Sim, varizes na gravidez são normais: aparecem ou pioram em cerca de 4 em cada 10 gestantes, por causa dos hormônios, do aumento do volume de sangue e da compressão do útero sobre as veias do abdome. E parte delas some depois do parto: boa parte das varizes que surgiram na gestação regride sozinha nos primeiros 3 a 6 meses. O que ficar depois desse prazo pode ser tratado com segurança, com planejamento feito no ultrassom Doppler.
Durante a gravidez, o objetivo não é eliminar as varizes, e sim aliviar os sintomas e evitar complicações, como flebite e trombose. Meia de compressão, caminhada, pernas para cima e dormir de lado esquerdo são as medidas com respaldo. Escleroterapia, espuma, laser e cirurgia ficam para depois do parto. Abaixo, o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051, RQE 9653), responde às perguntas mais buscadas por gestantes, agrupadas por tema.
Varizes na gravidez é normal? Por que aparecem?
É normal e é frequente. Três fatores se somam: a progesterona relaxa a parede das veias e as válvulas fecham pior; o volume de sangue aumenta em torno de 40% a 50% para nutrir o bebê; e o útero em crescimento comprime as veias ilíacas e a veia cava, dificultando o retorno do sangue das pernas. Quem tem mãe ou pai com varizes, quem já tinha varizes antes de engravidar e quem passa muitas horas em pé sente mais, e a tendência é acumular um pouco a cada gestação. Veias mais aparentes logo no início da gravidez são efeito do volume de sangue e da dilatação, não um "sinal de gravidez" confiável.
Varizes na gravidez somem depois do parto?
Parte sim. Com a queda dos hormônios e o fim da compressão do útero, muitas veias que dilataram voltam ao calibre anterior nos primeiros 3 a 6 meses depois do parto. Por isso o cirurgião vascular espera esse prazo antes de decidir o que tratar: avaliar cedo demais leva a tratar veias que iam regredir sozinhas. As varizes que já existiam antes da gestação, as mais calibrosas e as que dependem de refluxo na safena tendem a permanecer e, nesses casos, o tratamento após o puerpério é o caminho, como explicamos mais adiante.
Varizes na gravidez é perigoso? Pode causar trombose?
Na maioria das gestantes, as varizes incomodam mas não são perigosas. O que precisa de atenção é que a gravidez, por si só, aumenta em cerca de 4 a 5 vezes o risco de trombose venosa profunda, e as primeiras seis semanas depois do parto são o período de maior risco. Varizes calibrosas somam risco de flebite (coágulo em uma veia superficial, que forma um cordão vermelho, quente e dolorido). Procure avaliação no mesmo dia se tiver: inchaço ou dor que começou de repente em uma perna só, cordão endurecido e vermelho no trajeto de uma veia, ou falta de ar e dor no peito (emergência). Leia trombose na perna: sintomas e o que fazer e flebite ou trombose.
Varizes na gravidez dói? É normal estourar varizes na gravidez?
Dor em peso, ardor e sensação de latejamento nas varizes são comuns, principalmente no fim do dia e no calor, e melhoram com as pernas elevadas e com a meia de compressão. Dor localizada, contínua, com endurecimento e vermelhidão em uma veia não é normal: pode ser flebite. Sangramento de variz ("variz estourada") pode acontecer com um pequeno trauma ou espontaneamente, porque a pele sobre a veia dilatada fica fina; parece muito sangue, mas costuma parar com compressão direta com um pano limpo e a perna elevada por 10 a 15 minutos. Se não parar, procure a emergência. Uma variz que sangrou deve ser avaliada, porque tende a sangrar de novo.
Varizes na virilha, nos grandes lábios e varizes pélvicas na gravidez: é normal? Pode ter parto normal?
Varizes na virilha, na vulva (grandes lábios) e na parte interna da coxa aparecem em cerca de 4% das gestações, mais em quem já tem varizes nas pernas, quase sempre a partir do segundo trimestre, e são causadas pela compressão do útero e pela dilatação das veias pélvicas. Dão sensação de peso e inchaço na região, que piora em pé. Na maior parte dos casos regridem nas primeiras semanas depois do parto. Varizes vulvares, em geral, não impedem o parto normal; a via de parto é decidida pelo obstetra, que avalia o calibre e a localização das veias. O cuidado na gestação é compressão local (existem cintas e roupas íntimas específicas), repouso com a pelve elevada e evitar longos períodos em pé. Quando as varizes vulvares ou a dor pélvica persistem meses depois do parto, é preciso investigar varizes pélvicas, que têm tratamento próprio. As "varizes no útero" mencionadas em alguns ultrassons obstétricos são veias dilatadas ao redor do útero e raramente têm significado clínico na gestação.
