Subcisão com agulha, cânula ou a laser: diferenças | Clínica VHG
Celulite

Subcisão com agulha, cânula ou a laser: quais as diferenças

Todos os tipos de subcisão fazem a mesma coisa: cortam, por baixo da pele, as traves de fibrose que puxam a superfície e formam as depressões da celulite. O que muda é o instrumento e a forma de cortar. A agulha de bisel cortante secciona traves pontuais com precisão; a cânula de subcisão, conhecida como "bico de pato", descola um plano maior quando as traves são muitas e próximas; a chamada "micro subcisão" usa agulhas mais finas para depressões rasas; e os sistemas a laser ou a vácuo automatizam o corte com equipamentos específicos. Nenhum instrumento é melhor em todos os casos: a escolha depende do tamanho, da profundidade e do número de traves de cada paciente.

Este artigo explica cada tipo de forma objetiva, para você entender o que o médico está propondo e por que, na Clínica VHG, combinamos instrumentos na mesma sessão.

O que toda subcisão tem em comum

A técnica foi descrita nos anos 1990 para cicatrizes deprimidas e validada para celulite a partir de 2000. Por um microorifício na pele, um instrumento entra no plano subcutâneo e secciona o septo fibroso que traciona a pele para baixo. A depressão se solta no mesmo instante. O pequeno sangramento que se forma no espaço liberado organiza colágeno novo e impede que a trave se reconstitua da mesma forma. Em qualquer variação, a marcação é feita em pé, com luz lateral, e o procedimento acontece em consultório com anestesia local. O que evolui nas semanas seguintes é o refinamento da pele, ajudado pelo bioestimulador aplicado na mesma sessão. O passo a passo completo está em subcisão com bioestimulador para celulite.

Subcisão com agulha

É a forma clássica. Uma agulha hipodérmica de bisel cortante, em geral de calibre 18G ou 16G, entra por um ponto ao lado da depressão e o bisel é movimentado de baixo para cima para seccionar a trave. Como o corte é dirigido, ela é ideal para depressões pontuais e profundas, as de grau 3, em que uma ou poucas traves espessas puxam a pele. O médico sente a trave ceder e vê o nivelamento em tempo real, com a paciente em pé. A vantagem é a precisão: descola-se o mínimo necessário, o que reduz hematoma e o risco de a pele ficar solta. A limitação é o tempo em áreas com dezenas de depressões próximas.

Subcisão com cânula (bico de pato)

A cânula de subcisão tem a ponta achatada e cortante, o que lhe dá o apelido de "bico de pato". Ela entra por um único orifício e percorre um plano sob a pele em movimentos em leque, seccionando várias traves ao longo do trajeto. É a escolha para áreas com muitas depressões rasas e agrupadas, para o descolamento de placas de fibrose depois de lipoaspiração e para preparar o plano em que o bioestimulador ou o nanofat serão depositados. Por descolar um plano maior, exige mais cuidado com compressão no pós, para evitar seroma e hematoma extenso. A cânula romba, usada para a anestesia e para o bioestimulador, é diferente da cânula cortante e não secciona trave.

Micro subcisão

"Micro subcisão" não é uma técnica distinta, e sim a subcisão com agulhas mais finas, de 21G a 25G, para depressões superficiais e pequenas ou para regiões de pele fina, como a face interna da coxa. O trauma é menor, o roxo é discreto e a recuperação é mais rápida, mas ela não resolve trave espessa de grau 3. Em muitas pacientes ela complementa a agulha de maior calibre na mesma sessão: as depressões profundas recebem a agulha grossa, as rasas recebem a fina.

Subcisão a laser e sistemas a vácuo

Existem equipamentos que automatizam o corte. Na subcisão a laser, uma fibra fina é introduzida sob a pele e a energia secciona a trave e aquece o tecido ao redor; a proposta é somar liberação e estímulo de colágeno, com a limitação do custo e do risco de queimadura se a energia for mal controlada. Os sistemas a vácuo, como o Cellfina, sugam a pele para dentro de uma câmara e uma lâmina corta a trave em profundidade padronizada; têm estudo multicêntrico com resultados mantidos em longo prazo, mas não estão amplamente disponíveis no Brasil. Há ainda descrições de subcisão com fio, em que um fio é passado sob a pele para seccionar a trave por serra, técnica menos difundida e com menos evidência publicada. Todas seguem o mesmo princípio mecânico da agulha; o que adicionam é padronização ou energia, não um resultado de natureza diferente.

