Varizes

Varizes e autoestima: voltar a usar short e maiô

Varizes e autoestima andam juntas com mais frequência do que se imagina. Uma parte grande das pessoas que me procuram não vem só pela dor ou pelo peso nas pernas: vem porque parou de usar short, saia e maiô e passou anos escondendo as pernas. Neste artigo conto a história de uma paciente que resume isso e explico por que a vergonha das varizes é um motivo legítimo para tratar, o que o tratamento muda de verdade e o que ele não promete.

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A história de uma paciente que só ia à praia de calça, contada pelo Dr. Victor.

"Só uso calça": o sinal que aparece no exame físico

Essa paciente veio do interior do Piauí. Ela contou que vinha com frequência a Fortaleza e às vezes trazia os filhos, que adoravam a Praia do Futuro. Só que ela não conseguia usar um maiô nem uma canga: tinha a sensação de que a praia inteira estava olhando para as pernas dela. Por isso ia à praia de calça. Na verdade, no dia a dia, ela só usava calça.

Eu percebi que era verdade no exame físico. A perna era mais clara e, a partir do tornozelo, o pé era bronzeado. A marca do sol contava a história antes dela terminar de contar. Esse detalhe, que parece pequeno, eu vejo com regularidade no consultório: pessoas que organizaram o guarda-roupa, as viagens e até o lazer com os filhos em torno de esconder as varizes.

Ela começou o tratamento no mesmo dia da primeira consulta. Durante os encontros seguintes, a gente conversava bastante, e uma vez eu disse que a minha maior realização seria receber uma foto dela na praia, de maiô, à vontade com os filhos. Algum tempo depois, quando eu já nem lembrava mais dessa conversa, chegou a foto pelo WhatsApp: dentro do mar, de maiô, agradecendo. É esse tipo de retorno que dá sentido ao trabalho da clínica.

Por que as varizes mexem tanto com a autoestima

As pernas ficam expostas em boa parte das situações sociais, principalmente em uma cidade quente como Fortaleza. Veias saltadas, vasinhos em rede e manchas escuras chamam atenção e, para muita gente, viram motivo de comentário desde a adolescência. Com o tempo, a pessoa passa a se antecipar ao olhar dos outros e simplesmente cobre as pernas. O problema é que a doença continua avançando por baixo da calça, e a limitação vai crescendo junto.

Não é frescura nem vaidade. Os questionários de qualidade de vida usados na doença venosa, como o CIVIQ-20, medem justamente esse impacto psicológico e social, e as diretrizes europeias ESVS 2022 reconhecem a melhora da qualidade de vida como um objetivo legítimo do tratamento das varizes.

Varizes é doença, não vaidade

Vale repetir: variz é insuficiência venosa crônica, uma doença progressiva em que as válvulas das veias falham e o sangue reflui. A aparência é só a parte visível. Por trás dela costumam existir peso, cansaço, câimbras, inchaço e, com os anos, risco de manchas, fibrose, flebite e sangramento. Detalho esses critérios em varizes é doença e a evolução sem tratamento em o que acontece se eu não tratar as varizes.

Então, quando alguém me diz que quer tratar "só porque tem vergonha", eu respondo que esse motivo basta e que, de quebra, a gente vai cuidar da circulação.

O que muda com o tratamento (e o que eu não prometo)

"A manicure que notou": segunda sessão de uma paciente que voltou a usar short, e por que o resultado é avaliado em dois a três meses.

O que o tratamento faz é eliminar as veias doentes que estão visíveis e, principalmente, o refluxo que as alimenta. Com isso, as veias saltadas e os vasinhos deixam de aparecer, os sintomas melhoram e a pele tende a recuperar a cor ao longo dos meses. O que eu não prometo é perfeição nem resultado igual para todo mundo: cada perna responde de um jeito, manchas antigas clareiam devagar e a tendência genética continua existindo, o que pede acompanhamento ao longo da vida. Explico isso em as varizes voltam depois do tratamento?.

