Até pouco tempo atrás, o tratamento de vasinhos por sessão era o padrão: a pessoa ia ao consultório, recebia algumas aplicações, às vezes cobradas por área, por número de seringas ou por mililitro de produto, e voltava quando quisesse fazer mais. Muita gente saiu frustrada desse modelo, porque o resultado não durava ou nem chegava. Neste artigo explico o que mudou no diagnóstico e por que hoje tratamos vasinhos de outra forma na Clínica VHG, em Fortaleza.
Como era o tratamento de vasinhos por sessão
O modelo antigo era simples de entender: você marcava uma sessão, o médico aplicava o esclerosante nos vasinhos que estavam visíveis naquele dia e você saía com a perna marcada. A conta era feita pelo que foi injetado, por área tratada ou pela quantidade de seringas. Se sobrasse vasinho, era só marcar outra sessão.
O problema é que esse modelo olha apenas para a superfície. Ele trata o que o olho vê e ignora a pergunta mais importante: de onde vem o sangue que está enchendo aquele vasinho?
Por que tantas pessoas se frustravam
No consultório, ouço com frequência a mesma história: "já fiz várias aplicações e os vasinhos voltaram" ou "clareou um pouco e apareceram outros do lado". A frustração não é falta de sorte. Ela tem explicação anatômica.
Na maioria das vezes, o que aparece na pele não é o problema inteiro. Os vasinhos e as microvarizes costumam ser a ponta de uma rede que começa em uma veia um pouco mais profunda, com refluxo, que chamamos de veia nutridora. Enquanto essa raiz continua alimentando a rede, secar os galhos da superfície dá um alívio temporário: a pressão continua chegando e os vasinhos reaparecem, muitas vezes com manchas no caminho.
- Resultado curto. O vasinho some por semanas ou meses e volta, porque a fonte não foi tratada.
- Vasinhos novos ao redor. A pressão da nutridora procura outro caminho e abre uma rede nova perto da antiga, o chamado matting.
- Manchas. Aplicações repetidas em cima de uma veia sob pressão aumentam a chance de hiperpigmentação.
- Expectativa quebrada. A pessoa contou sessões, pagou por elas e não chegou aonde queria.
O que mudou: o diagnóstico do que está por baixo
A grande mudança dos últimos anos não foi um produto novo. Foi o detalhamento do diagnóstico. Hoje sabemos que, antes de aplicar qualquer coisa, precisamos mapear o que existe por baixo daquilo que se vê na superfície.
Quando existe uma raiz para tratar, ela precisa ser tratada primeiro. Só assim o resultado nos vasinhos mais finos e nas veias mais grossas fica positivo e duradouro. Com esse olhar, a eficácia do tratamento aumentou muito, tanto para as telangiectasias mais delicadas quanto para as microvarizes e as veias calibrosas.
É a mesma lógica das diretrizes de doença venosa crônica: tratar o refluxo de onde ele vem, e não apenas o sinal visível. Por isso a escleroterapia moderna começa com mapa, e não com seringa.
Como avaliamos na consulta: Doppler e VeinViewer
Na Clínica VHG, a avaliação é feita na própria consulta, e é ela que define o plano. Fazemos o ultrassom Doppler venoso em pé, para procurar refluxo nas safenas, nas perfurantes e nas veias tributárias que alimentam a rede. Para os vasos que o Doppler não enxerga bem, usamos o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que mostra veias de até 10 mm abaixo da pele e revela as nutridoras dos vasinhos, que muitas vezes o olho não vê.
Com esses dois exames, saímos da consulta com um mapa: quais veias têm refluxo, quais são as raízes de cada grupo de vasinhos e qual técnica serve para cada calibre. O diagnóstico e o plano são apresentados no mesmo dia.
Como funciona o tratamento na Clínica VHG
Em vez de sessões avulsas, trabalhamos com um planejamento completo, organizado em encontros que seguem uma ordem lógica: primeiro as fontes de pressão, depois os galhos. As técnicas que usamos são escolhidas por calibre e por caso:
- Endolaser para safenas e vasos grossos com refluxo, com anestesia local tumescente e sem internação.
- Espuma densa, guiada por ultrassom, para veias calibrosas e nutridoras maiores, feita em consultório.
- Escleroterapia ampliada para vasinhos e microvarizes até 3 mm, com glicose, polidocanol ou outro esclerosante, conforme o caso, sempre tratando a nutridora identificada no VeinViewer.
- Laser transdérmico 1064 nm e esclerolaser para os vasinhos mais finos e para complementar a escleroterapia.
Cada encontro tem um objetivo definido, e a evolução é controlada com fotos e reavaliação. Isso dá previsibilidade: você sabe o que vai ser tratado, em que ordem e o que esperar em cada etapa. Explico as técnicas em detalhe em escleroterapia em Fortaleza.
Então não existe mais "sessão"?
Existe, mas ela deixou de ser a unidade do tratamento. A sessão, ou encontro, é uma etapa de um plano que foi montado a partir do diagnóstico. A diferença está em contar o que importa: em vez de seringas e mililitros, contamos veias nutridoras tratadas e redes resolvidas.
Vale lembrar que a doença venosa é genética e tende a produzir vasos novos ao longo da vida. Por isso, mesmo com um plano bem feito, recomendamos uma revisão anual para tratar cedo o que aparecer. Falo mais sobre isso em as varizes voltam após o tratamento?.
Quando procurar o cirurgião vascular
Se você já fez aplicações e os vasinhos voltaram, se apareceram manchas ou redes novas depois de secagens, ou se nunca tratou e quer saber por onde começar, o primeiro passo é a avaliação com Doppler. Em Fortaleza, atendemos na Clínica VHG, no RioMar Trade Center. Pacientes de outras cidades do Ceará podem começar por teleconsulta e concentrar os exames e o tratamento em poucas vindas.
Perguntas frequentes
Tratamento de vasinhos por sessão funciona?
Funciona quando os vasinhos são realmente superficiais e não têm uma veia nutridora por trás. Quando existe uma raiz alimentando aquela rede, as aplicações pontuais clareiam por um tempo e os vasinhos voltam. Por isso hoje o tratamento começa pelo diagnóstico, e não pela seringa.
Quantas sessões são necessárias para secar vasinhos?
Depende do que o Doppler e o VeinViewer mostram. Não contamos por seringa nem por mililitro de produto: planejamos encontros de acordo com as veias nutridoras, as microvarizes e os vasinhos que precisam ser tratados, em geral ao longo de alguns meses, com controle a cada etapa.
Por que os vasinhos voltam depois da aplicação?
Na maioria das vezes porque a veia nutridora que estava por baixo não foi tratada. Ela continua mandando pressão e sangue para a superfície, e novos vasinhos aparecem ao redor dos que foram secados. Também existe o fator genético: a doença venosa tende a produzir vasos novos ao longo da vida, o que pede manutenção periódica.
O que é uma veia nutridora?
É uma veia um pouco mais profunda, muitas vezes invisível a olho nu, que tem refluxo e alimenta os vasinhos da superfície. Ela pode ser vista com o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, ou com o ultrassom Doppler quando é mais calibrosa. Tratá-la é o que dá resultado duradouro.
Vale a pena fazer aplicações avulsas antes de um evento?
Se você quer um resultado que dure, o caminho é avaliar primeiro. Uma aplicação isolada em cima de uma rede com nutridora costuma frustrar: clareia pouco, pode manchar e o vasinho volta. Com o mapa completo, dá para planejar os encontros e ter uma expectativa realista de prazo.