Varizes

Varizes é hereditário? Se minha mãe tem, eu vou ter?

"Doutora, se eu tenho essa quantidade de varizes, minha filha com certeza vai ter também, né?" A pergunta foi feita, preocupadíssima, por uma paciente durante o tratamento aqui na Clínica VHG, e ela resume uma dúvida que ouvimos toda semana: varizes é hereditário? A resposta é sim, a predisposição é genética. Mas a chance não é de 100%, e existe muita coisa que a sua filha, ou você, pode fazer para retardar ou reduzir o surgimento da doença. Este artigo explica o que a genética determina, o que acelera as varizes e o que dizer para quem tem varizes na família.

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Se a mãe tem varizes, a filha vai ter? A Dra. Gabriela Bernhardt responde e dá as dicas de prevenção.

Varizes é hereditário: o que a genética explica

Varizes são veias que perderam a capacidade de levar o sangue de volta ao coração. As válvulas, que deveriam impedir o sangue de descer, falham, o sangue reflui e a veia dilata. O que se herda não é a variz pronta, e sim a qualidade da matéria-prima: em algumas famílias, a parede das veias e as válvulas são mais frouxas e cedem à pressão mais cedo.

Um grande estudo com cerca de 500 mil pessoas do Reino Unido confirmou que a doença venosa tem forte componente genético, com dezenas de regiões do DNA associadas ao risco, muitas delas ligadas justamente à estrutura da parede dos vasos. Ou seja: não é impressão, nem "coisa de família" no sentido de hábito. É herança biológica.

Qual a chance de ter varizes se a mãe tem

O estudo clássico sobre esse tema acompanhou 134 famílias e encontrou números que uso até hoje no consultório:

  • Pai e mãe com varizes: chance dos filhos em torno de 90%;
  • Só um dos pais com varizes: risco bem acima da média, e maior nas mulheres do que nos homens;
  • Nenhum dos pais com varizes: o risco cai bastante, mas não é zero.

Foi exatamente isso que respondemos à paciente: a chance de a filha dela desenvolver varizes existe, por ser uma característica genética, mas não é 100%. Não é porque a mãe tem que a filha obrigatoriamente vai ter. E se mãe e pai têm, as dicas de prevenção se aplicam ainda mais.

Vale lembrar que a herança vem dos dois lados. As mulheres manifestam a doença mais cedo e com mais frequência por causa dos hormônios, das gestações e do anticoncepcional, mas o pai transmite a predisposição tanto quanto a mãe.

O que acelera o aparecimento em quem tem predisposição

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Personal trainer, magra, sem hormônios e com varizes grossas: o peso da genética, por Dr. Victor.

A genética define o ponto de partida; o estilo de vida define a velocidade. Em quem já nasceu com a tendência, estes fatores fazem as varizes aparecerem antes e em maior quantidade:

  • Excesso de peso, que aumenta a pressão nas veias das pernas de forma permanente;
  • Sedentarismo, porque a panturrilha é a bomba que devolve o sangue ao coração e, parada, deixa o sangue represado;
  • Hormônios: anticoncepcional, reposição hormonal e gestações afrouxam a parede venosa;
  • Fumo, que agride a parede dos vasos e piora a circulação como um todo;
  • Longos períodos parado em pé ou sentado, comuns em várias profissões;
  • Trombose venosa prévia, que danifica as válvulas de dentro para fora.

O que dizer para sua filha: como prevenir ou retardar

Ainda não conseguimos mudar a genética, mas conseguimos mexer em quase tudo o que está em volta dela. É super possível prevenir ou, pelo menos, retardar o surgimento da doença. As orientações que damos na clínica:

  1. Manter um peso adequado. Cada quilo a mais é pressão a mais nas veias das pernas, todos os dias.
  2. Praticar atividade física, de preferência com trabalho de panturrilha: caminhada, corrida, bicicleta, natação e musculação. Explico o que ajuda e o que atrapalha em atividade física e varizes.
  3. Evitar ao máximo o uso de hormônios sem necessidade. Quando o anticoncepcional é indispensável, vale conversar com o ginecologista sobre as opções com menor impacto venoso, especialmente em quem tem histórico familiar e outros fatores de risco; veja também anticoncepcional e trombose.
  4. Não fumar de jeito nenhum.
  5. Movimentar as pernas em quem trabalha em pé ou sentado: pequenas pausas, elevar as pernas ao fim do dia e, quando indicado, meia de compressão durante o expediente.
  6. Fazer uma avaliação vascular cedo, antes de a primeira veia aparecer. Outras dicas práticas estão em como evitar varizes nas pernas.

