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Varizes e sobrepeso: dá para tratar acima do peso?

Uma das dúvidas mais frequentes que recebo é sobre varizes e sobrepeso: "Doutor, estou acima do peso, posso começar o tratamento ou preciso emagrecer antes?" A resposta honesta é: depende de qual veia estamos falando. Para a safena e as varizes grossas, o peso pouco interfere no resultado. Para os vasinhos e as microvarizes, interfere muito. Explico abaixo o porquê e a ordem que costumo seguir no consultório, em Fortaleza.

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Estar acima do peso impede tratar varizes? O Dr. Victor Hugo explica o que muda para a safena e o que muda para os vasinhos.

Por que peso e varizes andam juntos

Já falei várias vezes sobre as causas das varizes e dos vasinhos, e a principal delas, sem dúvida, é a genética associada ao sobrepeso, muitas vezes à obesidade. A predisposição herdada deixa a parede da veia e as válvulas mais frouxas. O excesso de peso entra como o fator que acelera: aumenta a pressão dentro do abdome, dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração, reduz a atividade física e, com o tempo, sobrecarrega veias que já nasceram vulneráveis.

Não é por acaso que a maior parte das diretrizes, como a ESVS 2022, coloca o controle do peso e a atividade física entre as medidas de base no cuidado da doença venosa crônica. Mas há uma diferença grande entre "o peso piora as varizes" e "o peso impede o tratamento". São coisas distintas.

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Direto da praia: o peso, os hábitos alimentares e o que isso faz com as veias e com o lipedema.

Varizes grossas e safena: o peso pouco muda o resultado

Quando o problema é a doença da safena, aquelas varizes mais grossas e saltadas que descem pela coxa ou pela perna, estar acima do peso pouco vai influenciar o resultado do tratamento. Isso porque a técnica que usamos hoje para essa condição é o endolaser, a termoablação intravenosa: uma fibra de laser fecha a safena por dentro, guiada por ultrassom, com anestesia local e sem internação. O procedimento é feito no consultório, sem cortes, e a paciente sai andando.

Como não há anestesia raquidiana, não há internação e o tratamento é dirigido à veia doente, o sobrepeso por si só não impede que a safena seja tratada nem reduz de forma importante a chance de a veia fechar. O que avaliamos com cuidado são as comorbidades que costumam vir junto: pressão alta, diabetes, colesterol muito elevado. Se estiverem compensadas, seguimos. Se não estiverem, ajustamos primeiro com o clínico ou o cardiologista, porque aí sim pode haver um motivo para adiar.

Vasinhos e microvarizes: aqui o sobrepeso pesa

A conversa muda quando falamos de vasinhos e microvarizes. Nesses vasos finos, a obesidade, o sobrepeso e principalmente o lipedema em fase ativa, aquele momento com muita inflamação na pele e na gordura, influenciam muito negativamente a resposta.

Para dar uma ideia do que vejo na prática: um paciente com um determinado padrão de vasinhos, num peso adequado, costuma ter uma expectativa de melhora acima de 80 a 90% com escleroterapia e laser transdérmico. O mesmo padrão de vasinhos em alguém com sobrepeso ou obesidade pode cair para algo em torno de 30 a 40%. São expectativas médias, e resultados variam de pessoa para pessoa, mas a diferença é grande demais para ser ignorada. Os vasos fecham menos, reabrem mais e novos vasos surgem com mais facilidade, porque a pressão e a inflamação que os alimentam continuam lá.

A ordem que costumo seguir

Por tudo isso, é comum eu indicar primeiro o tratamento da safena ou das varizes grossas e dizer para o paciente: agora vamos perder um pouco de peso e começar uma atividade física, para tratar as microvarizes e os vasinhos num momento mais oportuno, em que sabemos que a resposta vai ser melhor.

Essa sequência tem lógica. A safena com refluxo é a "raiz" que pressiona toda a rede abaixo dela. Tratá-la logo alivia os sintomas de peso e cansaço, reduz o risco de complicações e muitas vezes já melhora o aspecto dos vasinhos, mesmo sem tocar neles. Enquanto isso, a perda de peso e o movimento preparam o terreno para a etapa estética. Explico melhor como a atividade física ajuda em atividade física e varizes.

