Saúde Vascular

Por que mulheres têm mais varizes que homens (e mais celulite e flacidez)

"Doutor, por que homem não tem essas coisas?" Quase toda mulher que chega ao consultório com varizes, celulite ou flacidez faz essa pergunta, muitas vezes olhando para o marido ao lado. A resposta para por que mulheres têm mais varizes que homens, e também mais celulite, flacidez e gordura localizada, está na anatomia e nos hormônios. Neste artigo explico cada uma dessas diferenças na visão da medicina vascular e do remodelamento dos membros inferiores, e o que hoje tem tratamento.

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“Por que homem não tem essas coisas?” As diferenças entre homens e mulheres na visão da medicina vascular e do remodelamento dos membros inferiores.

Varizes: hormônios, gravidez e a proporção de até 3 para 1

As varizes existem nos dois sexos, mas são bem mais frequentes e aparecem mais cedo nas mulheres. Na prática de consultório, a proporção chega a ser de até três mulheres para cada homem. O motivo principal é hormonal.

O estrogênio e a progesterona agem diretamente na parede das veias, deixando-a mais distensível, e nas válvulas, que passam a fechar pior. Isso acontece em cada fase da vida da mulher: na puberdade, ao longo do ciclo menstrual, com o uso de anticoncepcional, na gravidez e na menopausa. A gravidez merece destaque, porque soma dois fatores ao mesmo tempo: o pico hormonal e o aumento do volume do útero, que comprime as veias da pelve e dificulta o retorno do sangue das pernas. A cada gestação, a chance de novas varizes aumenta.

O homem não passa por nada disso. Quando ele desenvolve varizes, em geral é mais tarde, por genética, peso ou profissão em pé, e frequentemente procura ajuda quando o quadro já está avançado, com manchas ou úlcera. Se houver histórico na família, vale ler varizes hereditárias.

Celulite: uma questão de anatomia dos septos

A celulite é uma condição quase exclusiva das mulheres, e o motivo é estrutural. No tecido subcutâneo existem septos, bandas fibrosas que ligam a pele à camada mais profunda. Na mulher, esses septos são verticais: puxam a pele para baixo em pontos fixos e, com a gordura empurrando entre eles, formam os "furinhos" característicos.

No homem, a malha de septos é mais densa e oblíqua, em padrão cruzado. A gordura fica distribuída de forma mais uniforme e a pele não afunda. Por isso, mesmo homens acima do peso raramente têm celulite. Explico os graus e as opções de tratamento em celulite: o que é, graus e tratamentos.

Flacidez: a derme da mulher é mais fina

A derme, camada da pele responsável pela firmeza, é naturalmente mais fina na mulher do que no homem, com menos colágeno por área. Isso deixa a pele feminina mais suscetível à flacidez, principalmente nas coxas, na face interna dos braços e na região do joelho. A queda do estrogênio na menopausa acelera essa perda de colágeno, e é por isso que a queixa de flacidez nas coxas depois dos 40 é tão comum.

Gordura localizada: por que quadril e culotes não saem com dieta

O padrão de distribuição de gordura da mulher é ginecoide: concentra-se no quadril, nos culotes, nas coxas e nos joelhos. É o padrão normal e saudável do corpo feminino, mas incomoda porque é uma gordura difícil de perder.

A razão é bioquímica. As células de gordura dessas regiões respondem menos às catecolaminas, as substâncias que disparam a lipólise, a quebra da gordura. Na prática, a mulher emagrece primeiro do rosto, do abdome e dos braços, e o quadril e os culotes ficam por último. Quando a gordura das pernas é desproporcional, dolorida ao toque e não acompanha o emagrecimento, é preciso pensar também em lipedema, uma doença do tecido gorduroso que acomete quase só mulheres.

E os homens, ficam livres?

Não. Os homens têm varizes, e com frequência mais graves, porque demoram mais para procurar tratamento. Têm flacidez com a idade e gordura localizada, só que em outro padrão, o androide, concentrado no abdome. O que os homens quase não têm é celulite e lipedema. A diferença, portanto, não é que a mulher "sofre mais", e sim que as pernas femininas concentram mais desses problemas por causa da anatomia e dos hormônios.

