Trombose na perna (trombose venosa profunda, TVP) é a formação de um coágulo dentro de uma veia profunda, quase sempre na panturrilha ou na coxa. O quadro típico é dor na panturrilha e inchaço em uma perna só, que surgem em horas ou poucos dias, muitas vezes com a perna mais quente, endurecida ou com a pele arroxeada. Quando esses sinais aparecem, o exame que confirma ou afasta o diagnóstico é o ultrassom Doppler venoso, e ele precisa ser feito no mesmo dia, não na semana seguinte.
Se junto com a perna houver falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, desmaio ou coração acelerado, não é caso de consultório: procure uma emergência ou ligue para o SAMU (192). Esses sintomas podem indicar que parte do coágulo migrou para o pulmão (embolia pulmonar). Abaixo, o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051, RQE 9653), responde às dúvidas mais buscadas sobre trombose na perna.
Quando é urgência
- Inchaço ou dor que começou de repente em uma perna só: Doppler venoso no mesmo dia (pronto atendimento ou cirurgião vascular com ultrassom na consulta).
- Falta de ar, dor no peito, desmaio, tosse com sangue: emergência agora (SAMU 192).
- Perna muito inchada, arroxeada ou pálida e fria, com dor intensa: emergência agora.
Como é a dor de trombose na perna?
A dor da trombose costuma ser profunda, contínua e localizada na panturrilha (a "batata da perna"), às vezes atrás do joelho ou na parte interna da coxa. Piora ao ficar em pé e ao caminhar, e não melhora com alongamento, o que a diferencia da cãibra. Ao apertar a panturrilha, muitos pacientes sentem dor e percebem que ela está mais endurecida ("empastada") do que a do outro lado. Na trombose atrás do joelho (veia poplítea) a dor pode ser sentida como um "nó" ou peso na dobra do joelho.
Nem toda trombose dói. Uma parte dos casos é silenciosa ou dá apenas um desconforto vago, e o primeiro sinal pode ser o inchaço. Por isso a regra prática é: sintoma novo, em uma perna só, com fator de risco recente (cirurgia, viagem longa, imobilização, gravidez, anticoncepcional) merece Doppler mesmo que a dor seja leve. Veja também o artigo sobre dor na panturrilha, que detalha as outras causas.
Trombose incha a perna e fica roxo?
Sim, o inchaço é o sinal mais frequente. O coágulo bloqueia o retorno do sangue e a perna abaixo dele incha: o pé, o tornozelo e a panturrilha ficam maiores do que os do outro lado, e a diferença de circunferência pode ser medida com uma fita. A pele pode ficar avermelhada ou arroxeada, mais quente ao toque e com veias superficiais mais visíveis, porque o sangue procura caminhos alternativos.
Uma perna muito inchada, arroxeada e extremamente dolorida, ou pálida e fria, indica uma forma grave em que a obstrução é extensa. É emergência. Já o inchaço leve nas duas pernas ao fim do dia, que melhora deitado, tem outras causas, discutidas em pernas inchadas e em pé e tornozelo inchado.
Trombose dá nas duas pernas?
Quase sempre a trombose venosa profunda acomete uma perna só. É justamente a assimetria (uma perna inchada e dolorida, a outra normal) que levanta a suspeita. A trombose bilateral existe, mas é rara e costuma estar ligada a obstruções altas, no abdome, ou a doenças que aumentam muito a coagulação. Quando o inchaço é igual nas duas pernas, de longa data, o mais provável é insuficiência venosa, linfedema, lipedema, efeito de medicação ou problema cardíaco ou renal, e não trombose. A investigação segue outro caminho, descrito em má circulação nas pernas.
Dor nas pernas pode ser trombose? E cãibra ou formigamento?
Dor nas pernas tem dezenas de causas, e a trombose é uma das menos comuns. O que aponta para ela é o conjunto: dor de início recente, em uma perna só, com inchaço e, em geral, com algum fator de risco nos últimos dias ou semanas. Dor nas duas pernas, que vem e vai há meses, sem inchaço, dificilmente é trombose.
