o diagnóstico com um médico que conheça a doença. Os nove sinais e como é a consulta estão em como saber se tenho lipedema. Na clínica em Fortaleza, o exame físico é complementado pelo ultrassom Doppler, que mostra o tecido e afasta doença venosa.
  2. Parar de fazer dietas cada vez mais restritivas esperando que as pernas afinem. Elas não vão responder assim, e o ciclo de restrição e frustração piora a inflamação.
  3. Começar o tratamento conservador: compressão de malha adequada, fisioterapia vascular, exercício de baixo impacto e nutrição anti-inflamatória, sem injetáveis. Isso reduz dor e inchaço e freia a progressão.
  4. Avaliar a cirurgia redutora apenas depois do conservador bem conduzido. A lipoaspiração tumescente que preserva os vasos linfáticos retira o tecido doente que a dieta não alcança, e é indicada caso a caso.

Como estruturamos esse percurso, do diagnóstico ao plano de cuidado, está em tratamento de lipedema em Fortaleza. E a visão geral da doença, em lipedema: o que é, sintomas e tratamento.

Perguntas frequentes

Emagreci e as pernas continuam grossas: pode ser lipedema?

É o sinal mais típico da doença. A gordura do lipedema é inflamada e resistente à dieta, então o tronco afina e as pernas ficam iguais. Vale confirmar o diagnóstico com exame físico e ultrassom Doppler.

Como é a perna de quem tem lipedema?

Simétrica, desproporcional ao tronco, com degrau no tornozelo (pés poupados), dolorosa ao toque, com roxos fáceis e textura nodular que aumenta com o estágio.

Gordura nas pernas que não sai com dieta é sempre lipedema?

Não sempre, mas é a causa mais comum quando há dor ao toque, desproporção e histórico familiar. Linfedema, insuficiência venosa e distribuição genética de gordura também entram na investigação.

Dieta e exercício não fazem nada no lipedema?

Fazem muito pelos sintomas: reduzem inflamação, dor e inchaço e evitam a progressão. O que eles não fazem é eliminar a gordura doente, que só a cirurgia redutora remove.

Lipedema é culpa de falta de disciplina?

Não. É uma doença do tecido gorduroso ligada a hormônios e genética. Quem emagreceu e não perdeu medidas nas pernas não falhou; tinha uma condição que ninguém tinha nomeado.

Referências

  1. Reich-Schupke S, Schmeller W, Brauer WJ, et al. S1 guidelines: Lipedema. J Dtsch Dermatol Ges. 2017;15(7):758-767.
  2. Herbst KL, Kahn LA, Iker E, et al. Standard of care for lipedema in the United States. Phlebology. 2021;36(10):779-796.
  3. Wollina U. Lipedema: an update. Dermatol Ther. 2019;32(2):e12805.
  4. Consenso Brasileiro de Lipedema. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). J Vasc Bras.

Emagreceu e as pernas não acompanharam?

A avaliação com ultrassom Doppler confirma se é lipedema e define o plano de cuidado, do conservador à cirurgia redutora.

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