Quando fazer a primeira avaliação

Em famílias com muitas varizes, uma primeira avaliação no fim da adolescência ou por volta dos 20 anos já faz sentido, principalmente se a jovem começou a usar anticoncepcional, trabalha em pé, engravidou ou já nota vasinhos, cansaço e peso nas pernas. Quem tem varizes tão cedo costuma ter uma predisposição forte, como explico em varizes aos 20 anos. Não é preciso esperar a veia saltar para procurar o cirurgião vascular.

Como avaliamos (Doppler)

A avaliação preventiva completa das pernas inclui a história familiar, o exame das pernas em pé e o ultrassom Doppler venoso na própria consulta. O Doppler mostra se a safena e as outras veias já apresentam refluxo, muitas vezes antes de qualquer variz visível. Com isso, definimos se o caso é só de prevenção e acompanhamento ou se já existe alguma veia que vale a pena tratar enquanto é pequena.

Tratamento precoce na Clínica VHG

Quando já existe refluxo ou varizes, o tratamento em quem tem forte histórico familiar segue o Modelo VHG™: primeiro a origem, depois o que é visível. Tudo em consultório, sem cortes e sem internação: espuma densa para veias nutridoras e calibrosas, endolaser quando a safena tem refluxo, e escleroterapia e laser transdérmico para vasinhos e microvarizes. Como a predisposição continua, recomendamos revisões anuais para tratar as poucas veias novas enquanto ainda são pequenas. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Atendemos em Fortaleza, e pacientes de outras cidades do Ceará podem começar por teleconsulta. Se você tem varizes, envie este artigo para a sua filha e tome os devidos cuidados: é super possível prevenir ou, pelo menos, retardar o surgimento da doença.

Perguntas frequentes

Varizes é hereditário?

Sim, a predisposição para varizes é genética: a herança está na qualidade da parede das veias e das válvulas. Isso não quer dizer que todo filho de quem tem varizes vai ter, mas que o risco é bem maior do que o da população geral, e que os cuidados preventivos fazem mais diferença nessas famílias.

Se minha mãe tem varizes, qual a chance de eu ter?

Quando só um dos pais tem varizes, o risco dos filhos é maior que a média, e maior ainda nas mulheres. Quando pai e mãe têm, estudos de famílias mostram chance em torno de 90%. Em qualquer cenário, o número não é 100%: hábitos e acompanhamento influenciam quando e quanto a doença aparece.

Varizes passa de mãe para filha ou de pai para filho também?

Passa dos dois lados. A tendência é herdada tanto do pai quanto da mãe; o que muda é que as mulheres manifestam a doença mais cedo e com mais frequência, por influência dos hormônios, das gestações e do anticoncepcional.

Como prevenir varizes quando a família toda tem?

Não dá para mudar a genética, mas dá para retardar e reduzir o surgimento: manter o peso adequado, praticar atividade física com trabalho de panturrilha, evitar ao máximo hormônios sem necessidade, conversando com o ginecologista sobre alternativas, não fumar de jeito nenhum, evitar longos períodos parado em pé e fazer uma avaliação vascular cedo, antes de a primeira veia aparecer.

Com que idade devo levar minha filha ao vascular?

Se há varizes na família, uma primeira avaliação no fim da adolescência ou por volta dos 20 anos já faz sentido, principalmente se ela começou a usar anticoncepcional, trabalha em pé ou já nota vasinhos e cansaço nas pernas. O ultrassom Doppler mostra se existe refluxo antes de as varizes ficarem visíveis, e tratar cedo é sempre mais simples.

Leia também: Varizes aos 20 anos: por que aparecem tão cedo · Como evitar varizes nas pernas · Varizes: causas, sintomas e tratamento

Referências

  1. Cornu-Thénard A, Boivin P, Baud JM, De Vincenzi I, Carpentier PH. Importance of the familial factor in varicose disease. Clinical study of 134 families. J Dermatol Surg Oncol. 1994;20(5):318-326.
  2. Fukaya E, Flores AM, Lindholm D, et al. Clinical and Genetic Determinants of Varicose Veins: Prospective, Community-Based Study of ≈500 000 Individuals. Circulation. 2018;138(25):2869-2880.
  3. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  5. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes e orientações ao paciente sobre doença venosa crônica. sbacv.org.br

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