A cãibra é uma contração muscular curta e intensa, que passa em minutos com alongamento; a trombose dói de forma contínua, por horas e dias. Cãibra não é sinal de trombose, embora as duas possam coexistir. O formigamento, por sua vez, costuma ser de origem nervosa ou circulatória crônica, não de coágulo. Esses sintomas têm páginas próprias: dor nas pernas, cãibra nas pernas à noite e queimação e formigamento nas pernas.
Flebite é trombose? Varizes pode virar trombose?
Flebite (tromboflebite superficial) é um coágulo em uma veia superficial, geralmente em uma variz: aparece um cordão endurecido, vermelho e dolorido, visível sob a pele. A trombose venosa profunda acontece nas veias internas, que não se veem. São problemas diferentes, mas ligados: quando a flebite está perto da junção com o sistema profundo, ou tem mais de alguns centímetros de extensão, ela pode progredir para trombose profunda, e as diretrizes recomendam tratamento anticoagulante nesses casos. O artigo flebite ou trombose mostra como diferenciar uma da outra.
Varizes grossas e refluxo da safena aumentam o risco de flebite e, por essa via, de trombose. Vasinhos finos não. O vídeo abaixo conta um caso real atendido pelo Dr. Victor Hugo: uma paciente com refluxo nas duas safenas que, anos depois da primeira consulta, desenvolveu trombose superficial das varizes chegando perto da junção com a veia profunda. Foi anticoagulada e, resolvida a fase aguda, tratou a causa com endolaser.
Trombose: qual exame detecta e qual médico procurar?
O exame que detecta trombose na perna é o ultrassom Doppler venoso (também chamado de ecodoppler ou duplex venoso). O aparelho comprime as veias com o transdutor: veia que não colaba está com coágulo dentro. É rápido, não usa contraste nem radiação e pode ser feito na própria consulta. Em situações de baixa probabilidade clínica, o médico pode pedir antes o D-dímero, um exame de sangue que, quando negativo, afasta a trombose com segurança; quando positivo, ele não confirma nada e o Doppler continua necessário. Tomografia e ressonância ficam para suspeita de trombose no abdome ou de embolia pulmonar.
O médico que diagnostica e trata trombose venosa é o cirurgião vascular. Se você não conseguir uma consulta com Doppler no mesmo dia, vá ao pronto atendimento: a espera é o que não pode acontecer. Entenda a diferença entre os especialistas vasculares e como é o exame em ultrassom Doppler vascular.
O que fazer se eu suspeitar de trombose?
- Não espere "passar". Procure atendimento com Doppler venoso no mesmo dia.
- Não massageie a perna nem faça compressa quente ou drenagem: o objetivo é não mobilizar o coágulo antes do diagnóstico.
- Não tome anticoagulante por conta própria, nem anti-inflamatório para "aliviar": eles mascaram o quadro e aumentam o risco de sangramento se o tratamento for iniciado.
- Anote seus fatores de risco (cirurgia, viagem, anticoncepcional, gravidez recente, câncer, trombose anterior na família) para informar ao médico.
- Falta de ar ou dor no peito: emergência imediata, sem passar pelo consultório.
Trombose tem cura? Qual o tratamento e quanto tempo dura?
Sim, a trombose venosa profunda tem tratamento e a grande maioria dos pacientes se recupera. A base é o anticoagulante, remédio que impede o coágulo de crescer e permite que o próprio organismo o dissolva ao longo de semanas. Hoje a maioria dos casos é tratada com anticoagulantes orais de ação direta, por pelo menos 3 meses; quando a trombose aconteceu sem causa identificável, ou o fator de risco persiste (câncer, trombofilia, segundo episódio), o tratamento pode ser estendido por mais tempo, decisão que se revisa a cada consulta.
