Varizes

Quando tratar a safena? Os dois critérios que definem a indicação

"Doutor, minha safena está doente. Preciso tratar?" Nem sempre. A dúvida sobre quando tratar a safena aparece toda semana no consultório, em geral depois de um ultrassom que mostrou "refluxo" ou "insuficiência" na veia. A resposta que dou é simples: para indicar o procedimento, a safena precisa cumprir dois critérios ao mesmo tempo. Se cumpre só um, o caminho é acompanhar. No vídeo explico em dois minutos; abaixo detalho cada critério.

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Dr. Victor Hugo explica quando a safena doente precisa de tratamento e quando basta acompanhar.

O que a safena faz e o que é uma safena doente

A veia safena magna percorre a face interna da perna e da coxa, e a safena parva a parte de trás da panturrilha. A função das duas é a mesma: levar o sangue do pé para cima, em direção ao abdome e ao coração. Válvulas dentro da veia funcionam como comportas que impedem o sangue de descer quando você está em pé.

A safena fica doente quando essas válvulas param de fechar. Em vez de subir, o sangue escorre pela veia na direção contrária, para baixo. É isso que chamamos de refluxo. A veia deixa de ajudar a circulação e passa a atrapalhar: o sangue represado dilata a safena e transborda para as veias superficiais, que aparecem na pele como varizes e vasinhos. Detalho a anatomia e os sintomas em veia safena magna: quando e como tratar.

Critério 1: a safena precisa ter refluxo no Doppler

O primeiro critério é objetivo. A safena só entra na conversa de tratamento se o ultrassom Doppler mostrar o sangue voltando na direção errada por um tempo significativo. Nas diretrizes, considera-se refluxo patológico quando esse retorno dura mais de meio segundo nas veias superficiais.

Alguns detalhes que fazem diferença nesse exame:

  • Feito em pé. Deitada, a gravidade não age sobre a veia e o refluxo pode passar despercebido.
  • Com manobras de provocação. Apertar e soltar a panturrilha, ou pedir para a paciente fazer força, é o que revela se a válvula segura ou não.
  • Trecho por trecho. A safena pode ter refluxo só na coxa, só na perna ou em todo o trajeto. Isso muda o planejamento.

Um ultrassom que mostra safena competente encerra a discussão: a veia é preservada, e o tratamento, se houver, será só das veias que estão de fato doentes.

Critério 2: o refluxo precisa ter consequências

Ter refluxo, sozinho, não basta. Para indicar o procedimento, a safena doente precisa estar causando algo. Na prática, procuro dois tipos de consequência:

  • Sintomas: dor, peso, cansaço, queimação ou inchaço nas pernas, principalmente no fim do dia e depois de muito tempo em pé. Cãibras noturnas e coceira sobre as veias também entram aqui.
  • Sinais visíveis: veias saltadas, microvarizes ou vasinhos que surgiram no território da safena, alimentados pelo refluxo dela. Em fases mais avançadas, manchas escuras, endurecimento da pele perto do tornozelo ou ferida.

Quando a paciente tem a combinação, safena com refluxo e sintomas ou veias visíveis que dependem dela, o procedimento está indicado. É o que as diretrizes europeia e americana recomendam: tratar a safena insuficiente em quem tem doença venosa sintomática ou com sinais clínicos, e não tratar um achado de exame isolado.

Quando a safena tem refluxo, mas não precisa de tratamento agora

Existe uma situação bem específica: o ultrassom mostra refluxo na safena, mas a pessoa não tem nenhum sintoma e nenhuma veia doente apareceu por causa dela. É um achado de exame, muitas vezes descoberto por acaso, num Doppler pedido por outro motivo.

Nesses casos, a conduta é acompanhar. Repetimos o ultrassom uma vez por ano ou a cada dois anos e observamos a evolução. Se no futuro começarem a surgir veias na perna ou sintomas, aí sim indicamos o tratamento. Ou seja: nem sempre a safena doente precisa ser tratada, mas sempre precisa ser acompanhada. Tratar uma safena que não está causando nada, na minha visão, é intervir sem necessidade; deixar de acompanhar é perder o momento certo.