Como avaliamos na Clínica VHG

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Varizes, vasinhos, celulite e flacidez: por que são queixas das mulheres e como avaliamos as pernas por completo.

Como varizes, celulite, flacidez e gordura localizada coexistem nas mesmas pernas, avaliá-las de forma separada leva a tratamentos incompletos. Na consulta, faço o ultrassom Doppler para mapear a circulação, e, conforme o caso, uso bioimpedância e termografia para entender a distribuição da gordura e a inflamação do tecido. O resultado é um diagnóstico integrado das camadas da perna, da circulação à pele, e um plano de cuidado que respeita a ordem correta: primeiro o que tem risco para a saúde, depois o que é preventivo e estético. É essa a lógica da medicina vascular e remodelamento dos membros inferiores.

O que tem tratamento hoje

A boa notícia é que situações que até pouco tempo eram difíceis de resolver hoje têm alternativas no consultório:

  • Varizes: endolaser para a safena, espuma densa para as veias grossas, escleroterapia e laser transdérmico para vasinhos e microvarizes.
  • Celulite: subcisão dos septos, combinada com bioestimulador de colágeno ou Morpheus 8 conforme o grau.
  • Flacidez: bioestimuladores, Morpheus 8 e BodyTite, escolhidos pela profundidade da flacidez.
  • Gordura localizada e lipedema: Mini Lipo de culotes e joelho, e o Programa de Lipedema de 10 semanas quando há lipedema.

Nenhum desses tratamentos promete resultado igual para todas; a resposta varia de pessoa para pessoa e depende do diagnóstico correto.

Quando procurar o cirurgião vascular

Se as varizes, a celulite, a flacidez ou a gordura das pernas incomodam, seja pela aparência, seja por peso, dor ou inchaço, vale uma avaliação. Atendo em Fortaleza, no RioMar Trade Center, e pacientes de outras cidades podem começar por teleconsulta.

Perguntas frequentes

Por que as mulheres têm mais varizes que os homens?

Principalmente por influência hormonal. Estrogênio e progesterona deixam a parede das veias mais frouxa e as válvulas menos eficientes. Puberdade, ciclo menstrual, anticoncepcional, gravidez e menopausa somam efeitos ao longo da vida. Na prática, a proporção chega a até três mulheres para cada homem.

Homem tem celulite?

Raramente. Os septos do tecido subcutâneo masculino são oblíquos e formam uma malha densa que distribui a gordura de forma uniforme. Na mulher, os septos são verticais e puxam a pele para baixo, formando os furinhos. Por isso a celulite é quase exclusiva das mulheres.

A gravidez causa varizes?

A gravidez é um dos principais gatilhos. O pico hormonal deixa as veias mais dilatadas e o útero em crescimento comprime as veias da pelve, dificultando o retorno do sangue das pernas. Parte das varizes regride após o parto, mas a cada gestação a chance de varizes persistentes aumenta.

Por que a gordura do quadril e dos culotes é tão difícil de perder?

Porque as células de gordura dessas regiões respondem menos às catecolaminas, as substâncias que disparam a quebra da gordura. É o padrão ginecoide normal da mulher. Quando a gordura das pernas é desproporcional e dolorida, é preciso investigar lipedema.

Homens também precisam tratar varizes?

Sim. Os homens têm varizes com frequência e costumam procurar ajuda mais tarde, já com manchas, fibrose ou úlcera. O tratamento é o mesmo: Doppler para localizar o refluxo e endolaser, espuma ou escleroterapia conforme o caso.

Leia também: Varizes na gravidez · Celulite: o que é, graus e tratamentos · Lipedema: o que é, sintomas e tratamento

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Evans CJ, Fowkes FG, Ruckley CV, Lee AJ. Prevalence of varicose veins and chronic venous insufficiency in men and women in the general population: Edinburgh Vein Study. J Epidemiol Community Health. 1999;53(3):149-153.
  3. Nürnberger F, Müller G. So-called cellulite: an invented disease. J Dermatol Surg Oncol. 1978;4(3):221-229.
  4. Rawlings AV. Cellulite and its treatment. Int J Cosmet Sci. 2006;28(3):175-190.
  5. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.

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