Varizes na barriga, na coxa, no pé e nas mamas durante a gravidez
Veias mais visíveis na barriga e nas mamas são dilatação superficial pelo aumento do fluxo de sangue e da pele esticada; não são varizes verdadeiras e desaparecem depois do parto. Varizes na coxa e no pé seguem a mesma lógica das da perna: são acompanhadas, protegidas com compressão e reavaliadas após o puerpério. Uma veia dilatada, dura e dolorida em qualquer dessas regiões deve ser examinada.
Varizes na gravidez: o que fazer e como aliviar?
As medidas abaixo têm respaldo nas diretrizes e servem também para pernas inchadas, pé inchado, cãibra e pernas cansadas na gestação:
- Meia de compressão gradativa, calçada de manhã antes de levantar. Existem linhas para gestantes, com cintura ajustável; a classe de compressão e o tamanho são definidos em consulta, porque compressão errada incomoda e não protege. Veja meia de compressão: como usar.
- Caminhar todos os dias e, quando estiver sentada, movimentar os pés e as panturrilhas a cada meia hora.
- Pernas para cima por 15 a 20 minutos, duas ou três vezes ao dia, com o pé acima do nível do coração.
- Dormir de lado esquerdo, o que tira o peso do útero de cima da veia cava e melhora o retorno do sangue.
- Evitar longos períodos em pé parada, calor excessivo nas pernas (banhos muito quentes, depilação com cera quente), roupas apertadas na virilha e ganho de peso acima do orientado no pré-natal.
- Hidratar a pele e observar coceira, manchas ou pequenas feridas sobre as varizes.
Cãibra noturna na panturrilha é frequente no segundo e terceiro trimestres; alongamento antes de dormir, hidratação e a meia ajudam, e a suplementação de magnésio ou cálcio só deve ser feita com orientação do obstetra. As páginas pernas inchadas na gravidez e cãibra nas pernas à noite aprofundam esses sintomas. Inchaço que aparece de repente, no rosto e nas mãos, com pressão alta ou dor de cabeça, não é varizes: procure o pré-natal no mesmo dia.
Creme, remédio ou medicação para varizes na gravidez: pode usar?
Cremes e géis "para varizes" não fecham veias nem impedem que novas apareçam; alguns dão sensação de frescor e podem ser usados se a pele estiver íntegra e o obstetra concordar, mas o efeito é só de conforto. Medicamentos flebotônicos (os "remédios para circulação") têm evidência limitada de alívio de sintomas e dados insuficientes de segurança na gestação, por isso não são usados de rotina. Anticoagulantes só entram quando há indicação específica, definida entre o vascular e o obstetra, como trombose, flebite extensa ou risco alto de trombose. Anti-inflamatórios e diuréticos por conta própria estão fora de cogitação na gravidez. Leia remédio para circulação nas pernas.
Como evitar varizes na gravidez?
Não existe como evitar totalmente, porque os fatores hormonais e mecânicos fazem parte da gestação. O que reduz a intensidade é: começar a meia de compressão cedo, no primeiro trimestre, em quem já tem varizes ou histórico familiar; manter a caminhada diária; controlar o ganho de peso; e, sempre que possível, tratar as varizes antes de engravidar. Quem planeja a gestação e já tem varizes calibrosas ou refluxo de safena se beneficia de tratar antes, porque chega à gravidez com menos veias doentes para dilatar e com menor risco de flebite. O Dr. Victor Hugo explica isso no vídeo abaixo, junto com os três cuidados para quem já está grávida.
Pode tratar varizes na gravidez? Pode tirar varizes na gravidez?
Não se faz tratamento eletivo de varizes durante a gestação. Escleroterapia, espuma, laser e endolaser ficam para depois do parto, por três motivos: parte das veias vai regredir sozinha, os medicamentos esclerosantes não têm segurança estabelecida para o bebê, e o corpo em gestação responde de forma diferente, com mais risco de flebite e de manchas. As exceções são complicações: flebite extensa, sangramento repetido de uma variz ou trombose, situações em que o vascular trata a complicação (com anticoagulante, compressão e, raramente, um procedimento pontual), não a variz em si.
Pode secar vasinhos amamentando?
A escleroterapia durante a amamentação é uma decisão individualizada. Os esclerosantes mais usados têm pouca informação sobre passagem para o leite, e não há urgência que justifique qualquer risco. Na Clínica VHG a orientação é aguardar a fase mais intensa da amamentação, em geral os primeiros seis meses, que coincidem com o prazo de regressão natural das varizes; depois disso, a decisão é conversada caso a caso, considerando a frequência das mamadas e a extensão do tratamento. Quem amamenta e tem uma variz complicada (flebite, sangramento) deve ser avaliada sem esperar.