Também vale dizer o contrário: o diâmetro da safena, sozinho, não define a indicação. Uma safena de 6 mm com refluxo e sintomas merece tratamento; uma de 8 mm sem refluxo e sem queixa, não.

Como avaliamos na Clínica VHG

Na consulta em Fortaleza, o exame físico em pé e o Doppler são feitos no mesmo dia, por mim ou pela Dra. Gabriela. Mapeamos as safenas magna e parva, as veias perfurantes e as tributárias, classificamos o quadro pela escala CEAP e cruzamos isso com o que você sente. Você sai da consulta sabendo se a sua safena cumpre os dois critérios, se o caminho é tratar ou acompanhar, e com o plano de cuidado escrito. Quem mora em outra cidade do Ceará pode começar por teleconsulta e agendar o exame e o procedimento para uma única vinda.

Como tratamos a safena quando está indicado

Quando os dois critérios estão presentes, o tratamento de primeira escolha é o endolaser: uma fibra fina introduzida por punção, guiada por ultrassom, fecha a safena por dentro com anestesia local, em consultório e sem internação. O sangue que antes ficava represado na veia doente é redirecionado para as veias saudáveis, que dão conta do retorno. As veias grossas e os vasinhos que dependiam da safena são tratados em seguida, com espuma densa, escleroterapia ou laser transdérmico, conforme o caso. Explico a sequência em etapas do tratamento de varizes. Na Clínica VHG não realizamos a cirurgia convencional com cortes; o endolaser a substituiu para praticamente todos os casos.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se você já tem um laudo apontando refluxo na safena e não sabe o que fazer com ele, ou se tem veias saltadas, vasinhos que se multiplicam, peso e inchaço no fim do dia sem nunca ter feito um Doppler. Nos dois cenários, a consulta com exame resolve a dúvida no mesmo dia: ou indicamos o tratamento, ou definimos o acompanhamento. Adiar por medo de "ter que operar" costuma ser desnecessário, porque hoje o tratamento não é cirurgia.

Perguntas frequentes

Sempre que a safena está doente é preciso tratar?

Não. O procedimento é indicado quando a safena tem refluxo no ultrassom Doppler e esse refluxo está causando consequências: sintomas, como dor, peso e inchaço, ou veias visíveis que dependem dela. Refluxo sem nenhuma consequência é acompanhado com ultrassom periódico, não tratado.

Tenho refluxo na safena, mas não sinto nada. O que fazer?

Acompanhar. Se não há sintomas nem varizes ou vasinhos originados da safena, repetimos o Doppler a cada um ou dois anos. Se ao longo do tempo surgirem veias ou queixas, o tratamento passa a ser indicado. A safena doente nem sempre precisa ser tratada, mas sempre precisa ser acompanhada.

Qual exame define se a safena precisa de tratamento?

O ultrassom Doppler venoso, feito em pé e com manobras de provocação. Ele mostra se o sangue reflui pela safena, por quanto tempo e em qual trecho. Na Clínica VHG esse exame é feito na própria consulta, e o resultado é cruzado com os sintomas e com o exame físico para decidir entre tratar e acompanhar.

O tamanho da safena define a indicação?

Sozinho, não. O diâmetro ajuda a planejar a técnica e a estimar o grau de refluxo, mas a indicação depende de haver refluxo e consequências desse refluxo. Uma safena pouco dilatada com refluxo e sintomas pode precisar de tratamento; uma safena larga, sem refluxo e sem queixa, não.

Tratar a safena faz falta para a circulação?

Não, quando ela está doente. Cerca de 90% do retorno venoso da perna passa pelo sistema profundo. Ao fechar a safena com refluxo, o sangue que ficava represado nela é redirecionado para veias saudáveis, e a circulação melhora em vez de piorar.

Leia também: Veia safena magna: quando e como tratar · Retirar a safena faz falta? · Como ler o laudo do Doppler venoso

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. Gloviczki P, Lawrence PF, Wasan SM, et al. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. Duplex scanning and treatment of superficial truncal reflux. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2023;11(2):231-261.
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.

Seu laudo mostrou refluxo na safena?

Avaliação com cirurgião vascular e ultrassom Doppler na própria consulta, em Fortaleza. Você sai sabendo se o caminho é tratar ou apenas acompanhar.

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