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Veias grossas na coxa: por que aparecem e como tratar sem cortes

Veias grossas na coxa são um dos motivos mais comuns de consulta na Clínica VHG. A pessoa percebe um trajeto de veia saltado na parte interna ou na frente da coxa, que às vezes desce pela perna, e quer saber se é só estética ou se é doença. Na grande maioria dos casos, a resposta é a mesma: essas veias calibrosas são varizes, e elas têm uma origem que não aparece a olho nu, a veia safena magna com refluxo. Neste artigo explico por que isso acontece, como avaliamos e como tratamos hoje sem cortes, com anestesia local e com o paciente andando ao final do procedimento.

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Veias calibrosas na coxa e na perna vindas da safena: endolaser e ablação das tributárias, sem cortes e sem pontos.

O que são as veias grossas na coxa

Veia grossa, calibrosa ou saltada é a forma como as pessoas descrevem uma variz de maior calibre. Do ponto de vista médico, é uma veia superficial dilatada, tortuosa, com mais de 3 mm de diâmetro, que perdeu a capacidade de levar o sangue de volta ao coração de forma eficiente. Na classificação CEAP, usada em todo o mundo, essas veias correspondem ao estágio C2, e quando já existe inchaço ou alteração de pele, a doença está mais avançada.

Na coxa, o trajeto mais comum das veias grossas é a face interna, seguindo mais ou menos o caminho da safena magna. Também é frequente ver uma veia calibrosa que atravessa a frente da coxa em direção ao joelho ou que aparece atrás da coxa. Todas essas veias são, na prática, ramos que recebem sangue de uma veia maior que está doente.

Por que elas aparecem: o refluxo da safena

As veias das pernas têm válvulas que só deixam o sangue subir. Quando as válvulas da veia safena magna param de funcionar, o sangue passa a descer pela safena, o que chamamos de refluxo. Esse sangue precisa ir para algum lugar, e ele escapa pelas veias tributárias, os ramos que se ligam à safena na coxa e na perna. Com o tempo, essas tributárias recebem uma pressão que não foram feitas para suportar, dilatam e viram as veias grossas que você vê na coxa.

É por isso que, no consultório, quando vejo um paciente com muita veia calibrosa na coxa e na perna, o primeiro raciocínio é: de onde vem esse sangue? No caso que mostro no vídeo acima, um homem procurou a clínica por veias grossas na coxa e na perna direita, e o Doppler confirmou que todas elas vinham da veia safena. Tratar só as veias visíveis sem tratar a safena é como enxugar gelo: a pressão continua e as veias voltam.

Fatores que aumentam a chance de ter veias grossas na coxa: história familiar de varizes, gestações, ficar muitas horas em pé ou sentado, sobrepeso, idade e, em quem já teve trombose, a sequela das válvulas.

Sinais de que a veia grossa é doença e não só estética

  • Peso, cansaço ou dor na perna no fim do dia, que melhoram ao deitar com a perna elevada;
  • Inchaço no tornozelo, principalmente à tarde;
  • Coceira ou sensação de queimação sobre o trajeto da veia;
  • Veias que continuam saltadas mesmo deitado, ou que crescem ano a ano;
  • Manchas escuras ou endurecimento da pele perto do tornozelo;
  • Episódios de flebite, um cordão duro e dolorido sobre a veia;
  • Sangramento ao mínimo trauma sobre uma veia mais superficial.

Mesmo sem nenhum sintoma, uma veia calibrosa alimentada por refluxo de safena é doença venosa crônica e tende a progredir. O que muda com os sintomas é a urgência, não a indicação de avaliar.

Como avaliamos: o Doppler na própria consulta

A avaliação começa com o exame em pé, olhando o trajeto das veias e a pele, e continua com o ultrassom Doppler venoso, que faço na própria consulta. O Doppler mostra se a safena magna tem refluxo, em qual segmento ele começa, qual o diâmetro da veia e quais tributárias estão recebendo esse sangue. Também afasta trombose e avalia o sistema venoso profundo, o que é obrigatório antes de qualquer tratamento. Com esse mapa, desenho na pele o trajeto das veias que serão tratadas e você sai da consulta com o diagnóstico e o plano de cuidado.

Tratamento das veias grossas na coxa na Clínica VHG

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Final do tratamento de uma veia grossa vinda da safena: a pele que estava prestes a abrir uma úlcera venosa já recuperou.

