"Tenho varizes bem finas, é possível tirar sem levar agulhada?" É uma das perguntas que mais recebo no consultório e no Instagram. A resposta curta: tratar vasinhos sem agulha é possível com o laser transdérmico, mas, na prática, quase 100% dos pacientes fazem melhor quando o laser é combinado com a escleroterapia. Neste artigo explico por que as duas técnicas se completam, o que acontece quando se usa só uma delas e quais recursos temos hoje na Clínica VHG, em Fortaleza, para quem tem medo de agulha.
O que é o laser transdérmico e como ele age
O laser transdérmico é um aparelho que emite uma luz de comprimento de onda específico (1064 nm) através da pele. Essa luz é absorvida pelo sangue dentro do vasinho, aquece a parede da veia e a cauteriza: o vaso doente "queima" por dentro e é absorvido pelo organismo nas semanas seguintes. Não há agulha, não há injeção. É indicado para os vasos mais finos, avermelhados ou rosados, que aparecem principalmente nas coxas, no joelho e nos tornozelos.
É uma técnica que faz parte da rotina da clínica, e explico os detalhes em tratamento de varizes com laser. Mas é importante entender o que ela faz e o que ela não faz.
Por que o laser sozinho quase nunca resolve
O laser age na superfície: ele cauteriza o vaso que está visível. O problema é que os vasinhos raramente existem sozinhos. Na grande maioria dos casos, eles são alimentados por uma veia nutridora, uma veia um pouco mais funda e mais calibrosa, azulada ou invisível a olho nu, que empurra sangue com pressão para dentro dos vasinhos. Se a nutridora continua aberta, os vasinhos tratados só com laser tendem a voltar em semanas ou poucos meses, ou surgem novos ao redor.
A veia nutridora não é alcançada pelo laser transdérmico. Ela precisa da escleroterapia: com uma agulha muito fina, injetamos um líquido esclerosante (glicose, polidocanol ou outro, conforme o caso) dentro da veia, que reage, fecha e é absorvida. É um mecanismo completamente diferente do laser.
Quando associamos os dois, laser para os vasos finos e escleroterapia para as nutridoras e microvarizes, usamos dois mecanismos que se somam. O resultado é melhor e dura mais. Por isso, na Clínica VHG, quase todos os planos de tratamento de vasinhos combinam as técnicas; a situação em que só o laser é suficiente é exceção, não regra. Falo mais sobre a diferença entre os dois em laser transdérmico ou endolaser.
Por que tanta gente quer tratar sem agulha
Quando uma pessoa pede para tratar sem agulhada, em geral o motivo é um destes dois: medo de sentir dor ou pavor de agulha. São medos legítimos e muito comuns, e não julgo ninguém por isso. O que quero é que eles não sejam a razão para adiar um tratamento ou para escolher uma técnica incompleta. Hoje temos recursos para as duas situações.
Dor: o que mudou na escleroterapia
A agulha usada na escleroterapia de vasinhos é muito fina, bem mais fina que a de uma coleta de sangue, e a picada é rápida. O que incomodava mais antigamente não era a agulha, e sim o ardor do líquido dentro da veia, que às vezes continuava por um tempo depois da aplicação. Hoje isso mudou bastante: os esclerosantes atuais ardem menos, e nos casos indicados associamos um pouco de anestésico local dentro da própria aplicação. A pessoa sente a agulha, mas não tem mais aquele ardor prolongado. Muitos pacientes se surpreendem com o quanto a sessão é tolerável.
Fobia de agulha: óxido nitroso
Para quem tem fobia de agulha ou é muito sensível, temos na clínica o óxido nitroso, um gás que a pessoa respira por uma máscara durante a sessão. Ele diminui muito a ansiedade e o desconforto, sem deixar a pessoa apagada: ela continua acordada, conversando, e vai embora andando ao final. É um recurso simples, seguro e que faz diferença para quem trava só de pensar em agulha.
