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Flebite ou trombose: como diferenciar e quando é urgência

Flebite é a inflamação de uma veia superficial, aquela logo abaixo da pele, quase sempre com um pequeno coágulo dentro (por isso o nome completo é tromboflebite superficial). Trombose venosa profunda é o coágulo nas veias de dentro da perna, que carregam 90% do sangue de volta ao coração e podem soltar fragmentos para o pulmão. As duas causam dor na perna, mas o risco, o exame e o tratamento são diferentes.

A pergunta "é flebite ou trombose?" é a mais frequente no consultório quando a perna dói de repente. A boa notícia é que a resposta costuma vir em minutos com um ultrassom. A má é que uma pode se transformar na outra, e é isso que define quando a flebite deixa de ser "só uma inflamação".

Flebite × trombose: a tabela que resolve a dúvida

Flebite (tromboflebite superficial)Trombose venosa profunda (TVP)
OndeVeia visível, sob a pele; muitas vezes sobre uma variz ou no trajeto da safenaVeias profundas da panturrilha, coxa ou pelve; não se vê a veia
Como pareceCordão endurecido, vermelho, quente e dolorido, em linhaPerna inteira (ou a panturrilha) inchada, pesada, mais quente e às vezes arroxeada; dor difusa
InícioGradual, em 1 a 3 diasSúbito, em horas
Risco principalEstender-se para a veia profunda (5 a 10% dos casos sem tratamento)Embolia pulmonar; síndrome pós-trombótica
ExameUltrassom Doppler para medir a extensão e a distância da junção com a veia profundaUltrassom Doppler com compressão; D-dímero em casos de baixa probabilidade
TratamentoCompressão, anti-inflamatório, caminhar; anticoagulante em dose profilática quando extensa ou próxima da junçãoAnticoagulante em dose plena por pelo menos 3 meses
UrgênciaAvaliação em 24 a 48 hMesmo dia

Por que a flebite pode virar trombose?

As veias superficiais desembocam nas profundas em pontos de junção, o principal deles na virilha, onde a veia safena magna encontra a veia femoral. Um coágulo que começa numa variz da perna pode "subir" pela safena e, se chegar a menos de 3 cm dessa junção, passa a se comportar como trombose profunda. Por isso a regra não é "flebite é sempre benigna": é "flebite precisa ser medida". Já detalhei o quadro básico em flebite: o que é, causas e tratamento.

Quando a flebite superficial pede anticoagulante?

As diretrizes atuais indicam anticoagulação em dose profilática (fondaparinux ou heparina de baixo peso molecular por cerca de 45 dias, ou rivaroxabana em dose reduzida) quando:

  • O trombo superficial mede 5 cm ou mais de extensão no ultrassom;
  • Está a menos de 3 cm da junção safeno-femoral ou safeno-poplítea (aí muitos tratam como TVP, em dose plena);
  • Há fatores de risco associados: câncer ativo, trombose prévia, imobilização, gestação ou puerpério, cirurgia recente, uso de hormônios;
  • A flebite acomete a safena magna acima do joelho ou progride apesar do tratamento local.

Flebites curtas, distantes da junção e sem fatores de risco podem ser tratadas apenas com compressão, anti-inflamatório e caminhada, com novo ultrassom em 7 a 10 dias para confirmar que não progrediram.

Sinais de que é urgência, não flebite

  • Inchaço de toda a perna ou da panturrilha, de um lado só, iniciado em horas;
  • Dor profunda na panturrilha ou na coxa, sem cordão visível;
  • Perna mais quente, arroxeada ou com veias superficiais "estufadas" que antes não existiam;
  • Falta de ar, dor no peito ou tosse com sangue: possível embolia pulmonar, emergência imediata;
  • Flebite que se estende para cima da coxa em poucos dias.

Na dúvida, o artigo sobre trombose venosa profunda detalha os fatores de risco e o tratamento.

O papel do ultrassom Doppler

É o único exame capaz de responder às três perguntas que importam: há coágulo? Está na veia superficial ou na profunda? A que distância da junção? Ele também mede a extensão em centímetros, que define a conduta. Deve ser feito na primeira avaliação e repetido quando a flebite é tratada só com medidas locais, para garantir que não avançou. Na clínica, o exame é feito na própria consulta.

E depois que passa?

Flebite sobre uma variz é um aviso: a veia doente que a causou continua lá e tende a repetir o episódio. Passada a fase aguda (4 a 6 semanas), vale tratar a causa, com escleroterapia, laser ou endolaser conforme o caso, para que a próxima flebite não aconteça. A mancha escura que fica no trajeto da veia costuma clarear ao longo de meses.

Perguntas frequentes

Flebite pode virar trombose?

Sim, em uma minoria dos casos (cerca de 5 a 10% sem tratamento), sobretudo quando o coágulo está na safena e se aproxima da junção com a veia profunda na virilha ou atrás do joelho. O ultrassom Doppler mede essa distância e define se é preciso anticoagular.

Tromboflebite é perigoso?

A tromboflebite superficial costuma ser benigna, mas exige avaliação porque pode se estender para a veia profunda. Trombos com 5 cm ou mais, ou a menos de 3 cm da junção safeno-femoral, pedem anticoagulante.

Como saber se é flebite ou trombose sem exame?

A flebite forma um cordão vermelho e endurecido sobre uma veia visível; a trombose incha a perna inteira ou a panturrilha, de forma súbita, sem cordão. Só o ultrassom confirma, e inchaço súbito de uma perna deve ser avaliado no mesmo dia.

Flebite precisa de anticoagulante?

Nem sempre. Flebites curtas e distantes da junção são tratadas com compressão, anti-inflamatório e caminhada. Anticoagulante em dose profilática por cerca de 45 dias é indicado nas extensas, nas próximas da junção ou em pacientes com fatores de risco.

Posso caminhar com flebite?

Sim, e deve. Caminhar ativa a bomba da panturrilha e reduz o risco de o coágulo progredir. Repouso absoluto só é indicado em situações específicas definidas pelo médico.

Qual médico procurar para flebite ou trombose?

O angiologista ou cirurgião vascular, que faz o ultrassom Doppler na consulta e define o tratamento. Com inchaço súbito da perna ou falta de ar, procure emergência.

Referências

  1. Di Nisio M, Wichers IM, Middeldorp S. Treatment for superficial thrombophlebitis of the leg. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018.
  2. Kakkos SK et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. Eur J Vasc Endovasc Surg, 2021.
  3. Stevens SM et al. Antithrombotic Therapy for VTE Disease: Second Update of the CHEST Guideline and Expert Panel Report. Chest, 2021.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de tromboflebite superficial e de trombose venosa profunda, Projeto Diretrizes.

Veia dolorida e endurecida na perna?

O ultrassom Doppler na própria consulta diz se é flebite ou trombose e a que distância está da veia profunda. Não espere para saber.

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