Tratamentos

Tratar vasinhos sem agulha: o laser resolve sozinho?

"Tenho varizes bem finas, é possível tirar sem levar agulhada?" É uma das perguntas que mais recebo no consultório e no Instagram. A resposta curta: tratar vasinhos sem agulha é possível com o laser transdérmico, mas, na prática, quase 100% dos pacientes fazem melhor quando o laser é combinado com a escleroterapia. Neste artigo explico por que as duas técnicas se completam, o que acontece quando se usa só uma delas e quais recursos temos hoje na Clínica VHG, em Fortaleza, para quem tem medo de agulha.

"Tenho varizes bem finas, dá para tirar sem agulhada?" A resposta do Dr. Victor Hugo sobre laser, escleroterapia e medo de agulha.

O que é o laser transdérmico e como ele age

O laser transdérmico é um aparelho que emite uma luz de comprimento de onda específico (1064 nm) através da pele. Essa luz é absorvida pelo sangue dentro do vasinho, aquece a parede da veia e a cauteriza: o vaso doente "queima" por dentro e é absorvido pelo organismo nas semanas seguintes. Não há agulha, não há injeção. É indicado para os vasos mais finos, avermelhados ou rosados, que aparecem principalmente nas coxas, no joelho e nos tornozelos.

É uma técnica que faz parte da rotina da clínica, e explico os detalhes em tratamento de varizes com laser. Mas é importante entender o que ela faz e o que ela não faz.

Por que o laser sozinho quase nunca resolve

O laser age na superfície: ele cauteriza o vaso que está visível. O problema é que os vasinhos raramente existem sozinhos. Na grande maioria dos casos, eles são alimentados por uma veia nutridora, uma veia um pouco mais funda e mais calibrosa, azulada ou invisível a olho nu, que empurra sangue com pressão para dentro dos vasinhos. Se a nutridora continua aberta, os vasinhos tratados só com laser tendem a voltar em semanas ou poucos meses, ou surgem novos ao redor.

A veia nutridora não é alcançada pelo laser transdérmico. Ela precisa da escleroterapia: com uma agulha muito fina, injetamos um líquido esclerosante (glicose, polidocanol ou outro, conforme o caso) dentro da veia, que reage, fecha e é absorvida. É um mecanismo completamente diferente do laser.

Quando associamos os dois, laser para os vasos finos e escleroterapia para as nutridoras e microvarizes, usamos dois mecanismos que se somam. O resultado é melhor e dura mais. Por isso, na Clínica VHG, quase todos os planos de tratamento de vasinhos combinam as técnicas; a situação em que só o laser é suficiente é exceção, não regra. Falo mais sobre a diferença entre os dois em laser transdérmico ou endolaser.

Por que tanta gente quer tratar sem agulha

Quando uma pessoa pede para tratar sem agulhada, em geral o motivo é um destes dois: medo de sentir dor ou pavor de agulha. São medos legítimos e muito comuns, e não julgo ninguém por isso. O que quero é que eles não sejam a razão para adiar um tratamento ou para escolher uma técnica incompleta. Hoje temos recursos para as duas situações.

Dor: o que mudou na escleroterapia

A agulha usada na escleroterapia de vasinhos é muito fina, bem mais fina que a de uma coleta de sangue, e a picada é rápida. O que incomodava mais antigamente não era a agulha, e sim o ardor do líquido dentro da veia, que às vezes continuava por um tempo depois da aplicação. Hoje isso mudou bastante: os esclerosantes atuais ardem menos, e nos casos indicados associamos um pouco de anestésico local dentro da própria aplicação. A pessoa sente a agulha, mas não tem mais aquele ardor prolongado. Muitos pacientes se surpreendem com o quanto a sessão é tolerável.

Fobia de agulha: óxido nitroso

Para quem tem fobia de agulha ou é muito sensível, temos na clínica o óxido nitroso, um gás que a pessoa respira por uma máscara durante a sessão. Ele diminui muito a ansiedade e o desconforto, sem deixar a pessoa apagada: ela continua acordada, conversando, e vai embora andando ao final. É um recurso simples, seguro e que faz diferença para quem trava só de pensar em agulha.

Combinando o óxido nitroso com o laser transdérmico, que dispensa agulha nos vasos mais finos, e com a escleroterapia menos dolorosa, conseguimos tratar praticamente qualquer paciente, inclusive quem chega dizendo que "jamais" faria aplicação.