Combinando o óxido nitroso com o laser transdérmico, que dispensa agulha nos vasos mais finos, e com a escleroterapia menos dolorosa, conseguimos tratar praticamente qualquer paciente, inclusive quem chega dizendo que "jamais" faria aplicação.
Como avaliamos antes de decidir a técnica
A escolha entre laser, escleroterapia ou a combinação dos dois não é uma preferência do paciente nem do médico: ela vem da avaliação. Na primeira consulta, faço o ultrassom Doppler para verificar se existe refluxo nas safenas ou em veias perfurantes, que seria a origem de tudo. Depois uso o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até 10 mm abaixo da pele, para mapear as veias nutridoras que alimentam os vasinhos. Por fim, avalio a pele e o tipo de vaso: cor, calibre, localização e risco de mancha.
Com esse mapa, montamos o plano de cuidado: o que será tratado com escleroterapia, o que será tratado com laser, em qual ordem e em quantas etapas. Tudo é explicado antes de começar, inclusive o que fazer com o medo de agulha.
Tratamento na Clínica VHG
Seguimos sempre a lógica de dentro para fora. Se houver refluxo em safena, ele é tratado primeiro, com endolaser, porque não adianta tratar vasinhos com uma fonte de pressão aberta acima deles. Depois vêm as veias nutridoras e microvarizes, com escleroterapia. Por último, os vasinhos mais finos, com laser transdérmico e escleroterapia combinados na mesma sessão, o que chamamos de esclerolaser.
As sessões são feitas no consultório, sem afastamento do trabalho, e o intervalo entre elas costuma ser de dois a três meses, tempo que o organismo leva para absorver os vasos tratados. Quem mora fora de Fortaleza pode começar por teleconsulta e organizar a avaliação presencial em uma única viagem.
Quando procurar o cirurgião vascular
Se você tem vasinhos que incomodam, se já fez tratamentos que não seguraram, ou se vem adiando por medo de agulha, vale uma avaliação. O medo não precisa decidir por você: com o exame em mãos, conseguimos escolher a técnica mais adequada para o seu caso e o recurso certo para que a sessão seja tranquila.
Perguntas frequentes
Dá para tratar vasinhos sem agulha?
Sim, em parte. O laser transdérmico 1064 nm trata vasinhos finos sem agulha, com uma luz que aquece e fecha o vaso pela pele. Mas, na prática, quase todos os pacientes precisam também de escleroterapia, porque o laser não alcança as veias nutridoras que alimentam os vasinhos. O melhor resultado vem da combinação das duas técnicas.
O laser sozinho resolve os vasinhos?
Raramente. O laser age cauterizando o vaso visível, mas não trata a veia nutridora, que fica mais funda. Se ela continua aberta, os vasinhos tendem a voltar em semanas ou meses. Por isso associamos laser e escleroterapia, dois mecanismos diferentes, no mesmo plano de tratamento.
A escleroterapia dói muito?
A agulha da escleroterapia é muito fina e a picada é rápida. O que mais incomodava antigamente era o ardor do líquido; hoje isso é bem menor com os esclerosantes atuais e com anestésico local associado nos casos indicados. A sessão costuma ser bem tolerada.
Tenho fobia de agulha. O que fazer?
Conte isso na consulta. Na Clínica VHG usamos óxido nitroso, um gás inalado que reduz a ansiedade e o desconforto durante a sessão, indicado para quem tem fobia de agulha ou é muito sensível. Combinado com o laser, que dispensa agulha nos vasos mais finos, o tratamento fica bem mais tranquilo.
Quantas sessões são necessárias?
Depende da quantidade de vasinhos e das veias nutridoras encontradas na avaliação. Em geral o tratamento é feito em etapas, com intervalo de dois a três meses entre elas, tempo que o corpo leva para absorver os vasos tratados. O plano de cuidado é definido na primeira consulta, com Doppler e VeinViewer.