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Varizes têm cura? Por que o tratamento é controle, e não cura

Varizes têm cura? É uma das perguntas que mais escuto no consultório, quase sempre acompanhada de outro medo: "doutor, depois do tratamento volta tudo?". A resposta honesta é que varizes não têm cura, porque são uma doença genética e crônica. O que a gente consegue, e consegue muito bem, é tratar as veias que adoeceram, aliviar os sintomas, evitar complicações e manter o resultado com acompanhamento. Neste artigo explico o que isso significa na prática e por que o tipo de tratamento que você faz muda completamente a durabilidade do resultado.

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Volta tudo? No vídeo explico por que varizes não têm cura, mas têm controle, e o que diferencia um tratamento duradouro de um superficial.

Por que varizes não têm cura

Varizes aparecem quando as válvulas dentro das veias das pernas deixam de fechar direito e o sangue, em vez de subir para o coração, passa a cair e a se acumular. A parede da veia dilata, a válvula fica ainda mais aberta e o ciclo se repete. A tendência para isso é herdada: quem tem pai e mãe com varizes tem uma probabilidade muito alta de desenvolver a doença. Não é falta de cuidado, é a forma como a parede venosa daquela pessoa foi programada.

O tratamento atua sobre a consequência: fecha ou elimina as veias que já adoeceram. Ele não altera a genética. As veias que ficaram na perna continuam sendo veias de alguém com predisposição a varizes, e ao longo dos anos algumas delas podem adoecer também. Por isso as diretrizes internacionais, como a da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS 2022), tratam a insuficiência venosa crônica como uma doença que se acompanha ao longo da vida, e não como algo que se resolve de uma vez.

O que o tratamento consegue fazer

Não ter cura não quer dizer que não valha a pena tratar. Muito pelo contrário. Quando a gente trata as veias doentes, o que acontece é:

  • Os sintomas melhoram. Peso, cansaço, dor, inchaço no fim do dia e câimbras noturnas costumam diminuir bastante quando o refluxo é eliminado.
  • As complicações são evitadas. Manchas escuras no tornozelo, endurecimento da pele, flebite, sangramento e úlcera são consequências de anos de refluxo sem tratamento. Tratar cedo interrompe essa progressão.
  • A perna fica com aspecto melhor. As veias saltadas, as microvarizes e os vasinhos tratados desaparecem ou ficam muito menos visíveis.

Ou seja, o objetivo do tratamento é controlar a doença: eliminar o que está doente hoje, proteger a perna do que viria pela frente e manter esse resultado com revisões periódicas.

Tratamento de dentro para fora e tratamento superficial: a diferença que define se "volta tudo"

Aqui está o ponto central do vídeo. Existem duas situações bem diferentes que as pessoas colocam no mesmo saco quando dizem que "as varizes voltaram".

Tratamento da raiz, de dentro para fora. Quando a gente identifica no ultrassom Doppler a safena ou a veia perfurante com refluxo, trata essa origem, depois trata as veias nutridoras que alimentam os vasos da superfície e, só por último, os vasinhos e microvarizes. Esse tratamento tende a ser duradouro. Ele ainda precisa de manutenção, em geral uma revisão por ano, para tratar as pequenas veias novas que a genética vai produzindo e preservar o que foi feito.

Tratamento superficial. É quando se tratam só os vasos que aparecem na pele, ou só as veias mais grossas visíveis, sem investigar nem tratar o que está por baixo. A veia que alimentava aqueles vasos continua com refluxo, e a pressão continua chegando à superfície. Nesse caso a recidiva é muito alta e tende a acontecer em semanas ou poucos meses. É desse tipo de experiência que vem a ideia de que "tratar varizes não adianta, volta tudo".

Então, quando alguém me pergunta se volta tudo, minha resposta é: depende do que foi tratado. Se foi só a superfície, sim, e rápido. Se foi a origem, o resultado dura, desde que exista acompanhamento.

"Voltou" ou "apareceu"? Recidiva e progressão são coisas diferentes

Vale separar dois fenômenos. Recidiva é quando a mesma veia tratada volta a funcionar com refluxo, o que pode ocorrer por técnica inadequada, por uma veia que não foi completamente fechada ou por um caminho de refluxo que não foi identificado. Progressão é quando veias que estavam saudáveis na época do tratamento adoecem anos depois, por conta da predisposição genética, de gestações, de ganho de peso ou simplesmente do tempo.

A primeira a gente reduz muito com um mapeamento cuidadoso antes de tratar. A segunda não tem como impedir por completo, mas dá para detectar cedo e resolver com procedimentos pequenos, em consultório, antes que vire uma variz grande de novo. É exatamente para isso que serve a manutenção anual.