Antigamente, veias calibrosas na coxa significavam cirurgia com cortes: retirada da safena e das tributárias sob raquianestesia, com internação e semanas de repouso. Hoje, na Clínica VHG, em Fortaleza, tratamos essas veias sem cortes e sem pontos, em ambiente ambulatorial:

  • Endolaser da safena. Uma fibra de laser é introduzida por punção dentro da veia safena, guiada pelo ultrassom, e cauteriza a veia por dentro. É o padrão-ouro recomendado pelas diretrizes europeias (ESVS 2022) e pelo NICE para o refluxo da safena. Feito com anestesia local tumescente, sem internação. Explico o passo a passo em endolaser para varizes.
  • Ablação das tributárias com endolaser. É a técnica que aparece no vídeo. Em vez de retirar cada veia grossa com cortes, colocamos pequenos cateteres (abocates) ao longo da veia e passamos a fibra do laser por dentro deles. A fibra cauteriza a veia calibrosa em todo o trajeto, na coxa e na perna, sem incisão e sem pontos.
  • Espuma densa guiada por ultrassom. Para tributárias mais tortuosas ou em segmentos onde a fibra não passa, a espuma fecha a veia de dentro para fora. Veja tratamento de varizes com espuma.
  • Escleroterapia e laser transdérmico para as microvarizes e os vasinhos que restam, em uma etapa seguinte.

Terminado o procedimento, o paciente já dá os primeiros passos na sala e caminha normalmente. Eu sempre peço que ele faça alguns exercícios de panturrilha ali mesmo, para sentir confiança na perna, e ele vai para casa. A recuperação é com meia de compressão e caminhadas diárias; a maioria volta ao trabalho em um ou dois dias. Detalhes em recuperação após o endolaser.

Quem mora fora de Fortaleza pode começar por teleconsulta e chegar com o tratamento planejado: veja cirurgião vascular no Ceará.

O que acontece se não tratar

Veia grossa alimentada por refluxo não regride. Ao longo dos anos, a pressão venosa alta leva a inchaço, manchas acastanhadas (dermatite ocre), endurecimento da pele e, nos casos mais avançados, úlcera venosa perto do tornozelo. Veias calibrosas muito superficiais também podem sangrar ou inflamar (flebite). Tratar a origem cedo é mais simples, mais barato e evita essas complicações. Escrevi sobre isso em o que acontece se não tratar varizes.

Quando procurar o cirurgião vascular

Procure avaliação se as veias da coxa estão aumentando, se há peso, dor, inchaço ou coceira, se apareceu mancha ou endurecimento perto do tornozelo, ou se você já teve flebite ou sangramento. Procure no mesmo dia se a perna inchou de forma súbita e dolorida de um lado só, o que pode ser trombose venosa profunda. E mesmo sem sintomas, se a veia é calibrosa e há varizes na família, vale um Doppler para saber a origem antes que a doença avance.

Perguntas frequentes

Veias grossas na coxa são perigosas?

São varizes, ou seja, doença venosa crônica, e tendem a progredir. O risco imediato é baixo, mas ao longo dos anos podem causar inchaço, manchas, flebite, sangramento e úlcera. O ideal é avaliar com Doppler e tratar a origem, que costuma ser o refluxo da veia safena.

Por que a veia grossa aparece na coxa?

Porque a veia safena magna, que passa pela face interna da coxa, perdeu a função das válvulas e o sangue passou a refluir. Esse sangue escapa pelas veias tributárias da coxa, que dilatam e ficam grossas e saltadas.

Veia grossa na coxa precisa de cirurgia com cortes?

Hoje, na maioria dos casos, não. A safena é tratada com endolaser por punção, e as veias grossas da coxa e da perna com ablação por laser dentro de pequenos cateteres ou com espuma densa. Tudo com anestesia local, sem cortes, sem pontos e sem internação.

Depois do endolaser eu saio andando?

Sim. Terminado o procedimento, o paciente dá os primeiros passos na sala e caminha normalmente. Pedimos alguns exercícios de panturrilha ali mesmo, o paciente usa meia de compressão e faz caminhadas diárias em casa. A maioria volta ao trabalho em um ou dois dias.

Adianta tratar só a veia grossa sem tratar a safena?

Não. Se a safena continua com refluxo, a pressão persiste e novas veias grossas aparecem. Por isso o tratamento começa pela origem, identificada no Doppler, e depois trata as tributárias e os vasinhos.

Leia também: Veia safena magna: quando e como tratar · Veias saltadas nas pernas · Endolaser para varizes

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes de insuficiência venosa crônica. 2015.

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