A veia safena parva é a segunda veia superficial mais importante da perna: nasce atrás do tornozelo, sobe pela parte de trás da panturrilha e desemboca na veia poplítea, na dobra do joelho. Quando suas válvulas falham, o sangue reflui e surgem varizes atrás do joelho e na panturrilha, um padrão diferente do da safena magna.
Ela é menor e mais curta que a safena magna, mas responde por cerca de 15% dos casos de refluxo que atendo na clínica em Fortaleza. E tem uma particularidade que muda o tratamento: um nervo passa colado a ela.
Onde fica a veia safena parva?
Ela começa na borda externa do pé e do tornozelo, corre pela linha média da panturrilha, entre as duas cabeças do músculo gastrocnêmio, e termina na fossa poplítea, a região atrás do joelho, onde se une ao sistema venoso profundo pela junção safeno-poplítea. Em algumas pessoas ela continua coxa acima por uma extensão chamada veia de Giacomini, que se conecta à safena magna.
Ao lado dela, na metade inferior da panturrilha, caminha o nervo sural, responsável pela sensibilidade da face externa do pé. É por isso que tratar a parva pede mais precisão do que tratar a magna.
O que significa refluxo na safena parva?
Refluxo é o sangue descendo pela veia quando deveria subir. No ultrassom Doppler, o médico comprime a panturrilha e observa se, ao soltar, o fluxo volta por mais de meio segundo. Se volta, a válvula está incompetente e a veia é considerada insuficiente. O laudo costuma dizer "safena parva com refluxo" ou "insuficiência da junção safeno-poplítea". Se quiser entender cada termo, veja como ler o laudo do doppler venoso.
Nem todo refluxo exige tratamento. O que decide é a combinação de diâmetro da veia, extensão do refluxo, sintomas e varizes visíveis alimentadas por ela.
Quais os sintomas de safena parva doente?
- Varizes na parte de trás da panturrilha e atrás do joelho, muitas vezes de um lado só;
- Peso e cansaço na panturrilha no fim do dia, pior em pé parado;
- Inchaço no tornozelo, principalmente na face externa;
- Manchas escuras ou coceira na região do tornozelo lateral;
- Cãibras noturnas na panturrilha.
Como a parva drena a panturrilha, o músculo que mais trabalha ao andar, a sensação de "perna pesada" costuma ser mais intensa do que na insuficiência da magna, mesmo com menos varizes visíveis.
Safena parva ou safena magna: qual a diferença?
| Safena magna | Safena parva | |
|---|---|---|
| Trajeto | Face interna, do tornozelo à virilha | Face posterior, do tornozelo ao joelho |
| Onde desemboca | Veia femoral (virilha) | Veia poplítea (atrás do joelho) |
| Varizes típicas | Coxa e face interna da perna | Panturrilha e atrás do joelho |
| Nervo próximo | Safeno, abaixo do joelho | Sural, na panturrilha |
| Frequência de refluxo | Mais comum | Menos comum, mais sintomática |
Como tratar a veia safena parva com refluxo?
As opções são as mesmas da magna, mas a escolha muda por causa da anatomia.
Endolaser
É a primeira escolha quando a veia é reta e tem calibre suficiente para receber a fibra. A fibra entra por uma punção na panturrilha, sob ultrassom, e fecha a veia por calor sem cortes. Para proteger o nervo sural, a anestesia tumescente é feita com mais volume de líquido em volta da veia, criando um colchão térmico, e a fibra costuma ser posicionada a partir do terço médio da panturrilha, não do tornozelo. Na clínica, é a técnica que uso na maioria das parvas. Veja como é feito em endolaser em Fortaleza.
Escleroterapia com espuma
Indicada quando a parva é tortuosa, fina ou quando o refluxo está restrito ao terço inferior, próximo ao nervo. A espuma guiada por ultrassom fecha a veia sem calor, o que elimina o risco térmico ao sural. A desvantagem é a taxa maior de reabertura, que pede reavaliação.
Cirurgia (ligadura da junção)
A retirada cirúrgica da parva ficou restrita a casos em que as técnicas endovenosas não são possíveis. Exige incisão na dobra do joelho, região de cicatrização mais delicada, e tem risco maior de lesão nervosa.
O que muda no pós-tratamento?
Andar no mesmo dia continua valendo. A diferença é que dormência temporária na face externa do pé pode ocorrer em uma minoria dos casos e costuma resolver em semanas. Meia de compressão por 7 a 14 dias e retorno com Doppler em 30 dias para confirmar o fechamento da junção safeno-poplítea completam o cuidado.
Perguntas frequentes
Safena parva com refluxo precisa operar?
Nem sempre. Refluxo pequeno, em veia fina e sem sintomas, pode ser apenas acompanhado. Tratamento é indicado quando há varizes alimentadas por ela, sintomas na panturrilha ou alterações de pele no tornozelo.
Endolaser na safena parva é seguro por causa do nervo sural?
Sim, quando feito com anestesia tumescente generosa e fibra posicionada longe do terço inferior da panturrilha. A dormência temporária ocorre em uma minoria dos casos e costuma resolver em semanas.
Varizes atrás do joelho são sempre da safena parva?
Na maioria das vezes sim, mas podem vir de perfurantes da fossa poplítea ou da veia de Giacomini. Só o Doppler define a origem, e isso muda o tratamento.
Posso ter refluxo nas duas safenas ao mesmo tempo?
Sim. Cerca de um em cada cinco pacientes com refluxo na parva também tem refluxo na magna. O plano de cuidado trata a veia mais doente primeiro e reavalia a outra.