Lipedema

Lipedema e tratamentos estéticos: quando começar a tratar celulite e flacidez

Você já me ouviu dizer que nem toda paciente com celulite tem lipedema, mas a maioria das pacientes com lipedema tem celulite. Por isso a pergunta sobre lipedema e tratamentos estéticos aparece tanto no consultório: "Doutor, posso tratar a celulite?", "Posso fazer o Morpheus?", "E os vasinhos?". A resposta é sim, mas na hora certa. Neste artigo uso o caso de uma paciente da Clínica VHG, em Fortaleza, para explicar quando começar e por que a ordem importa.

Assista no YouTube

Paciente com lipedema, celulite e vasinhos: primeiro o controle da inflamação, depois os tratamentos estéticos.

Nem toda celulite é lipedema

A paciente do vídeo tem o diagnóstico de lipedema. Ela apresenta um acúmulo de gordura maior nas coxas, até o nível do joelho, com aquela gordura mais nodular que se percebe ao olhar e ao tocar. O que a diferencia de uma paciente com celulite comum são os sintomas: a gordura era sensível, dolorosa ao toque, ela tinha histórico de hematomas com facilidade e vasinhos e varizes associados. Celulite, sozinha, não dói e não deixa roxos. Se você está na dúvida, comece por lipedema ou celulite: como diferenciar.

Por que não começar pela estética

O lipedema é uma doença inflamatória do tecido gorduroso. Enquanto essa inflamação está ativa, a perna está dolorida, sensível e com os capilares frágeis. Fazer subcisão, radiofrequência com microagulhamento ou escleroterapia em um tecido nesse estado traz três problemas:

  • Mais dor durante e depois do procedimento, em uma perna que já dói ao toque;
  • Mais hematomas, porque a fragilidade capilar do lipedema faz sangrar e roxear com facilidade;
  • Resultado pior, porque o colágeno responde mal em um ambiente inflamado e a celulite tende a voltar rápido.

Por isso, na Clínica VHG, a estética nunca é o primeiro passo em quem tem lipedema. É uma questão de segurança e de resultado.

Primeiro passo: controlar a inflamação

A paciente entrou em um protocolo de tratamento clínico do lipedema para controlar a inflamação. É importante deixar claro: o tratamento do lipedema não é baseado só na perda de peso. Ele é baseado no controle dos processos inflamatórios. Tudo o que leva aquela paciente à inflamação, e uma predominância estrogênica é um dos fatores centrais, precisa ser regulado para que ela melhore, principalmente dos sintomas.

Na prática, isso é feito no programa de lipedema de 10 semanas: terapia especializada, acompanhamento médico e nutrição anti-inflamatória, sem injetáveis. Explico o que funciona em tratamento conservador do lipedema e o papel dos hormônios em lipedema e hormônios.

Sinais de que o lipedema está controlado

Como saber que chegou a hora de partir para a estética? Os sinais que uso na reavaliação são objetivos:

  • Perna sem sensibilidade e sem dor ao toque ou à pressão;
  • Hematomas espontâneos que pararam de aparecer;
  • Menos sensação de peso e de inchaço no fim do dia;
  • Termografia com menos áreas de inflamação;
  • Circunferências e bioimpedância estáveis ou em melhora.

Estando o lipedema controlado, com a paciente sem sensibilidade na perna e sem dor ao toque, a gente pode partir para os tratamentos estéticos. É exatamente o que vai ser feito com a paciente do vídeo.

Quais tratamentos estéticos entram depois

Com a inflamação controlada, o plano estético segue a queixa de cada paciente. Na Clínica VHG, as opções que combinamos com mais frequência são:

  • Subcisão, para soltar os septos que puxam a pele e formam as depressões da celulite. A melhora da depressão é imediata, e o refinamento vem nas semanas seguintes. Veja subcisão com bioestimulador.
  • Bioestimulador de colágeno, para melhorar a qualidade da pele que ficou irregular.
  • Morpheus 8, radiofrequência com microagulhamento, para flacidez e textura.
  • Escleroterapia e laser transdérmico para os vasinhos e microvarizes, que são muito comuns no lipedema.
  • Cirurgia redutora do lipedema, em casos selecionados, quando dor e volume persistem apesar do tratamento clínico bem feito.

