Tratamentos

Fiz aplicações de varizes e não resolveu: por que isso acontece e como o Modelo VHG™ evita

"Doutor, fiz 6 aplicações de varizes e não resolveu. O que eu faço?" Essa é uma das frases que mais escuto no consultório, e foi por causa dela que a gente criou o Modelo VHG™, um sistema guiado para a saúde venosa. Neste artigo explico por que as aplicações falham, o que costuma estar por trás disso e como organizamos o tratamento na Clínica VHG, em Fortaleza, para dar ao paciente a maior chance de sucesso.

Assista no YouTube

“Doutor, fiz 6 aplicações e nada resolveu.” Os 5 pilares do Modelo VHG™ explicados pelo Dr. Victor Hugo.

Por que as aplicações de varizes não resolvem

Quando alguém chega dizendo que fez seis, oito, dez sessões e as veias continuam lá, existe uma grande chance de ter havido falha em um destes pontos:

  • Uma veia nutridora que não foi vista. Os vasinhos e as microvarizes que aparecem na pele quase sempre são alimentados por uma veia maior, logo abaixo, que não se enxerga a olho nu. Se ela continua funcionando, os vasinhos tratados voltam ou surgem novos ao lado.
  • Uma safena doente. O refluxo na veia safena é a fonte de pressão de toda a rede abaixo dela. Aplicar nos vasinhos com a safena doente é como enxugar o chão com a torneira aberta.
  • Falha técnica. Esclerosante errado para o calibre da veia, concentração inadequada, volume insuficiente ou aplicação sem guiar pelo que a veia precisa.
  • Um caso realmente de baixa resposta. Existem pacientes com um quadro muito inflamatório, que respondem pouco a qualquer técnica. É o menos comum, mas existe, e o paciente precisa saber disso antes de começar, não depois de dez sessões.

Repare que três dos quatro motivos são de diagnóstico e planejamento, não de "número de sessões". Por isso, repetir a aplicação sem entender o que aconteceu raramente resolve. Falo mais sobre isso em tratamento de vasinhos por sessão funciona?.

Os 5 pilares do Modelo VHG™

O objetivo do Modelo VHG™ é simples: garantir a maior chance de sucesso no tratamento de varizes. Para isso, todo paciente da clínica passa pelos mesmos cinco pontos, na mesma ordem.

1. Avaliação profunda

Antes de olhar para a veia, eu olho para a história. O que você já fez, quantas sessões, com qual técnica, se teve alguma reação, se já operou, como foi o resultado, se usa anticoncepcional ou reposição hormonal, se tem histórico de trombose na família, como é o seu trabalho e o seu treino. São mais de 30 ou 40 fatores que influenciam a resposta ao tratamento de varizes, e cada um deles muda alguma decisão lá na frente.

2. Mapeamento em 4 níveis

O segundo pilar é mapear toda a circulação da perna, do mais profundo ao mais superficial, com o ultrassom Doppler feito na própria consulta:

  1. Veias profundas, safenas e perfurantes: é aqui que se descobre o refluxo que alimenta o resto.
  2. Veias reticulares: as nutridoras de médio calibre, muitas vezes invisíveis na pele, que o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, ajuda a localizar.
  3. Telangiectasias: os vasinhos finos que motivam a maioria das consultas.
  4. Manchas na pele: dermatite ocre, hemossiderina e sinais de sofrimento da pele, que também entram no plano.

Sem esse mapa, qualquer aplicação é um chute. Com ele, a gente sabe exatamente de onde vem cada vasinho que você vê.

3. Planejamento com expectativa real

Juntando a avaliação e o mapeamento, dá para planejar. E planejar inclui dizer a verdade sobre o seu caso: se o quadro é comum e tem boa resposta, ou se é um caso inflamatório de resposta mais lenta. Também é nessa etapa que identifico se o tratamento anterior falhou por uma veia nutridora não vista, por uma safena doente ou por falha técnica. Você sai da consulta sabendo o que vai ser feito, em que ordem e o que esperar. Nada de promessa de resultado, mas uma expectativa realista.

4. Tratamento híbrido

Aqui na clínica temos as tecnologias que considero as melhores disponíveis hoje para tratar varizes. Mas nenhuma delas serve para tudo. Cada tipo de veia responde melhor a uma técnica, e um mesmo paciente costuma ter vários tipos de veia doente na mesma perna. Por isso o quarto pilar é o tratamento híbrido: associar as técnicas conforme o vaso e conforme o paciente.

