Varizes e autoestima andam juntas com mais frequência do que se imagina. Uma parte grande das pessoas que me procuram não vem só pela dor ou pelo peso nas pernas: vem porque parou de usar short, saia e maiô e passou anos escondendo as pernas. Neste artigo conto a história de uma paciente que resume isso e explico por que a vergonha das varizes é um motivo legítimo para tratar, o que o tratamento muda de verdade e o que ele não promete.
"Só uso calça": o sinal que aparece no exame físico
Essa paciente veio do interior do Piauí. Ela contou que vinha com frequência a Fortaleza e às vezes trazia os filhos, que adoravam a Praia do Futuro. Só que ela não conseguia usar um maiô nem uma canga: tinha a sensação de que a praia inteira estava olhando para as pernas dela. Por isso ia à praia de calça. Na verdade, no dia a dia, ela só usava calça.
Eu percebi que era verdade no exame físico. A perna era mais clara e, a partir do tornozelo, o pé era bronzeado. A marca do sol contava a história antes dela terminar de contar. Esse detalhe, que parece pequeno, eu vejo com regularidade no consultório: pessoas que organizaram o guarda-roupa, as viagens e até o lazer com os filhos em torno de esconder as varizes.
Ela começou o tratamento no mesmo dia da primeira consulta. Durante os encontros seguintes, a gente conversava bastante, e uma vez eu disse que a minha maior realização seria receber uma foto dela na praia, de maiô, à vontade com os filhos. Algum tempo depois, quando eu já nem lembrava mais dessa conversa, chegou a foto pelo WhatsApp: dentro do mar, de maiô, agradecendo. É esse tipo de retorno que dá sentido ao trabalho da clínica.
Por que as varizes mexem tanto com a autoestima
As pernas ficam expostas em boa parte das situações sociais, principalmente em uma cidade quente como Fortaleza. Veias saltadas, vasinhos em rede e manchas escuras chamam atenção e, para muita gente, viram motivo de comentário desde a adolescência. Com o tempo, a pessoa passa a se antecipar ao olhar dos outros e simplesmente cobre as pernas. O problema é que a doença continua avançando por baixo da calça, e a limitação vai crescendo junto.
Não é frescura nem vaidade. Os questionários de qualidade de vida usados na doença venosa, como o CIVIQ-20, medem justamente esse impacto psicológico e social, e as diretrizes europeias ESVS 2022 reconhecem a melhora da qualidade de vida como um objetivo legítimo do tratamento das varizes.
Varizes é doença, não vaidade
Vale repetir: variz é insuficiência venosa crônica, uma doença progressiva em que as válvulas das veias falham e o sangue reflui. A aparência é só a parte visível. Por trás dela costumam existir peso, cansaço, câimbras, inchaço e, com os anos, risco de manchas, fibrose, flebite e sangramento. Detalho esses critérios em varizes é doença e a evolução sem tratamento em o que acontece se eu não tratar as varizes.
Então, quando alguém me diz que quer tratar "só porque tem vergonha", eu respondo que esse motivo basta e que, de quebra, a gente vai cuidar da circulação.
O que muda com o tratamento (e o que eu não prometo)
O que o tratamento faz é eliminar as veias doentes que estão visíveis e, principalmente, o refluxo que as alimenta. Com isso, as veias saltadas e os vasinhos deixam de aparecer, os sintomas melhoram e a pele tende a recuperar a cor ao longo dos meses. O que eu não prometo é perfeição nem resultado igual para todo mundo: cada perna responde de um jeito, manchas antigas clareiam devagar e a tendência genética continua existindo, o que pede acompanhamento ao longo da vida. Explico isso em as varizes voltam depois do tratamento?.
O que eu observo, caso após caso, é que a liberdade de escolher a roupa volta bem antes do resultado final, à medida que a pessoa vê a perna mudando.
Como avaliamos: Doppler na primeira consulta
A consulta começa com a história e o exame em pé. Em seguida faço o ultrassom Doppler venoso na hora, para mapear se há refluxo na safena, em veias perfurantes ou em veias nutridoras, e uso o VeinViewer para enxergar as veias que alimentam os vasinhos. Com o mapa pronto, o diagnóstico e o plano de cuidado saem no mesmo dia, e, quando o caso permite, o tratamento começa ali mesmo, como aconteceu com a paciente da história.
Tratamento na Clínica VHG
Dentro do Modelo VHG™ a gente combina técnicas de acordo com cada tipo de veia, tudo em consultório e sem internação:
- Vasinhos e microvarizes: escleroterapia, com glicose ou polidocanol conforme o caso, e laser transdérmico como complemento;
- Veias calibrosas: espuma densa guiada por ultrassom;
- Safena doente: endolaser, com anestesia local, retorno rápido às atividades e sem cortes;
- Manchas de hemossiderina: laser específico depois de tratar a causa.
Quem mora em outra cidade ou estado, como a paciente do Piauí, pode começar por teleconsulta e concentrar as etapas presenciais em poucas vindas a Fortaleza. Explico como funciona em cirurgião vascular no Ceará.
Quando procurar
Se você percebeu que está escolhendo roupa em função das pernas, evitando praia, piscina ou academia, ou se tem a marca do bronzeado no tornozelo porque só usa calça, esse já é um bom momento para uma avaliação. Não precisa esperar doer. Quanto mais cedo a gente trata, mais simples é o tratamento e melhor tende a ser o resultado estético.
Perguntas frequentes
Tratar varizes por vergonha das pernas é vaidade?
Não. Varizes é uma doença venosa crônica e progressiva, e a diretriz europeia ESVS 2022 reconhece a melhora da qualidade de vida como objetivo legítimo do tratamento. O impacto na autoestima é motivo suficiente para procurar avaliação.
O tratamento de varizes faz as pernas ficarem perfeitas?
Não prometo perfeição. O tratamento elimina as veias doentes e o refluxo que as alimenta, o que melhora bastante a aparência e os sintomas, mas cada perna responde de um jeito e manchas antigas clareiam devagar. Resultados variam de pessoa a pessoa.
Posso começar o tratamento na primeira consulta?
Em muitos casos, sim. Como o ultrassom Doppler é feito na própria consulta, o diagnóstico e o plano saem no mesmo dia e, quando o caso permite, a primeira etapa do tratamento já pode ser feita.
Moro em outro estado. Como faço para me tratar em Fortaleza?
É possível começar por teleconsulta para entender o caso e organizar as etapas presenciais em poucas vindas. Recebemos com frequência pacientes do interior do Ceará e de estados vizinhos, como o Piauí.
Depois de tratar, vou poder usar short e maiô?
Esse é o objetivo de muitas pacientes e, na prática, é o que costuma acontecer à medida que as veias visíveis somem e a pele recupera a cor. O acompanhamento continua ao longo dos anos porque a tendência genética às varizes permanece.