Mitos

Creme para varizes funciona? O que a ciência diz

Creme para varizes não elimina varizes nem vasinhos. Alguns géis e cremes aliviam sintomas como peso, cansaço e sensação de calor nas pernas, e podem ajudar a absorver um roxo mais rápido. Mas nenhum deles fecha uma veia doente, corrige o refluxo ou faz um vasinho desaparecer. Neste artigo explico o que existe dentro desses produtos, o que a evidência científica mostra e quando faz sentido usar.

O que existe dentro de um creme para varizes

Os produtos vendidos como creme, gel ou pomada para varizes combinam, em geral, alguns destes ingredientes:

  • Castanha-da-índia (escina). Extrato vegetal com ação anti-inflamatória e de redução da permeabilidade dos capilares. A evidência de benefício existe para a forma oral, em cápsulas; para a forma tópica, os estudos são pequenos.
  • Heparina sódica ou heparinoides. Substâncias com ação anticoagulante local. Ajudam a reabsorver hematomas e aliviam a dor da flebite superficial, mas não agem sobre a variz em si.
  • Diosmina e hesperidina tópicas. Os mesmos flavonoides dos comprimidos venoativos, em versão gel. A absorção pela pele é limitada e não há estudos robustos que mostrem efeito na veia.
  • Mentol, cânfora e arnica. Produzem sensação de frescor e leve efeito analgésico. O alívio é real, mas dura o tempo da aplicação.
  • Cafeína e centella asiática. Aparecem em cremes que prometem "ativar a circulação" e melhorar a aparência. O efeito, quando existe, é superficial e temporário.

O que um creme consegue e o que não consegue

Para entender o limite dos cremes, ajuda lembrar o que é uma variz. A veia tem válvulas que impedem o sangue de descer. Quando essas válvulas falham, o sangue reflui, a pressão sobe e a veia dilata de forma permanente. O vasinho e a variz que você vê são o resultado de uma parede que já cedeu e de válvulas que já não fecham.

Um creme aplicado sobre a pele chega, na melhor das hipóteses, aos capilares mais superficiais. Ele não alcança a safena, não fecha a veia nutridora que alimenta os vasinhos e não reconstrói válvula nenhuma. Por isso:

  • Pode: reduzir por algumas horas a sensação de peso e calor, aliviar a dor de uma flebite superficial, acelerar a absorção de um roxo depois de uma pancada ou de uma sessão de escleroterapia, hidratar a pele e reduzir a coceira.
  • Não pode: fazer vasinhos sumirem, diminuir o calibre de uma variz, fechar uma veia com refluxo, impedir que novas varizes apareçam ou substituir a meia de compressão e o tratamento.

Creme, remédio venoativo oral e tratamento: qual a diferença

OpçãoO que fazO que não faz
Creme ou gel tópicoAlívio local e temporário de peso, calor e coceira; ajuda em roxos e flebite superficialNão elimina vasinhos nem varizes; não trata refluxo
Medicamento venoativo oral (diosmina, escina, rutina)Reduz sintomas e inchaço em parte dos pacientes, com evidência de qualidade moderada a baixaNão faz varizes sumirem; não substitui o tratamento da veia
Meia de compressãoControla sintomas e inchaço enquanto é usada; base do tratamento conservadorNão elimina as veias doentes
Escleroterapia, laser transdérmico, espuma e endolaserFecham a veia doente e eliminam vasinhos e varizes existentesNão impedem que novas veias apareçam ao longo da vida; exigem avaliação com Doppler

Na prática, os três primeiros são medidas de conforto. Só a última linha muda a veia. Falo dos comprimidos com mais detalhe em remédio para varizes: o que funciona e o que é mito.

O que a evidência mostra

A revisão Cochrane sobre flebotônicos, atualizada em 2020, reuniu dezenas de estudos com medicamentos venoativos e concluiu que eles podem reduzir o inchaço e alguns sintomas na doença venosa crônica, com evidência de qualidade moderada a baixa, sem efeito sobre a cicatrização de úlceras e sem efeito sobre a aparência das varizes. Quase toda essa evidência é da via oral. Para os géis e cremes, os estudos são poucos, pequenos e de curta duração, e medem sensação de alívio, não mudança na veia.

A diretriz europeia de doença venosa crônica, a ESVS 2022, recomenda considerar medicamentos venoativos para sintomas e inchaço em pacientes selecionados, sempre como complemento, e reserva a resolução das varizes para os tratamentos que fecham a veia: endolaser, radiofrequência, espuma e escleroterapia. A diretriz britânica NICE segue a mesma linha e é explícita ao não recomendar cremes como tratamento de varizes. A revisão Cochrane sobre castanha-da-índia encontrou benefício de curto prazo para sintomas, de novo com o extrato por via oral.

Para a heparina tópica, a evidência mais consistente é no alívio dos sintomas locais da flebite superficial e na reabsorção de hematomas. É um uso legítimo, mas restrito a essas situações, e não trata a varize que originou a flebite.

