Varizes aos 20 anos assustam. A pessoa olha para a própria perna, vê veias saltadas que "só deveriam aparecer depois dos 50" e se pergunta o que fez de errado. A resposta, na grande maioria das vezes, é: nada. Quando a doença venosa começa a se manifestar muito cedo, isso quer dizer que existe uma influência genética muito forte. Neste artigo explico por que as varizes aparecem tão cedo em algumas pessoas, quais sinais merecem atenção e como tratamos, sem cortes, na Clínica VHG em Fortaleza.
Varizes em jovens: mais comum do que parece
A paciente do vídeo tem 25 anos e começou a notar as veias aos 13. Não é um caso isolado. Um dos estudos mais conhecidos sobre o início das varizes, feito na Alemanha, acompanhou adolescentes a partir dos 10 a 12 anos e encontrou refluxo na safena, detectável ao ultrassom, em uma parcela dos jovens já antes dos 20 anos. Ou seja: a doença muitas vezes começa por dentro, silenciosa, anos antes de a primeira veia ficar visível.
Na classificação CEAP, que gradua a doença venosa crônica, esses jovens costumam chegar ao consultório com vasinhos e veias reticulares (C1) ou já com varizes verdadeiras (C2). O que muda em relação a alguém de 50 anos não é a doença, é o tempo que ela ainda tem pela frente para evoluir, se nada for feito.
Por que aparecem tão cedo: o peso da genética
Quanto mais cedo a doença se manifesta, maior a influência genética. A herança está na qualidade da parede das veias e das válvulas: em algumas famílias elas são mais frouxas e cedem à pressão mais rápido. Um estudo clássico com 134 famílias mostrou que, quando pai e mãe têm varizes, a chance de os filhos terem chega a cerca de 90%; quando só um dos pais tem, o risco continua bem maior que o da população geral. Falo mais sobre isso em varizes é hereditário?.
Por isso a primeira pergunta que faço a um paciente jovem é sobre a família. Quase sempre a resposta é "minha mãe tem, minha avó tinha, minhas tias operaram".
O que acelera o aparecimento em quem tem predisposição
A genética carrega a tendência; alguns fatores apertam o gatilho:
- Hormônios. A puberdade, o uso de anticoncepcional e a gestação afrouxam a parede venosa. Não é por acaso que muitas jovens notam as primeiras veias na adolescência ou depois de começar a pílula.
- Trabalho em pé. A paciente do vídeo trabalhava o dia todo em pé, com esforço físico. Horas em pé parado elevam a pressão nas veias das pernas.
- Excesso de peso e sedentarismo. A panturrilha é a bomba que devolve o sangue ao coração; quando ela trabalha pouco, o sangue fica represado.
- Fumo. Agride a parede dos vasos e piora a circulação como um todo.
Sinais de que não é "só vasinho"
Em jovens, o erro mais comum é tratar o que aparece na superfície e ignorar o que está por baixo. Alguns sinais indicam que existe uma veia maior alimentando o problema:
- Uma região inteira carregada de veias, como a coxa da paciente do vídeo, que tinha uma veia descendo a coxa toda e dando muitos vasos ao redor;
- Área arroxeada que parece hematoma. Atrás da perna dela havia uma mancha que as pessoas confundiam com pancada. Era uma rede de varizes alimentada por uma veia nutridora;
- Veias que saltam em pé e somem ao deitar, as "veias quebradas" do interior;
- Sintomas: cansaço, peso, dormência e sensação de inchaço no fim do dia, mesmo em quem é jovem e ativo;
- Impacto na autoestima: deixar de usar short ou vestido por causa das pernas. Isso também conta, e muito.
Como avaliamos (Doppler e VeinViewer)
A avaliação de um jovem com varizes é igual à de qualquer paciente: história, exame das pernas em pé e ultrassom Doppler na própria consulta, para mapear safena magna, safena parva, perfurantes e as veias que alimentam cada região. Nos vasinhos e microvarizes, o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, mostra a veia nutridora que o olho não enxerga. Foi assim que, no caso do vídeo, identificamos a veia que alimentava toda a mancha atrás da perna. Você sai da consulta com o diagnóstico e o plano de cuidado.
Tratamento na Clínica VHG
Tratar cedo é tratar veias menores, com menos sessões e menos chance de a pele já ter sofrido. Tudo é feito em consultório, sem internação e sem cortes, dentro do Modelo VHG™:
- Veia nutridora e veias calibrosas: espuma densa guiada por ultrassom, que fecha a veia que alimenta a rede;
- Safena com refluxo: endolaser com anestesia local tumescente;
- Vasinhos e microvarizes: escleroterapia e laser transdérmico, depois que a origem foi resolvida.
A ordem importa: primeiro a origem, depois o refinamento do que é visível. No caso da paciente do vídeo, tratar a veia nutridora resolveu a região que parecia hematoma, e o cansaço nas pernas também melhorou. Os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem da extensão do problema.
Manutenção: por que uma vez por ano
Quem tem varizes tão cedo tem uma predisposição forte, e ela não desaparece com o tratamento. O que muda é o ponto de partida. Depois de finalizar o tratamento, recomendo uma revisão anual: nela tratamos as poucas veias novas que surgirem, enquanto ainda são pequenas. Fazendo isso, a perna nunca mais volta ao ponto em que estava. É o mesmo raciocínio de ir ao dentista todo ano em vez de esperar a dor.
Quando procurar o cirurgião vascular
Se você tem menos de 30 anos e já nota veias saltadas, uma região da perna cheia de vasos, manchas arroxeadas sem pancada, cansaço ou dormência no fim do dia, vale uma avaliação, principalmente se há varizes na família. Quanto antes, mais simples. Atendo em Fortaleza, e pacientes de outras cidades do Ceará podem começar por teleconsulta.
Perguntas frequentes
É normal ter varizes aos 20 anos?
É mais comum do que se imagina, e quase sempre indica uma predisposição genética forte. Estudos que acompanharam adolescentes mostram refluxo nas veias já antes dos 20 anos em parte dos jovens. Não é motivo para pânico, mas é motivo para avaliar cedo, porque tratar veias pequenas é muito mais simples do que tratar varizes grossas anos depois.
Por que tenho varizes tão jovem?
Quando a doença começa a se manifestar muito cedo, na adolescência ou por volta dos 20 anos, o principal fator é a genética. Hormônios, anticoncepcional, trabalho em pé, gestação, excesso de peso e sedentarismo aceleram o processo em quem já nasceu com a tendência.
Varizes em jovem precisa tratar ou pode esperar?
Esperar só faz a doença avançar. Em jovens, o tratamento precoce da veia nutridora ou da safena com refluxo evita que a rede de varizes se espalhe e que a pele comece a sofrer com manchas e endurecimento. O plano é definido pelo Doppler e pode ser feito em etapas, sem cortes.
Como é o tratamento de varizes em jovens na Clínica VHG?
Tudo em consultório, sem internação: escleroterapia e laser transdérmico para vasinhos e microvarizes, espuma densa guiada por ultrassom para veias calibrosas e endolaser quando a safena tem refluxo. O VeinViewer ajuda a localizar a veia nutridora, que precisa ser tratada para o resultado durar. Os resultados variam de pessoa para pessoa.
Depois de tratar, as varizes voltam em quem é jovem?
As veias tratadas corretamente não voltam, mas a predisposição genética continua e novas veias podem surgir ao longo da vida. Por isso recomendamos uma revisão anual: tratando veias pequenas a cada retorno, a perna nunca mais chega ao ponto em que estava.