O que eu observo, caso após caso, é que a liberdade de escolher a roupa volta bem antes do resultado final, à medida que a pessoa vê a perna mudando.

Como avaliamos: Doppler na primeira consulta

A consulta começa com a história e o exame em pé. Em seguida faço o ultrassom Doppler venoso na hora, para mapear se há refluxo na safena, em veias perfurantes ou em veias nutridoras, e uso o VeinViewer para enxergar as veias que alimentam os vasinhos. Com o mapa pronto, o diagnóstico e o plano de cuidado saem no mesmo dia, e, quando o caso permite, o tratamento começa ali mesmo, como aconteceu com a paciente da história.

Tratamento na Clínica VHG

Dentro do Modelo VHG™ a gente combina técnicas de acordo com cada tipo de veia, tudo em consultório e sem internação:

  • Vasinhos e microvarizes: escleroterapia, com glicose ou polidocanol conforme o caso, e laser transdérmico como complemento;
  • Veias calibrosas: espuma densa guiada por ultrassom;
  • Safena doente: endolaser, com anestesia local, retorno rápido às atividades e sem cortes;
  • Manchas de hemossiderina: laser específico depois de tratar a causa.

Quem mora em outra cidade ou estado, como a paciente do Piauí, pode começar por teleconsulta e concentrar as etapas presenciais em poucas vindas a Fortaleza. Explico como funciona em cirurgião vascular no Ceará.

Quando procurar

Se você percebeu que está escolhendo roupa em função das pernas, evitando praia, piscina ou academia, ou se tem a marca do bronzeado no tornozelo porque só usa calça, esse já é um bom momento para uma avaliação. Não precisa esperar doer. Quanto mais cedo a gente trata, mais simples é o tratamento e melhor tende a ser o resultado estético.

Perguntas frequentes

Tratar varizes por vergonha das pernas é vaidade?

Não. Varizes é uma doença venosa crônica e progressiva, e a diretriz europeia ESVS 2022 reconhece a melhora da qualidade de vida como objetivo legítimo do tratamento. O impacto na autoestima é motivo suficiente para procurar avaliação.

O tratamento de varizes faz as pernas ficarem perfeitas?

Não prometo perfeição. O tratamento elimina as veias doentes e o refluxo que as alimenta, o que melhora bastante a aparência e os sintomas, mas cada perna responde de um jeito e manchas antigas clareiam devagar. Resultados variam de pessoa a pessoa.

Posso começar o tratamento na primeira consulta?

Em muitos casos, sim. Como o ultrassom Doppler é feito na própria consulta, o diagnóstico e o plano saem no mesmo dia e, quando o caso permite, a primeira etapa do tratamento já pode ser feita.

Moro em outro estado. Como faço para me tratar em Fortaleza?

É possível começar por teleconsulta para entender o caso e organizar as etapas presenciais em poucas vindas. Recebemos com frequência pacientes do interior do Ceará e de estados vizinhos, como o Piauí.

Depois de tratar, vou poder usar short e maiô?

Esse é o objetivo de muitas pacientes e, na prática, é o que costuma acontecer à medida que as veias visíveis somem e a pele recupera a cor. O acompanhamento continua ao longo dos anos porque a tendência genética às varizes permanece.

Leia também: Varizes é doença · O que acontece se não tratar as varizes · Cirurgião vascular no Ceará

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Launois R, Mansilha A, Jantet G. International psychometric validation of the Chronic Venous Disease quality of life Questionnaire (CIVIQ-20). Eur J Vasc Endovasc Surg. 2010;40(6):783-789.
  3. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de insuficiência venosa crônica: diagnóstico e tratamento. 2015.

Cansada de esconder as pernas?

Avaliação com cirurgião vascular e ultrassom Doppler na própria consulta, em Fortaleza. Diagnóstico e plano de cuidado no mesmo dia; pacientes de outras cidades podem começar por teleconsulta.

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