Riscos de confiar no creme

  • Dermatite de contato. Arnica, mentol, cânfora, fragrâncias e conservantes estão entre as causas frequentes de alergia na pele das pernas. Quem já tem pele sensível por doença venosa, com eczema ou dermatite ocre, tem risco maior.
  • Adiar o diagnóstico. Este é o principal. Meses aplicando creme em uma perna que pesa e incha são meses em que um refluxo de safena segue progredindo, com risco de flebite, dermatite e, mais adiante, úlcera. Quanto mais cedo o refluxo é identificado no Doppler, mais simples é o tratamento.
  • Custo sem retorno. O gasto contínuo com produtos que não alteram a veia acaba, em muitos casos, superando o custo de tratar o problema.
  • Falsa segurança. Sentir a perna mais leve depois da aplicação não significa que a circulação melhorou; é o efeito do mentol e da massagem.

Quando o creme é razoável

Não sou contra cremes; sou contra a expectativa errada. Há situações em que eles fazem sentido, desde que como complemento:

  • Para alívio de peso e calor nos dias piores, junto com a meia de compressão e a elevação das pernas, enquanto você organiza o tratamento;
  • Na gestação, quando os procedimentos ficam adiados e o objetivo é conforto;
  • Gel de heparina ou heparinoide em uma flebite superficial já avaliada pelo médico, ou para acelerar a absorção de roxos depois de uma sessão de escleroterapia;
  • Hidratante sem fragrância, todos os dias, na pele de quem tem doença venosa, para reduzir coceira e prevenir o eczema. Aqui o benefício é para a pele, não para a veia.

Receitas caseiras, como vinagre, babosa e pomadas mentoladas de uso geral, entram na mesma lógica e têm ainda menos evidência. Analiso uma a uma em remédio caseiro para varizes.

O que realmente elimina vasinhos e varizes

O tratamento que funciona começa com o ultrassom Doppler, porque é ele que mostra de onde vem a pressão. As opções são:

  • Escleroterapia para vasinhos e microvarizes de até 3 mm, com glicose, polidocanol ou outro esclerosante conforme o caso, tratando também as veias nutridoras identificadas com o VeinViewer;
  • Laser transdérmico 1064 nm para vasinhos finos, isolado ou combinado com a escleroterapia (esclerolaser);
  • Espuma densa guiada por ultrassom como complemento em veias selecionadas, feita em consultório;
  • Endolaser para a safena com refluxo e as tributárias, com anestesia local e sem internação, considerado padrão-ouro pelas diretrizes (ESVS 2022).

Nenhum desses tratamentos promete que novas veias nunca mais vão aparecer. O que eles fazem é eliminar as veias doentes de hoje e reduzir a pressão que criaria as de amanhã. Na Clínica VHG, em Fortaleza, o Doppler é feito na própria consulta pelo cirurgião vascular, e o plano sai no mesmo dia. Veja como funciona em tratamento de varizes em Fortaleza.

Perguntas frequentes

Qual o melhor creme para varizes?

Não existe um creme que trate varizes, então não há um melhor para esse fim. Para alívio de sintomas, géis com mentol ou castanha-da-índia dão sensação de frescor e leveza por algumas horas; para roxos e flebite superficial, géis com heparina ou heparinoide ajudam na absorção. Para eliminar vasinhos e varizes, o caminho é o Doppler seguido de escleroterapia, laser, espuma ou endolaser, conforme o caso.

Creme para varizes e vasinhos funciona?

Funciona para aliviar peso, calor e coceira de forma temporária. Não funciona para fazer vasinhos ou varizes desaparecerem, porque o creme não alcança a veia doente nem corrige o refluxo que a mantém dilatada.

Pomada para varizes na perna resolve?

Não resolve. A pomada age na superfície da pele e a variz é um problema de válvula e de pressão dentro da veia. Ela pode dar conforto e ajudar a reabsorver um hematoma, mas a veia continua igual depois do uso.

Existe remédio que elimina varizes?

Não. Nem creme, nem comprimido eliminam varizes existentes. Os medicamentos venoativos orais, como diosmina e escina, reduzem sintomas e inchaço em parte dos pacientes, segundo a revisão Cochrane de 2020, mas não alteram o calibre da veia. O que elimina a variz é fechá-la: escleroterapia, laser transdérmico, espuma densa ou endolaser.

Qual o tratamento que realmente funciona?

O que começa pelo ultrassom Doppler para localizar o refluxo e depois fecha a veia doente pela técnica adequada ao seu calibre: escleroterapia e laser transdérmico para vasinhos e microvarizes, endolaser para a safena e as tributárias, com espuma densa como complemento em veias selecionadas. Meia de compressão, exercício e cremes entram como apoio, não como substitutos.

Leia também: Remédio para varizes: o que funciona e o que é mito · Remédio caseiro para varizes · Escleroterapia em Fortaleza

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Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Referências

  1. Martinez-Zapata MJ, Vernooij RW, Simancas-Racines D, et al. Phlebotonics for venous insufficiency. Cochrane Database Syst Rev. 2020;11:CD003229.
  2. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  3. Pittler MH, Ernst E. Horse chestnut seed extract for chronic venous insufficiency. Cochrane Database Syst Rev. 2012;11:CD003230.
  4. Di Nisio M, Wichers IM, Middeldorp S. Treatment for superficial thrombophlebitis of the leg. Cochrane Database Syst Rev. 2018;2:CD004982.
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013. nice.org.uk/guidance/cg168

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