Varizes

Quanto mais tempo passa, mais difícil eliminar as varizes?

Varizes antigas, de 20, 30 ou 40 anos, ainda têm tratamento? Recebo muita gente no consultório convencida de que "deixou passar o tempo" e que agora a veia não sai mais. A resposta curta é: o tempo, por si só, não faz o corpo deixar de responder ao tratamento. O que muda com os anos é que a veia vai ficando mais "enraizada" e o tratamento precisa de mais atenção e de uma sequência correta. Neste artigo explico o que acontece com a veia quando o tempo passa, o que de fato atrapalha o resultado e por que, mesmo assim, não vale a pena adiar.

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Quanto mais tempo passa, mais enraizada fica a veia. No vídeo explico por que isso não impede um bom resultado e o que realmente atrapalha.

O que acontece com a veia quando o tempo passa

Uma variz não fica parada. Enquanto a válvula que falhou continua deixando o sangue cair, a pressão dentro da veia se mantém alta e ela dilata um pouco mais a cada ano. Ao mesmo tempo, o corpo tenta drenar aquela região por outros caminhos e vai formando, por baixo da pele, uma rede complexa de pequenos vasos que alimentam e são alimentados pela veia doente. É isso que chamo de veia "enraizada": ela não está mais isolada, está conectada a uma malha de veias nutridoras e reticulares.

Com o passar dos anos, a pressão crônica também chega à pele. O sangue que fica parado libera ferro, a hemossiderina, que mancha a região do tornozelo de marrom e vai endurecendo o tecido. Em fases mais avançadas aparece a lipodermatoesclerose e, por fim, a úlcera venosa. Detalho essa progressão em o que acontece se não tratar as varizes.

O tempo não impede o resultado

Enraizada não quer dizer que não sai. Quer dizer que o tratamento precisa de mais expertise e de uma ordem correta: tratar de dentro para fora, começando pela origem do refluxo, passando pelas nutridoras e chegando por último à superfície. Quando isso é feito, pacientes com 20, 30 ou 40 anos de varizes conseguem resultados excelentes, e atendo casos assim toda semana em Fortaleza.

A veia doente responde ao endolaser, à espuma e à escleroterapia da mesma forma aos 30 e aos 70 anos, porque o mecanismo é o mesmo: fechar o vaso com refluxo para que o corpo o reabsorva. A idade da pessoa e a idade da variz influenciam o planejamento, não a capacidade de resposta.

O que realmente atrapalha: vários tratamentos superficiais

Se o tempo não é o fator, o que faz alguns pacientes responderem menos? Na minha experiência, a resposta menor está muito mais associada a quem fez vários tratamentos superficiais ao longo dos anos e nunca tratou a parte de dentro. Aplicações repetidas apenas nos vasinhos, sem tratar a veia nutridora ou a safena que os alimenta, produzem três problemas:

  • Recidiva rápida. A pressão continua chegando à superfície e os vasos reaparecem em semanas ou meses, o que gera a sensação de que "não adianta".
  • Vasos mais resistentes. Cada nova rede que se forma tende a ser mais fina, mais ramificada e mais difícil de tratar do que a anterior.
  • Manchas e cicatrizes na pele. Aplicações sobre vasos ainda pressurizados aumentam a chance de manchas de hemossiderina e de pequenas úlceras no local.

Por isso insisto tanto em tratar de dentro para fora. Não é uma preferência estética, é o que muda a durabilidade e a qualidade do resultado. Escrevi mais sobre isso em fiz aplicações de varizes e não resolveu.

Sequelas e complicações: o que muda na expectativa

Existe uma diferença importante entre a variz antiga e a sequela que ela deixou. A veia doente a gente trata e ela some. Já a mancha escura instalada há anos, a pele endurecida ou a cicatriz de uma úlcera antiga são lesões da pele, e a melhora delas é parcial e mais lenta. No dia da consulta eu estimo, caso a caso, quanto de melhora esperar em cada uma dessas situações, para que ninguém saia com expectativa errada.

Mesmo nesses casos, tratar a origem do refluxo é o que interrompe a progressão: a mancha para de crescer, a pele para de endurecer e a úlcera tem chance de cicatrizar. Para a mancha residual existe tratamento específico com laser para hemossiderina, feito depois que a circulação foi corrigida.