Nada disso é promessa de perna perfeita. Resultados variam, e o lipedema continua sendo uma condição crônica que precisa de manutenção. Mas, na ordem certa, cada tratamento rende mais e incomoda menos.

Como avaliamos na Clínica VHG

Na consulta, começo pela história e pelo exame físico, procurando os sinais de lipedema: desproporção, dor ao toque, roxos fáceis, pés poupados. Faço o ultrassom Doppler na hora, porque varizes e vasinhos costumam vir junto e precisam entrar no plano, e uso bioimpedância e termografia para medir a inflamação e acompanhar a resposta ao tratamento. A paciente sai com o diagnóstico integrado e o plano de cuidado no mesmo dia, sabendo o que vem primeiro e o que vem depois. Pacientes de outras cidades podem começar por teleconsulta.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se a sua celulite vem acompanhada de dor ao toque, sensibilidade, hematomas fáceis ou pernas desproporcionais ao tronco. E procure antes de fazer qualquer tratamento estético nas pernas se você suspeita de lipedema: tratar na ordem errada custa dor, roxos e dinheiro, e o diagnóstico feito na consulta evita isso.

Perguntas frequentes

Quem tem lipedema pode fazer tratamento estético?

Pode, mas não como primeiro passo. Os tratamentos estéticos para celulite, flacidez e vasinhos entram depois que a inflamação do lipedema está controlada: perna sem sensibilidade, sem dor ao toque e sem hematomas fáceis. Tratar a estética em um tecido inflamado dá mais dor, mais roxos e resultado pior.

Quando começar os tratamentos estéticos no lipedema?

Quando a paciente completa o tratamento clínico do lipedema e os sinais de inflamação regridem. Na prática, isso significa pernas sem dor ao toque, sem sensibilidade à pressão e sem roxos espontâneos. A partir daí, subcisão, bioestimulador, Morpheus 8 e escleroterapia dos vasinhos podem ser programados com segurança.

Toda celulite é lipedema?

Não. Nem toda paciente com celulite tem lipedema, mas a maioria das pacientes com lipedema tem celulite. A diferença está nos sintomas: no lipedema a gordura é sensível, dolorosa ao toque, há hematomas com facilidade e a distribuição é desproporcional, das coxas ao joelho ou ao tornozelo, poupando os pés.

O tratamento do lipedema é só emagrecer?

Não. O tratamento do lipedema é baseado no controle dos processos inflamatórios, não apenas na perda de peso. Tudo o que leva a paciente à inflamação, incluindo a predominância estrogênica, precisa ser regulado para que os sintomas melhorem. A perda de peso ajuda, mas sozinha não resolve a dor nem a sensibilidade.

Quais tratamentos estéticos são usados depois que o lipedema está controlado?

Depende da queixa: subcisão e bioestimulador de colágeno para a celulite, Morpheus 8 para flacidez e qualidade da pele, escleroterapia ou laser transdérmico para vasinhos, e, em casos selecionados, a cirurgia redutora do lipedema. A ordem e a combinação são definidas no plano de cuidado individual.

Leia também: Lipedema ou celulite? Como diferenciar · Tratamento conservador do lipedema · Subcisão com bioestimulador para celulite

Referências

  1. Kruppa P, Georgiou I, Biermann N, Prantl L, Klein-Weigel P, Ghods M. Lipedema—pathogenesis, diagnosis, and treatment options. Dtsch Arztebl Int. 2020;117(22-23):396-403.
  2. Reich-Schupke S, Schmeller W, Brauer WJ, et al. S1 guidelines: Lipedema. J Dtsch Dermatol Ges. 2017;15(7):758-767.
  3. Herbst KL, Kahn LA, Iker E, et al. Standard of care for lipedema in the United States. Phlebology. 2021;36(10):779-796.
  4. Nürnberger F, Müller G. So-called cellulite: an invented disease. J Dermatol Surg Oncol. 1978;4(3):221-229.

Tem lipedema e quer tratar a celulite ou a flacidez?

Avaliação com cirurgião vascular em Fortaleza, com ultrassom Doppler, bioimpedância e termografia na própria consulta, para saber se o lipedema está controlado e montar o plano estético na ordem certa.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

Artigos Relacionados

Lipedema ou celulite?

Como diferenciar as duas condições e por que isso muda o tratamento.

Tratamento conservador do lipedema

O que funciona para controlar a inflamação e os sintomas.