Como avaliamos na consulta

Na Clínica VHG a avaliação é feita no mesmo dia, pelo próprio médico. Faço o ultrassom Doppler venoso em pé na consulta para mapear se há refluxo na safena, nas perfurantes ou nas veias nutridoras, e uso o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até 10 mm de profundidade, para ver quais vasos alimentam os vasinhos visíveis. Quando há suspeita de lipedema, a bioimpedância e o exame físico entram na conversa, porque diferenciar lipedema de obesidade muda o plano.

O objetivo é sair da consulta com um diagnóstico integrado e um plano de cuidado por etapas: o que tratar agora, o que deixar para depois e o que depende de peso, atividade física ou controle de comorbidades.

Tratamento na Clínica VHG

  • Safena e varizes grossas: endolaser com anestesia local tumescente, em consultório, sem internação. Nas veias calibrosas que não vêm da safena, a espuma densa guiada por ultrassom é uma opção.
  • Veias nutridoras e microvarizes até 3 mm: escleroterapia ampliada, com o esclerosante escolhido caso a caso, sempre tratando a veia que alimenta o vasinho.
  • Vasinhos finos: laser transdérmico 1064 nm, isolado ou combinado com a escleroterapia (esclerolaser), no momento em que o peso e a inflamação estiverem favoráveis.
  • Quando há lipedema: o Programa de Lipedema de 10 semanas cuida da inflamação e do peso antes ou em paralelo à etapa dos vasinhos.

Pacientes de outras cidades do Ceará podem começar por teleconsulta e organizar as etapas presenciais em Fortaleza. Veja como funciona em cirurgião vascular no Ceará.

Quando procurar o cirurgião vascular

Não espere emagrecer para marcar a avaliação. Se você tem varizes saltadas, peso ou cansaço nas pernas no fim do dia, inchaço no tornozelo, coceira ou manchas escuras perto do tornozelo, a safena pode estar doente e o tempo joga contra. A consulta define o que pode ser feito agora, independentemente do peso, e o que vale esperar. Quem adia por achar que "precisa emagrecer antes" costuma chegar com a doença mais avançada, como mostro em o que acontece se não tratar as varizes.

Perguntas frequentes

Estar acima do peso impede o tratamento de varizes?

Não. Para a safena e as varizes grossas, tratadas com endolaser em consultório e anestesia local, o sobrepeso por si só não impede o tratamento e pouco influencia o resultado. O que precisa estar compensado são comorbidades como pressão alta, diabetes e colesterol muito elevado.

Preciso emagrecer antes de tratar vasinhos?

Na maioria dos casos vale a pena. Em quem está com sobrepeso, obesidade ou lipedema em fase inflamatória, a expectativa de melhora dos vasinhos com escleroterapia e laser cai bastante. Por isso costumo tratar a safena primeiro e deixar os vasinhos para quando o peso e a atividade física estiverem melhores.

Endolaser pode ser feito em quem tem obesidade?

Pode, desde que as comorbidades estejam controladas. O endolaser é feito com anestesia local, sem internação e guiado por ultrassom, o que dispensa a anestesia raquidiana e os cortes da cirurgia convencional. A avaliação inclui pressão, glicemia e outros fatores de risco.

O sobrepeso faz as varizes voltarem depois do tratamento?

O excesso de peso mantém a pressão elevada nas veias das pernas e é um dos fatores que favorecem o surgimento de novas varizes e vasinhos ao longo dos anos. Controlar o peso e manter atividade física reduz esse risco, mas não elimina a predisposição genética.

Lipedema e obesidade atrapalham o tratamento de varizes do mesmo jeito?

Não. No lipedema, além do peso, há inflamação da gordura e da pele que prejudica a resposta dos vasinhos, e a perda de peso sozinha não resolve. Por isso diferenciamos lipedema de obesidade na consulta e, quando há lipedema, o programa específico entra no plano antes da etapa estética.

Leia também: Varizes depois de emagrecer · Atividade física e varizes · Lipedema, linfedema ou obesidade

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence. Varicose veins: diagnosis and management. NICE Clinical Guideline CG168. 2013.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de insuficiência venosa crônica. Projeto Diretrizes SBACV.

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