Repouso absoluto não faz parte do tratamento: as diretrizes recomendam caminhar desde o início, assim que a dor permitir, porque o movimento da panturrilha ajuda o retorno venoso. A meia elástica de compressão alivia a dor e o inchaço e é prescrita conforme a fase e o conforto de cada paciente. Em casos selecionados de trombose extensa na coxa e na pelve, com sintomas de poucos dias, existe a opção de dissolver ou retirar o coágulo por cateter, em ambiente hospitalar.
A maioria das tromboses de perna é tratada em casa, com consultas de acompanhamento. Internação fica reservada para embolia pulmonar com repercussão, formas graves de obstrução, alto risco de sangramento ou impossibilidade de tomar o remédio em casa. Com o tempo, a veia recanaliza total ou parcialmente; uma parte dos pacientes desenvolve a síndrome pós-trombótica (inchaço, peso e alterações de pele persistentes), e é para reduzir esse risco que o acompanhamento continua depois da fase aguda.
Trombose pode matar? O que é embolia pulmonar?
O risco de vida na trombose não vem da perna, e sim de um pedaço do coágulo se soltar e viajar até o pulmão: a embolia pulmonar. Ela se manifesta com falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse (às vezes com sangue), coração acelerado e, nos casos graves, desmaio. Tratada a tempo, a maioria dos pacientes se recupera; por isso a trombose de perna é tratada assim que confirmada, mesmo quando os sintomas são leves. Uma trombose restrita às veias da panturrilha tem risco de embolia menor do que uma trombose na coxa ou na pelve, mas ainda assim é acompanhada de perto.
Por que dá trombose nas pernas? Causas e fatores de risco
Três mecanismos, sozinhos ou combinados, favorecem o coágulo: sangue parado (imobilização, viagem longa, gesso, internação), lesão da parede da veia (cirurgia, trauma, cateter) e sangue com tendência maior a coagular (hormônios, gravidez, câncer, trombofilias, infecções graves, desidratação). Os fatores de risco mais frequentes no consultório são:
- Cirurgia recente, principalmente ortopédica, abdominal ou plástica de grande porte (o risco dura semanas após a alta).
- Imobilização por fratura, doença ou repouso prolongado.
- Gravidez e, sobretudo, as primeiras seis semanas após o parto.
- Anticoncepcional combinado (com estrogênio) e reposição hormonal, com risco maior nos primeiros meses de uso e quando somado a tabagismo ou trombofilia. Veja anticoncepcional e trombose.
- Viagens com mais de 4 horas sentado, de avião, ônibus ou carro.
- Câncer em atividade e quimioterapia.
- Trombofilias hereditárias (fator V de Leiden, mutação da protrombina, deficiências de proteína C, S e antitrombina) ou adquiridas (síndrome antifosfolípide).
- Trombose anterior, idade acima de 60 anos, obesidade, tabagismo, varizes calibrosas e insuficiência cardíaca.
Uma trombose que surge sem nenhum desses fatores ("não provocada") merece investigação um pouco mais ampla, com história clínica detalhada, exame físico e exames básicos, porque em uma minoria dos casos ela é a primeira manifestação de um câncer ou de uma trombofilia.
Como evitar trombose em viagem de avião, cirurgia e pós-parto?
Em viagens longas: levante e caminhe a cada 1 ou 2 horas, movimente os pés e as panturrilhas no assento, beba água e evite álcool e sedativos; quem tem fatores de risco se beneficia de meia de compressão até o joelho durante o trajeto, e em situações de risco alto o médico pode prescrever anticoagulante em dose preventiva para a viagem. Em cirurgias: a prevenção é feita pela equipe (deambulação precoce, compressão e, conforme o risco, heparina), e o paciente contribui saindo da cama cedo e informando qualquer trombose prévia. Em gravidez e pós-parto: caminhadas, meia de compressão e avaliação do risco individual pelo obstetra e pelo vascular; a página varizes na gravidez detalha os cuidados. Para todos: manter o peso, não fumar, tratar varizes calibrosas e usar meia elástica quando o trabalho exige muitas horas em pé ou sentado.