Como escolher o instrumento certo

  • Depressões profundas e isoladas: agulha de bisel cortante, 18G ou 16G.
  • Muitas depressões rasas agrupadas: cânula bico de pato em plano, com bioestimulador em seguida.
  • Pele fina ou depressões pequenas: agulhas finas, a chamada micro subcisão.
  • Fibrose em placa depois de lipo: terapias que amolecem primeiro, cânula para o plano e agulha para as traves que persistem. Detalhes em fibrose após lipoaspiração.
  • Celulite difusa sem depressão fixa: nenhum tipo de subcisão; o caminho é bioestimulador, Morpheus 8 ou radiofrequência interna. Veja o comparativo em subcisão, Morpheus 8 ou bioestimulador.

Como fazemos a subcisão na Clínica VHG, em Fortaleza

A subcisão na Clínica VHG é realizada por cirurgião vascular dentro do Modelo VHG™, que avalia os quatro domínios das pernas: circulação, gordura, pele e função. Na consulta, cada depressão passa pelo teste de tração em pé e o ultrassom Doppler mapeia a circulação da região, o que orienta a profundidade do descolamento e afasta refluxo venoso ou lipedema antes do procedimento. Na sessão, usamos agulha de bisel cortante para as traves profundas e cânula bico de pato quando há plano a descolar, sempre com marcação em pé, anestesia local, compressão imediata e bioestimulador de colágeno aplicado no mesmo dia. O atendimento é no RioMar Trade Center, no Papicu. Conheça também a subcisão glútea e o tratamento de celulite em Fortaleza.

O que você pode fazer hoje

  • Conte suas depressões em pé, com luz lateral, e separe as profundas das rasas: isso já indica o instrumento provável.
  • Pergunte ao médico, em qualquer clínica, qual instrumento será usado e por quê.
  • Leve informações de procedimentos anteriores na região, inclusive lipoaspiração e injetáveis.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre subcisão com agulha e com cânula?

A agulha de bisel cortante secciona traves pontuais com precisão e descola o mínimo necessário. A cânula bico de pato entra por um único orifício e descola um plano maior, seccionando várias traves ao longo do trajeto, o que serve para áreas com muitas depressões agrupadas.

O que é micro subcisão?

É a subcisão feita com agulhas mais finas, para depressões rasas e pequenas ou pele fina. Tem menos roxo e recuperação mais rápida, mas não resolve traves espessas de grau 3. Costuma complementar a agulha de maior calibre na mesma sessão.

Subcisão a laser é melhor que a com agulha?

Não há evidência de que produza um resultado de natureza diferente. O laser soma energia térmica ao corte, com custo maior e risco de queimadura se mal controlado. O princípio mecânico de liberar a trave é o mesmo da agulha.

O que é Cellfina?

É um sistema a vácuo que suga a pele para dentro de uma câmara e corta a trave com lâmina em profundidade padronizada. Tem estudo multicêntrico com resultado mantido no longo prazo, mas não está amplamente disponível no Brasil.

Como é feita a subcisão para celulite?

Marcação das depressões em pé com luz lateral, anestesia local, entrada do instrumento por um microorifício e secção da trave por baixo da pele. A depressão nivela na hora. Em seguida aplica-se o bioestimulador de colágeno e a área é comprimida.

Qual tipo de subcisão dá menos roxo?

A subcisão com agulhas finas em poucas depressões. Quanto maior o plano descolado, como com a cânula em áreas extensas, maior o hematoma esperado, e mais importante é a compressão imediata e a bermuda compressiva.

Referências

  1. Orentreich DS, Orentreich N. Subcutaneous incisionless (subcision) surgery for the correction of depressed scars and wrinkles. Dermatol Surg. 1995;21(6):543-549.
  2. Hexsel DM, Mazzuco R. Subcision: a treatment for cellulite. Int J Dermatol. 2000;39(7):539-544.
  3. Kaminer MS, Coleman WP, Weiss RA, Robinson DM, Coleman WP 4th, Hornfeldt C. Multicenter pivotal study of vacuum-assisted precise tissue release for the treatment of cellulite. Dermatol Surg. 2015;41(3):336-347.
  4. Friedmann DP, Vick GL, Mishra V. Cellulite: a review with a focus on subcision. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2017;10:17-23.

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