Varizes depois da gravidez: quando e como tratar?
A avaliação é feita a partir de 3 a 6 meses após o parto, com ultrassom Doppler na própria consulta, que mostra o que ficou e de onde vem o refluxo. A técnica depende do calibre e da origem: escleroterapia para vasinhos e microvarizes, endolaser para safenas e veias mais calibrosas com refluxo e espuma densa como complemento em veias selecionadas, todos sem corte e em consultório. Quem pretende engravidar de novo se beneficia de tratar entre uma gestação e outra. Um cuidado a mais nessa fase: se for iniciar anticoncepcional depois do parto, converse sobre o risco de trombose e a escolha do anticoncepcional, tema de anticoncepcional e trombose e anticoncepcional causa varizes?.
Como cuidamos das varizes na gravidez na Clínica VHG, em Fortaleza
A gestante é atendida pelo Dr. Victor Hugo ou pela Dra. Gabriela Bernhardt com ultrassom Doppler venoso feito na hora, sem radiação e seguro em qualquer trimestre, para mapear as veias, afastar trombose e flebite e definir a classe de compressão e o modelo de meia adequados. Seguindo o Modelo VHG™, a avaliação inclui os quatro domínios dos membros inferiores (circulação, gordura, pele e função), o que importa na gestação porque inchaço, dor e peso podem vir de mais de uma causa. A gestante sai com um plano para a gravidez, sinais de alerta por escrito e a reavaliação marcada para 3 a 6 meses depois do parto, quando se decide o que tratar. A clínica fica no RioMar Trade Center, em Fortaleza, de segunda a sexta, das 8h às 19h; gestantes do interior do Ceará encontram orientações em cirurgião vascular no Ceará.
Perguntas frequentes
Meia de compressão na gravidez precisa de receita?
Não é obrigatório, mas a compressão e o modelo errados incomodam e não protegem. O ideal é definir em consulta a classe de compressão, o comprimento e o tamanho adequados ao seu caso e ao trimestre, e calçar a meia de manhã, antes de levantar.
As varizes da gravidez somem sozinhas depois do parto?
Parte delas regride nos primeiros 3 a 6 meses, sobretudo as que surgiram durante a gestação. O que permanecer após esse prazo dificilmente desaparece sozinho e pode ser tratado com planejamento feito no ultrassom Doppler.
Posso secar os vasinhos amamentando?
Em geral aguardamos a fase mais intensa da amamentação, nos primeiros seis meses, para iniciar a escleroterapia. Depois disso a decisão é individualizada na consulta; não há urgência que justifique risco para o bebê.
Varizes na virilha ou vulvares durante a gestação são normais?
São relativamente comuns a partir do segundo trimestre e costumam regredir nas primeiras semanas depois do parto. Quando persistem ou doem meses após o parto, merecem avaliação específica, porque podem se relacionar a varizes pélvicas.
Varizes pélvicas ou vulvares na gravidez impedem o parto normal?
Na maioria dos casos, não. A via de parto é decidida pelo obstetra, que avalia o calibre e a localização das veias vulvares. O cirurgião vascular participa quando há varizes muito volumosas ou complicadas.
Varizes na gravidez podem causar trombose?
A gravidez em si aumenta o risco de trombose, e varizes calibrosas somam risco de flebite, que pode progredir para trombose. Inchaço ou dor súbita em uma perna só, ou um cordão vermelho e endurecido em uma veia, pedem avaliação com Doppler no mesmo dia.
Dormir de que lado ajuda a circulação na gravidez?
De lado esquerdo. Nessa posição o útero deixa de comprimir a veia cava, que passa à direita da coluna, e o sangue das pernas volta com mais facilidade. Um travesseiro entre os joelhos ajuda a manter a posição.
Quando devo procurar o cirurgião vascular durante a gravidez?
Assim que as varizes incomodarem ou logo no início da gestação se você já tinha varizes, para definir a meia de compressão e o plano de cuidados. Sem esperar, se houver dor súbita, inchaço de uma perna só, veia endurecida e vermelha ou sangramento.
Depois de quantos meses do parto posso tratar as varizes?
A partir de 3 a 6 meses após o parto, quando a regressão natural já aconteceu. A amamentação entra no planejamento: procedimentos eletivos costumam esperar a fase mais intensa passar.
Anticoncepcional depois do parto piora as varizes?
Métodos com estrogênio aumentam o risco de trombose, principalmente no pós-parto e em quem tem varizes calibrosas ou histórico familiar. A escolha do método deve considerar esse risco, em conjunto com o obstetra e o vascular.