  • Endolaser para a safena e vasos grossos, com anestesia local e sem internação;
  • Espuma densa guiada por ultrassom para veias calibrosas, feita em consultório;
  • Escleroterapia ampliada, com glicose ou polidocanol conforme o caso, para microvarizes e veias nutridoras;
  • Laser transdérmico para os vasinhos mais finos, sozinho ou combinado com a escleroterapia (esclerolaser);
  • Laser para manchas de hemossiderina, quando a pele já sofreu.

A gente não se restringe a uma única técnica. O que importa é o resultado no final. Detalho cada uma em qual o melhor tratamento para varizes.

5. Plano de manutenção

Não adianta tratar as varizes, resolver e dar tchau. Varizes são uma condição crônica: a tendência genética continua, os hormônios continuam, o trabalho em pé continua. O quinto pilar é um programa continuado de acompanhamento, em que todos os pacientes tratados aqui voltam em intervalos definidos para reavaliar a circulação e tratar cedo qualquer veia nova, antes que ela vire um problema. É assim que a gente tenta que você fique bem pelo maior tempo possível. Explico por que isso importa em as varizes voltam após o tratamento?.

O que fazer se você já fez várias aplicações

Primeiro: não faça mais uma sessão "para ver se dessa vez pega". Reúna o que você tem, como laudos de Doppler anteriores, fotos de antes das aplicações e o nome das substâncias usadas, se souber. Depois, procure uma avaliação completa, com Doppler feito pelo próprio médico que vai tratar. Na Clínica VHG, em Fortaleza, o diagnóstico e o plano saem no mesmo dia da consulta. Quem mora em outra cidade do Ceará ou de outro estado pode começar por teleconsulta e organizar a vinda para a etapa presencial.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se as aplicações não deram resultado, se os vasinhos voltaram no mesmo lugar, se apareceram manchas escuras ou endurecimento da pele perto do tornozelo, se você sente peso, cansaço, inchaço ou queimação nas pernas no fim do dia, ou se existe uma veia saltada que cresce. E procure atendimento no mesmo dia se uma perna inchar e doer de um lado só, o que pode ser trombose.

Perguntas frequentes

Fiz aplicações de varizes e não resolveu. O que fazer?

Não repita a aplicação sem antes descobrir por que ela falhou. Procure um cirurgião vascular que faça o ultrassom Doppler na consulta e mapeie toda a circulação, das safenas aos vasinhos. Na maioria dos casos existe uma veia nutridora ou um refluxo que não foi tratado, e é isso que precisa ser resolvido antes de qualquer nova sessão.

Por que a aplicação de varizes não funciona em algumas pessoas?

As causas mais comuns são: uma veia nutridora ou uma safena doente que não foi identificada e continua alimentando os vasinhos; falha técnica na aplicação, como esclerosante ou concentração inadequados; e, com menos frequência, um caso muito inflamatório com baixa resposta ao tratamento. As duas primeiras são evitáveis com avaliação e mapeamento adequados.

O que é o Modelo VHG™?

É o sistema de cuidado da Clínica VHG para a saúde venosa, organizado em cinco pilares: avaliação profunda do histórico, mapeamento da circulação em quatro níveis, planejamento com expectativa real de resultado, tratamento híbrido que combina técnicas conforme o tipo de veia, e plano de manutenção continuado após o tratamento.

O que é tratamento híbrido de varizes?

É associar, no mesmo paciente, as técnicas mais adequadas para cada tipo de veia: endolaser para a safena, espuma densa para veias calibrosas, escleroterapia para microvarizes e laser transdérmico para os vasinhos mais finos. Como uma perna quase sempre tem vários tipos de veia doente, restringir o tratamento a uma única técnica costuma deixar parte do problema sem resolver.

Quantas aplicações são necessárias para tratar as varizes?

Depende do que o mapeamento mostra. Quando a fonte do refluxo é tratada primeiro, o número de sessões para os vasinhos cai bastante. O que não faz sentido é acumular sessões sem uma resposta clara; se você fez várias aplicações e não vê melhora, o problema quase sempre está no diagnóstico, não na quantidade.

Leia também: Etapas do tratamento de varizes: como funciona o Modelo VHG™ · Tratamento de vasinhos por sessão funciona? · Vasinhos podem ser sinal de safena doente

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de insuficiência venosa crônica. 2015.

Já fez aplicações e as varizes continuam?

Avaliação com cirurgião vascular e ultrassom Doppler na própria consulta, em Fortaleza: descobrimos por que o tratamento anterior não funcionou e montamos um plano com expectativa real.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

Artigos Relacionados

Etapas do tratamento de varizes

Como funciona o Modelo VHG™, da avaliação ao plano de manutenção.

Tratamento de vasinhos por sessão

Por que tratar sem diagnóstico costuma dar em repetição de aplicações.