Como avaliamos uma suspeita de trombose na Clínica VHG, em Fortaleza
A consulta com o Dr. Victor Hugo ou com a Dra. Gabriela Bernhardt inclui o ultrassom Doppler venoso realizado na hora, pelo próprio cirurgião vascular. Na suspeita de trombose, isso significa sair da consulta com o diagnóstico feito ou afastado e, quando confirmado, com o anticoagulante prescrito e o plano de acompanhamento definido. Se o exame indicar embolia pulmonar ou uma forma grave, o encaminhamento para o hospital é imediato. Passada a fase aguda, o Modelo VHG™ orienta a segunda etapa: avaliar a circulação como um todo, identificar refluxo de safena ou varizes que contribuíram para o episódio e tratar essas causas com técnicas sem corte, reduzindo o risco de um novo evento. A clínica fica no RioMar Trade Center, em Fortaleza, de segunda a sexta, das 8h às 19h. Pacientes do interior do Ceará encontram orientações de logística em cirurgião vascular no Ceará; na suspeita aguda, porém, procure o atendimento mais próximo de você primeiro.
Vai viajar de avião ou de carro por muitas horas? Veja como reduzir o risco em trombose em viagem.
Perguntas frequentes
Trombose tem cura?
Sim. Com anticoagulante por pelo menos 3 meses, caminhada precoce e acompanhamento, a grande maioria das pessoas se recupera. Uma parte mantém inchaço ou peso na perna (síndrome pós-trombótica), que é acompanhada e tratada pelo cirurgião vascular.
Quanto tempo dura o tratamento da trombose?
No mínimo 3 meses de anticoagulante. Quando não há causa identificável, o fator de risco persiste ou é um segundo episódio, o tratamento pode ser prolongado, e a decisão é revista em cada consulta.
Trombose tem que internar?
Na maioria dos casos, não. A trombose de perna sem embolia pulmonar costuma ser tratada em casa, com anticoagulante oral e retorno em poucos dias. Internação é reservada para embolia pulmonar com repercussão, obstruções extensas ou risco alto de sangramento.
Trombose tem que fazer repouso?
Não. As diretrizes recomendam caminhar desde o início do tratamento, assim que a dor permitir. Repouso absoluto na cama aumenta a estase venosa e não protege contra embolia.
Trombose pode dar febre?
Pode haver febre baixa nos primeiros dias, por inflamação ao redor do coágulo. Febre alta com calafrios e vermelhidão intensa aponta mais para infecção, como erisipela, e precisa de avaliação médica no mesmo dia.
Trombose pode dar no braço?
Sim, embora seja bem menos comum do que na perna. Costuma estar ligada a cateter venoso, esforço repetitivo com o braço ou compressão das veias na saída do tórax. Braço inchado e dolorido de um lado só também pede Doppler.
Trombose é hereditária?
A tendência pode ser. As trombofilias hereditárias (fator V de Leiden, mutação da protrombina, deficiências de proteína C, S e antitrombina) aumentam o risco, principalmente quando somadas a hormônios, cirurgia ou imobilização. Trombose em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos é motivo para investigar.
Trombose pode ser sinal de câncer?
Em uma minoria dos casos, uma trombose sem fator desencadeante é a primeira manifestação de um tumor. Por isso a trombose não provocada é investigada com história clínica, exame físico e exames básicos, sem exagerar em exames desnecessários.
Qual exame detecta trombose na perna?
O ultrassom Doppler venoso, feito por compressão das veias. O D-dímero é um exame de sangue que, quando negativo em pacientes de baixa probabilidade, afasta a trombose; quando positivo, não confirma e o Doppler continua necessário.
Meia de compressão evita trombose?
Ajuda na prevenção em situações de risco, como viagens longas e pós-operatório, e alivia dor e inchaço em quem já teve trombose. Sozinha não substitui o anticoagulante quando ele está indicado.
Trombose hemorroidária é a mesma coisa?
Não. A trombose hemorroidária é um coágulo em uma veia do ânus, dolorosa mas localizada, tratada pelo proctologista. Ela não tem relação com a trombose venosa profunda da perna nem com embolia pulmonar.