Como avaliamos antes de decidir a técnica

A escolha entre laser, escleroterapia ou a combinação dos dois não é uma preferência do paciente nem do médico: ela vem da avaliação. Na primeira consulta, faço o ultrassom Doppler para verificar se existe refluxo nas safenas ou em veias perfurantes, que seria a origem de tudo. Depois uso o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até 10 mm abaixo da pele, para mapear as veias nutridoras que alimentam os vasinhos. Por fim, avalio a pele e o tipo de vaso: cor, calibre, localização e risco de mancha.

Com esse mapa, montamos o plano de cuidado: o que será tratado com escleroterapia, o que será tratado com laser, em qual ordem e em quantas etapas. Tudo é explicado antes de começar, inclusive o que fazer com o medo de agulha.

Tratamento na Clínica VHG

Seguimos sempre a lógica de dentro para fora. Se houver refluxo em safena, ele é tratado primeiro, com endolaser, porque não adianta tratar vasinhos com uma fonte de pressão aberta acima deles. Depois vêm as veias nutridoras e microvarizes, com escleroterapia. Por último, os vasinhos mais finos, com laser transdérmico e escleroterapia combinados na mesma sessão, o que chamamos de esclerolaser.

As sessões são feitas no consultório, sem afastamento do trabalho, e o intervalo entre elas costuma ser de dois a três meses, tempo que o organismo leva para absorver os vasos tratados. Quem mora fora de Fortaleza pode começar por teleconsulta e organizar a avaliação presencial em uma única viagem.

Quando procurar o cirurgião vascular

Se você tem vasinhos que incomodam, se já fez tratamentos que não seguraram, ou se vem adiando por medo de agulha, vale uma avaliação. O medo não precisa decidir por você: com o exame em mãos, conseguimos escolher a técnica mais adequada para o seu caso e o recurso certo para que a sessão seja tranquila.

Perguntas frequentes

Dá para tratar vasinhos sem agulha?

Sim, em parte. O laser transdérmico 1064 nm trata vasinhos finos sem agulha, com uma luz que aquece e fecha o vaso pela pele. Mas, na prática, quase todos os pacientes precisam também de escleroterapia, porque o laser não alcança as veias nutridoras que alimentam os vasinhos. O melhor resultado vem da combinação das duas técnicas.

O laser sozinho resolve os vasinhos?

Raramente. O laser age cauterizando o vaso visível, mas não trata a veia nutridora, que fica mais funda. Se ela continua aberta, os vasinhos tendem a voltar em semanas ou meses. Por isso associamos laser e escleroterapia, dois mecanismos diferentes, no mesmo plano de tratamento.

A escleroterapia dói muito?

A agulha da escleroterapia é muito fina e a picada é rápida. O que mais incomodava antigamente era o ardor do líquido; hoje isso é bem menor com os esclerosantes atuais e com anestésico local associado nos casos indicados. A sessão costuma ser bem tolerada.

Tenho fobia de agulha. O que fazer?

Conte isso na consulta. Na Clínica VHG usamos óxido nitroso, um gás inalado que reduz a ansiedade e o desconforto durante a sessão, indicado para quem tem fobia de agulha ou é muito sensível. Combinado com o laser, que dispensa agulha nos vasos mais finos, o tratamento fica bem mais tranquilo.

Quantas sessões são necessárias?

Depende da quantidade de vasinhos e das veias nutridoras encontradas na avaliação. Em geral o tratamento é feito em etapas, com intervalo de dois a três meses entre elas, tempo que o corpo leva para absorver os vasos tratados. O plano de cuidado é definido na primeira consulta, com Doppler e VeinViewer.

Leia também: Tratamento de varizes com laser transdérmico · Escleroterapia em Fortaleza · Tratar varizes dói?

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Rabe E, Breu FX, Cavezzi A, et al. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders. Phlebology. 2014;29(6):338-354.
  3. Meesters AA, Pitassi LH, Campos V, Wolkerstorfer A, Dierickx CC. Transcutaneous laser treatment of leg veins. Lasers Med Sci. 2014;29(2):481-492.
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.

Quer tratar vasinhos, mas tem medo de agulha?

Avaliação com cirurgião vascular, Doppler e VeinViewer na própria consulta, em Fortaleza. Definimos laser, escleroterapia ou a combinação, e o recurso certo para uma sessão tranquila.

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