Como avaliamos na Clínica VHG

Na Clínica VHG, em Fortaleza, a avaliação começa pela história: há quanto tempo as varizes existem, o que já foi feito, se houve gestações, quais sintomas incomodam. Em seguida examino a perna em pé e faço o ultrassom Doppler na própria consulta, para saber se as safenas e as veias profundas estão competentes ou com refluxo. As veias nutridoras, que o olho não enxerga, são localizadas com o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, e registradas em fotos. Por fim avalio os vasinhos e a pele, porque lesões causadas pelas varizes, como manchas de hemossiderina, também podem ser tratadas.

Esse mapeamento em quatro níveis (veias profundas e safenas, nutridoras, vasinhos e pele) é o que permite montar um plano de dentro para fora e explicar, no mesmo dia, o que esperar de resultado e de durabilidade. Quem mora em outra cidade do Ceará pode começar por teleconsulta e vir a Fortaleza apenas para o exame e o tratamento.

Tratamento e manutenção no Modelo VHG™

O tratamento segue a ordem do mapeamento. Se há refluxo na safena ou em veias calibrosas, a origem é tratada com endolaser, com anestesia local e sem internação, ou com espuma densa guiada por ultrassom, feita em consultório. Depois vêm as veias nutridoras e as microvarizes, com escleroterapia ampliada, e por fim os vasinhos, com escleroterapia e laser transdérmico 1064 nm. Manchas residuais podem ser tratadas com laser específico para hemossiderina.

Concluído o tratamento, combino uma revisão anual. Nela repito o exame da perna, confiro as veias tratadas e, se houver vasos novos, trato no próprio consultório, geralmente em uma sessão simples. Essa manutenção é o que transforma um bom resultado em um resultado que dura. Explico mais sobre isso em as varizes voltam após o tratamento?.

O que você pode fazer para o controle durar mais

  • Manter atividade física regular, especialmente caminhada e exercícios de panturrilha, que é a bomba que empurra o sangue para cima.
  • Manter o peso sob controle, porque o excesso de peso aumenta a pressão dentro das veias das pernas.
  • Usar meia de compressão nos dias em que você fica muitas horas em pé ou sentada.
  • Conversar com o ginecologista sobre opções de anticoncepcional quando as varizes forem muito numerosas, já que o estrogênio influencia os vasos mais finos.
  • Não pular a revisão anual, mesmo que a perna pareça perfeita.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se você tem veias saltadas ou vasinhos que incomodam, se sente peso, dor ou inchaço no fim do dia, se percebe manchas escuras ou pele endurecida perto do tornozelo, ou se já tratou varizes antes e elas reapareceram rápido. Nesse último caso, é bem provável que o tratamento anterior tenha ficado na superfície, e vale a pena investigar a origem antes de tratar de novo.

Perguntas frequentes

Varizes têm cura?

Não. Varizes são uma doença genética e crônica, e o tratamento não muda a genética da pessoa. O que se consegue é tratar as veias que adoeceram, aliviar os sintomas, evitar complicações e manter o resultado com revisões periódicas. É controle, e funciona muito bem quando o tratamento é feito da origem para a superfície.

Depois do tratamento as varizes voltam?

Depende do que foi tratado. Tratamentos superficiais, que cuidam só dos vasos visíveis sem tratar a veia com refluxo por baixo, têm recidiva alta em semanas ou poucos meses. Tratamentos de dentro para fora, que fecham a origem do refluxo e as veias nutridoras, tendem a ser duradouros, mas precisam de manutenção anual para tratar veias novas.

De quanto em quanto tempo preciso fazer manutenção?

Em geral uma revisão por ano. Nela o médico examina a perna, confere as veias tratadas e trata em consultório os pequenos vasos que a predisposição genética produziu no período, antes que cresçam.

Existe remédio ou creme que cura varizes?

Não. Alguns medicamentos e a meia de compressão aliviam sintomas, como peso e inchaço, mas nenhum remédio, creme ou tratamento natural fecha uma veia com refluxo. Promessas de cura definitiva devem ser vistas com desconfiança.

Se varizes são genéticas, adianta tratar?

Adianta. Tratar elimina as veias doentes, melhora os sintomas, interrompe a progressão para manchas, endurecimento da pele e úlcera, e melhora o aspecto da perna. A genética continua, mas com acompanhamento as veias novas são tratadas cedo, de forma simples.

Leia também: As varizes voltam após o tratamento? · Varizes é hereditário? · Fiz aplicações de varizes e não resolveu

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de insuficiência venosa crônica. sbacv.org.br

Quer saber se o seu caso pode ter um resultado duradouro?

Avaliação com cirurgião vascular e ultrassom Doppler na própria consulta, em Fortaleza: mapeamos a origem das varizes e montamos um plano de dentro para fora, com manutenção.

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