Manchas após escleroterapia são a queixa que mais ouço de quem já tratou vasinhos em outro lugar: o vaso sumiu, mas ficou uma marca acastanhada no lugar. Isso não é azar nem "pele que mancha fácil". Na maioria das vezes tem uma explicação mecânica, e é essa explicação que orienta como a gente trata na Clínica VHG para reduzir ao máximo esse risco. Neste artigo explico por que a mancha aparece, quais cuidados fazem diferença, principalmente em pele morena, e por que fazemos o tratamento de forma simultânea, muitas vezes com dois cirurgiões ao mesmo tempo.
O que é a mancha que fica depois de tratar vasinhos
A mancha pós-escleroterapia, ou hiperpigmentação, é um depósito de hemossiderina, um pigmento derivado do ferro do sangue. Quando o vaso é tratado, seja com esclerosante ou com laser, ele fecha com sangue dentro. Se esse sangue extravasa ou fica retido e o organismo demora a reabsorver, o ferro fica na pele e a região escurece em tom marrom, como uma ferrugem. Na literatura, algum grau de pigmentação temporária acontece em uma parcela relevante dos tratamentos e costuma clarear em meses; o problema é a mancha que persiste.
Existe ainda um segundo tipo de marca: a hipocromia, uma área mais clara que a pele ao redor. Ela acontece quando o laser transdérmico entrega energia demais para o tipo de pele, e é o principal cuidado em pacientes de pele morena ou negra.
Por que a mancha acontece: a veia nutridora que ficou
O ponto central, e que poucos pacientes ouvem, é este: a mancha acontece muito quando você trata o vasinho visível, mas fica um vaso por baixo que continua jogando sangue naquela região. Esse vaso é a veia nutridora, uma veia um pouco maior, muitas vezes invisível a olho nu, que alimenta o leque de vasinhos. Se ela continua aberta, o sangue continua chegando ao local tratado, o vaso fechado se enche de novo, extravasa ferro e a chance de manchar é muito alta.
O mesmo raciocínio vale em escala maior. Atendo muitos pacientes que têm veia grossa, fazem aplicação de espuma nas colaterais, mas não tratam a veia safena que está nutrindo tudo. Nesse cenário, é praticamente certo que vai ficar algum tipo de mancha, porque a pressão de origem nunca foi resolvida. Explico essa relação em veia safena magna: quando e como tratar.
Outros fatores que aumentam o risco de manchar
- Vasos que existem há muitos anos, já com sangue estagnado e parede fina;
- Pele morena ou negra, que responde à inflamação com mais pigmento e é mais sensível ao calor do laser;
- Concentração e volume de esclerosante acima do necessário para o calibre do vaso;
- Sol sobre a área tratada nas semanas seguintes;
- Não usar compressão após a sessão, quando indicada;
- Suplementos de ferro e alguns medicamentos, que aumentam a disponibilidade de ferro na pele.
Como avaliamos antes de tratar
Antes de qualquer aplicação, o primeiro passo é descobrir de onde vem o sangue. Na consulta, faço o ultrassom Doppler para afastar refluxo da safena e das perfurantes, e uso o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até cerca de 10 mm de profundidade e mostra as nutridoras que o olho não vê. Também avaliamos o tipo de pele, porque ele muda os parâmetros do laser. Só com esse mapa dá para planejar um tratamento que trate a causa, e não só o que aparece.
Como evitamos manchas na Clínica VHG
O que aparece no vídeo acima é um caso de uma paciente jovem, com varizes há bastante tempo, muitas veias nutridoras e pele um pouco mais morena. Eu estava com o reforço da Dra. Renata no laser, e a gente trabalhou simultaneamente. Os cuidados que fazem diferença:
- Tratar todas as veias nutridoras no mesmo momento. Quando eliminamos, ou pelo menos tratamos, todas as nutridoras que alimentam os vasinhos, o fluxo de sangue para aquela região diminui. Isso aumenta a chance de sucesso e reduz muito a mancha. Deixar para "outra sessão" a nutridora é deixar a torneira aberta.
- Tratamento simultâneo, com dois cirurgiões quando há muitas veias. Em casos com muito vaso para tratar, preferimos trabalhar em dupla. Conseguimos dar mais atenção a cada região, fazer um tratamento mais completo de tudo que existe naquele momento e reduzir o número de sessões. Menos sessões, menos vezes em que a pele é inflamada, menos chance de mancha e mais conforto para o paciente.
- Ajuste do laser à pele. Em pele morena, regulamos a potência e o tempo em que a energia é entregue ao vaso, para fechar a veia sem agredir a pele ao redor. É o que evita tanto a mancha escura quanto a hipocromia.
- Escolha do esclerosante por vaso. Glicose, polidocanol ou espuma, na menor concentração eficaz para cada calibre, com escleroterapia ampliada e, quando indicado, esclerolaser (esclerosante e laser transdérmico combinados).
- Origem tratada antes. Se o Doppler mostrou refluxo de safena, ele é tratado com endolaser antes dos vasinhos. Detalhes de como fazemos em laser transdérmico para vasinhos.
E se a mancha já apareceu?
A hemossiderina tende a clarear com o tempo, e a maior parte das manchas melhora ao longo de seis a doze meses. Proteção solar diária ajuda a não escurecer mais. Quando a marca persiste, usamos o laser ACROMA, específico para o pigmento de ferro, com sessões espaçadas. Mas o primeiro passo é sempre verificar se ainda existe uma nutridora ou um refluxo alimentando a região: enquanto isso não for tratado, qualquer clareamento tende a voltar. Escrevi mais em como tirar manchas das pernas.
Quando procurar o cirurgião vascular
Procure avaliação se você tratou vasinhos e ficou com manchas, se os vasos voltaram no mesmo lugar, ou se ainda não tratou e quer saber o risco no seu tipo de pele. A avaliação em Fortaleza inclui Doppler e VeinViewer na própria consulta. Quem mora em outra cidade pode começar por teleconsulta, como explico em cirurgião vascular no Ceará.
Perguntas frequentes
Por que a escleroterapia deixa mancha?
Porque o vaso tratado fecha com sangue dentro e, se continua recebendo sangue de uma veia nutridora não tratada, extravasa ferro para a pele. Esse ferro, a hemossiderina, forma a mancha marrom. Pele morena, vasos antigos, esclerosante em excesso e sol aumentam o risco.
Mancha após escleroterapia some sozinha?
Na maioria das vezes clareia bastante em seis a doze meses, principalmente com proteção solar. Quando persiste, o laser ACROMA, específico para o pigmento de ferro, ajuda a clarear, desde que a nutridora ou o refluxo que alimenta a região já tenham sido tratados.
Escleroterapia mancha mais em pele morena?
A pele morena responde à inflamação com mais pigmento e é mais sensível ao calor do laser, com risco tanto de mancha escura quanto de hipocromia. Por isso ajustamos a potência e o tempo de entrega da energia e priorizamos tratar as nutridoras, o que reduz muito o risco.
O que é veia nutridora e por que ela importa?
É uma veia um pouco maior, muitas vezes invisível, que alimenta o leque de vasinhos. Se ela não é tratada, o sangue continua chegando ao vaso tratado, que se enche de novo, mancha e volta. Identificamos as nutridoras com VeinViewer e Doppler e as tratamos no mesmo momento.
Por que fazer o tratamento com dois médicos ao mesmo tempo?
Em casos com muitas veias, trabalhar em dupla permite tratar tudo o que existe naquele momento, com mais atenção a cada região e em menos sessões. Menos sessões significam menos inflamação repetida da pele, menor chance de mancha e mais conforto para o paciente.