Complicações

Manchas após escleroterapia: por que acontecem e como evitamos

Manchas após escleroterapia são a queixa que mais ouço de quem já tratou vasinhos em outro lugar: o vaso sumiu, mas ficou uma marca acastanhada no lugar. Isso não é azar nem "pele que mancha fácil". Na maioria das vezes tem uma explicação mecânica, e é essa explicação que orienta como a gente trata na Clínica VHG para reduzir ao máximo esse risco. Neste artigo explico por que a mancha aparece, quais cuidados fazem diferença, principalmente em pele morena, e por que fazemos o tratamento de forma simultânea, muitas vezes com dois cirurgiões ao mesmo tempo.

Assista no YouTube

Tratamento simultâneo com dois cirurgiões: tratar todas as veias nutridoras no mesmo momento reduz a chance de mancha.

O que é a mancha que fica depois de tratar vasinhos

A mancha pós-escleroterapia, ou hiperpigmentação, é um depósito de hemossiderina, um pigmento derivado do ferro do sangue. Quando o vaso é tratado, seja com esclerosante ou com laser, ele fecha com sangue dentro. Se esse sangue extravasa ou fica retido e o organismo demora a reabsorver, o ferro fica na pele e a região escurece em tom marrom, como uma ferrugem. Na literatura, algum grau de pigmentação temporária acontece em uma parcela relevante dos tratamentos e costuma clarear em meses; o problema é a mancha que persiste.

Existe ainda um segundo tipo de marca: a hipocromia, uma área mais clara que a pele ao redor. Ela acontece quando o laser transdérmico entrega energia demais para o tipo de pele, e é o principal cuidado em pacientes de pele morena ou negra.

Por que a mancha acontece: a veia nutridora que ficou

O ponto central, e que poucos pacientes ouvem, é este: a mancha acontece muito quando você trata o vasinho visível, mas fica um vaso por baixo que continua jogando sangue naquela região. Esse vaso é a veia nutridora, uma veia um pouco maior, muitas vezes invisível a olho nu, que alimenta o leque de vasinhos. Se ela continua aberta, o sangue continua chegando ao local tratado, o vaso fechado se enche de novo, extravasa ferro e a chance de manchar é muito alta.

O mesmo raciocínio vale em escala maior. Atendo muitos pacientes que têm veia grossa, fazem aplicação de espuma nas colaterais, mas não tratam a veia safena que está nutrindo tudo. Nesse cenário, é praticamente certo que vai ficar algum tipo de mancha, porque a pressão de origem nunca foi resolvida. Explico essa relação em veia safena magna: quando e como tratar.

Outros fatores que aumentam o risco de manchar

  • Vasos que existem há muitos anos, já com sangue estagnado e parede fina;
  • Pele morena ou negra, que responde à inflamação com mais pigmento e é mais sensível ao calor do laser;
  • Concentração e volume de esclerosante acima do necessário para o calibre do vaso;
  • Sol sobre a área tratada nas semanas seguintes;
  • Não usar compressão após a sessão, quando indicada;
  • Suplementos de ferro e alguns medicamentos, que aumentam a disponibilidade de ferro na pele.

Como avaliamos antes de tratar

Antes de qualquer aplicação, o primeiro passo é descobrir de onde vem o sangue. Na consulta, faço o ultrassom Doppler para afastar refluxo da safena e das perfurantes, e uso o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até cerca de 10 mm de profundidade e mostra as nutridoras que o olho não vê. Também avaliamos o tipo de pele, porque ele muda os parâmetros do laser. Só com esse mapa dá para planejar um tratamento que trate a causa, e não só o que aparece.

Como evitamos manchas na Clínica VHG

O que aparece no vídeo acima é um caso de uma paciente jovem, com varizes há bastante tempo, muitas veias nutridoras e pele um pouco mais morena. Eu estava com o reforço da Dra. Renata no laser, e a gente trabalhou simultaneamente. Os cuidados que fazem diferença:

  • Tratar todas as veias nutridoras no mesmo momento. Quando eliminamos, ou pelo menos tratamos, todas as nutridoras que alimentam os vasinhos, o fluxo de sangue para aquela região diminui. Isso aumenta a chance de sucesso e reduz muito a mancha. Deixar para "outra sessão" a nutridora é deixar a torneira aberta.
  • Tratamento simultâneo, com dois cirurgiões quando há muitas veias. Em casos com muito vaso para tratar, preferimos trabalhar em dupla. Conseguimos dar mais atenção a cada região, fazer um tratamento mais completo de tudo que existe naquele momento e reduzir o número de sessões. Menos sessões, menos vezes em que a pele é inflamada, menos chance de mancha e mais conforto para o paciente.
  • Ajuste do laser à pele. Em pele morena, regulamos a potência e o tempo em que a energia é entregue ao vaso, para fechar a veia sem agredir a pele ao redor. É o que evita tanto a mancha escura quanto a hipocromia.
  • Escolha do esclerosante por vaso. Glicose, polidocanol ou espuma, na menor concentração eficaz para cada calibre, com escleroterapia ampliada e, quando indicado, esclerolaser (esclerosante e laser transdérmico combinados).
  • Origem tratada antes. Se o Doppler mostrou refluxo de safena, ele é tratado com endolaser antes dos vasinhos. Detalhes de como fazemos em laser transdérmico para vasinhos.

E se a mancha já apareceu?

Fiz escleroterapia e manchou: o Dr. Victor Hugo explica a avaliação da pele antes de tratar e o laser ACROMA para clarear manchas.

A hemossiderina tende a clarear com o tempo, e a maior parte das manchas melhora ao longo de seis a doze meses. Proteção solar diária ajuda a não escurecer mais. Quando a marca persiste, usamos o laser ACROMA, específico para o pigmento de ferro, com sessões espaçadas. Mas o primeiro passo é sempre verificar se ainda existe uma nutridora ou um refluxo alimentando a região: enquanto isso não for tratado, qualquer clareamento tende a voltar. Escrevi mais em como tirar manchas das pernas.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se você tratou vasinhos e ficou com manchas, se os vasos voltaram no mesmo lugar, ou se ainda não tratou e quer saber o risco no seu tipo de pele. A avaliação em Fortaleza inclui Doppler e VeinViewer na própria consulta. Quem mora em outra cidade pode começar por teleconsulta, como explico em cirurgião vascular no Ceará.

Perguntas frequentes

Por que a escleroterapia deixa mancha?

Porque o vaso tratado fecha com sangue dentro e, se continua recebendo sangue de uma veia nutridora não tratada, extravasa ferro para a pele. Esse ferro, a hemossiderina, forma a mancha marrom. Pele morena, vasos antigos, esclerosante em excesso e sol aumentam o risco.

Mancha após escleroterapia some sozinha?

Na maioria das vezes clareia bastante em seis a doze meses, principalmente com proteção solar. Quando persiste, o laser ACROMA, específico para o pigmento de ferro, ajuda a clarear, desde que a nutridora ou o refluxo que alimenta a região já tenham sido tratados.

Escleroterapia mancha mais em pele morena?

A pele morena responde à inflamação com mais pigmento e é mais sensível ao calor do laser, com risco tanto de mancha escura quanto de hipocromia. Por isso ajustamos a potência e o tempo de entrega da energia e priorizamos tratar as nutridoras, o que reduz muito o risco.

O que é veia nutridora e por que ela importa?

É uma veia um pouco maior, muitas vezes invisível, que alimenta o leque de vasinhos. Se ela não é tratada, o sangue continua chegando ao vaso tratado, que se enche de novo, mancha e volta. Identificamos as nutridoras com VeinViewer e Doppler e as tratamos no mesmo momento.

Por que fazer o tratamento com dois médicos ao mesmo tempo?

Em casos com muitas veias, trabalhar em dupla permite tratar tudo o que existe naquele momento, com mais atenção a cada região e em menos sessões. Menos sessões significam menos inflamação repetida da pele, menor chance de mancha e mais conforto para o paciente.

Leia também: Como tirar manchas das pernas · Escleroterapia em Fortaleza · Laser transdérmico para vasinhos

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Rabe E, Breu FX, Cavezzi A, et al. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders. Phlebology. 2014;29(6):338-354.
  3. Goldman MP, Sadick NS, Weiss RA. Cutaneous necrosis, telangiectatic matting, and hyperpigmentation following sclerotherapy. Dermatol Surg. 1995;21(1):19-29.
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.

Tratou vasinhos e ficou com manchas? Vamos descobrir a causa.

Avaliação com cirurgião vascular, Doppler e VeinViewer na própria consulta, em Fortaleza: encontramos a veia nutridora e planejamos o tratamento certo para o seu tipo de pele.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

Artigos Relacionados

Como tirar manchas das pernas

O que funciona, o que não funciona e por onde começamos.

Escleroterapia em Fortaleza

Como tratamos vasinhos, microvarizes e veias nutridoras.