Como avaliamos na Clínica VHG

A avaliação de uma variz antiga começa pela história do que já foi feito: quantas sessões, com qual técnica, há quanto tempo, o que voltou e onde. Depois examino a perna em pé e faço o ultrassom Doppler na própria consulta, para localizar de onde vem o refluxo, em geral na safena, em uma perfurante ou em tributárias que ninguém tratou. As veias nutridoras são identificadas com o VeinViewer, aparelho de infravermelho que enxerga vasos até cerca de 10 mm de profundidade, e a pele é avaliada para registrar manchas, endurecimento e cicatrizes.

Com esse mapeamento em quatro níveis, você sai da consulta com o diagnóstico, o plano de cuidado e a expectativa real de resultado. Se você mora em outra cidade do Ceará, dá para iniciar por teleconsulta e organizar a vinda a Fortaleza para o exame e o tratamento.

Tratamento de varizes antigas na Clínica VHG

O plano segue a ordem de dentro para fora. Safenas e veias calibrosas com refluxo são tratadas com endolaser, com anestesia local e sem internação, ou com espuma densa guiada por ultrassom, feita em consultório e muito útil em veias tortuosas de longa data. Em seguida, as veias nutridoras e as microvarizes recebem escleroterapia ampliada, e os vasinhos são finalizados com escleroterapia e laser transdérmico 1064 nm. Manchas de hemossiderina que persistirem podem ser tratadas com laser específico.

Nas varizes antigas costuma ser necessário um número um pouco maior de sessões na etapa da superfície, justamente por causa da rede que se formou ao longo dos anos. Isso é previsto no planejamento e faz parte do processo, não é sinal de que o tratamento não está funcionando.

Vale a pena esperar mais um pouco?

Se o tempo não impede o resultado, por que não adiar? Porque cada ano a mais é um ano de pressão sobre a pele e de rede nova se formando. Tratar hoje significa menos sessões, menor chance de mancha e de úlcera e um resultado estético melhor do que tratar daqui a cinco anos. A variz antiga tem tratamento, mas a variz tratada mais cedo tem um tratamento mais simples.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se você convive com varizes há muitos anos e nunca tratou a origem, se já fez várias aplicações e os vasos sempre voltam, se percebe manchas escuras ou pele endurecida perto do tornozelo, ou se sente peso, dor, inchaço e câimbras que pioram no fim do dia. Quanto antes a origem for tratada, mais simples é o caminho.

Perguntas frequentes

Varizes antigas têm tratamento?

Sim. Pacientes com 20, 30 ou 40 anos de varizes obtêm resultados excelentes quando o tratamento é feito de dentro para fora: primeiro a origem do refluxo, depois as veias nutridoras e por último os vasinhos. O tempo por si só não faz o corpo deixar de responder.

Quanto mais tempo passa, mais difícil eliminar as varizes?

A veia fica mais enraizada, com uma rede de vasos nutridores por baixo, e o tratamento exige mais atenção e uma sequência correta. Mas ela continua respondendo ao endolaser, à espuma e à escleroterapia. O que mais atrapalha a resposta são os tratamentos superficiais repetidos que nunca trataram a parte de dentro.

Tenho mais de 60 anos, ainda posso tratar varizes?

Pode. A idade influencia a escolha da técnica, e opções sem internação, com anestesia local ou feitas em consultório, como endolaser e espuma densa, são bem toleradas. A avaliação com Doppler define o plano mais seguro para cada caso.

Já fiz várias aplicações e não resolveu. Ainda tem jeito?

Tem. Quase sempre o problema é que as aplicações trataram só a superfície e a veia que alimentava os vasos continuou com refluxo. Ao mapear e tratar essa origem, os vasos da superfície respondem melhor e o resultado dura mais.

As manchas e a pele endurecida melhoram depois do tratamento?

Melhoram parcialmente. Tratar o refluxo interrompe a progressão e a pele tende a clarear e amolecer com o tempo, mas manchas antigas costumam deixar algum resíduo. Para elas existe laser específico para hemossiderina, feito depois de corrigida a circulação. A expectativa de melhora é estimada caso a caso na consulta.

Leia também: O que acontece se não tratar as varizes? · Fiz aplicações de varizes e não resolveu · Melhor época para tratar varizes

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  4. Rabe E, Pannier F. Clinical, aetiological, anatomical and pathological classification (CEAP): gold standard and limits. Phlebology. 2012;27 Suppl 1:114-118.

Convive com varizes há muitos anos e acha que não tem mais jeito?

Avaliação com cirurgião vascular e ultrassom Doppler na própria consulta, em Fortaleza: localizamos a origem do refluxo e estimamos, no mesmo dia, a expectativa real de melhora do seu caso.

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