Você concorda que existem tipos de vasinhos nas pernas completamente diferentes entre si? No vídeo, mostro fotos de pacientes que chegam todo dia ao consultório: vasinhos finos e vermelhos, vasinhos mais pigmentados, veias esverdeadas e varizes bem mais grossas. Para cada situação, a gente precisa analisar o que vai ser preciso fazer de tratamento e, por consequência, qual vai ser a expectativa de melhora. Neste artigo explico cada tipo e o que é realista esperar.
Por que classificar os vasinhos importa
"Vasinho" é uma palavra popular que engloba veias muito diferentes em calibre, profundidade, cor e origem. A classificação CEAP, usada pelos cirurgiões vasculares, separa telangiectasias (até 1 mm), veias reticulares (1 a 3 mm) e varizes (acima de 3 mm). Na prática do consultório, eu costumo pensar em quatro grupos, porque é assim que o tratamento e a expectativa se organizam.
Errar a classificação é errar o tratamento. Aplicar em um vasinho fino sem tratar a veia esverdeada que o alimenta faz ele voltar em meses. Tratar uma variz grossa sem investigar a safena é pedir para o problema reaparecer.
Tipo 1: vasinhos finos e vermelhos
São as telangiectasias, vasos muito finos, na camada mais superficial da pele, em tom vermelho ou rosado. Aparecem em leque, em teia ou em pequenos ramos na coxa, atrás do joelho e no tornozelo. São os mais comuns e os que mais incomodam pela estética.
Aqui vale ser honesto: os vasinhos mais finos têm, em geral, expectativa de melhora um pouco mais baixa do que as varizes grossas. Eles respondem bem à escleroterapia com glicose ou polidocanol e ao laser transdérmico 1064 nm, mas costumam precisar de várias sessões e de manutenção ao longo dos anos, porque a tendência a formar novos vasos é genética. Melhora grande é possível; desaparecimento total e permanente não é uma promessa que eu faça.
Tipo 2: vasinhos pigmentados, roxos ou azulados
Um pouco mais grossos que os vermelhos, um pouco mais profundos, em tons de roxo e azul. Alguns já vêm com pigmentação acastanhada ao redor, sinal de que estão ali há tempo. São as venulectasias, que explico em detalhe em venulectasia: os vasinhos azulados.
Esses respondem bem à escleroterapia e, por serem um pouco maiores, costumam ter melhora mais previsível que os finos. O cuidado é com a mancha: a pigmentação já existente e a que pode surgir no processo de absorção exigem proteção solar e, quando persiste, laser específico para hemossiderina.
Tipo 3: veias esverdeadas (as nutridoras)
As veias verdes que aparecem sob a pele, muitas vezes ligadas a um "ninho" de vasinhos vermelhos, são as veias reticulares que funcionam como nutridoras. Elas trazem o refluxo que enche os vasinhos da superfície. Quando o tratamento ignora a nutridora, o vasinho tratado volta ou aparece outro ao lado.
Por isso, na Clínica VHG, toda sessão de vasinhos começa pela busca das nutridoras com o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias até cerca de 10 mm de profundidade. Tratada a nutridora, a escleroterapia nos vasinhos ganha durabilidade. Veja mais em vasinhos podem ser sinal de safena doente.
Tipo 4: varizes grossas que vêm da safena
Veias saltadas, tortuosas, azuladas ou da cor da pele, que aparecem em pé e diminuem ao deitar. Quase sempre têm origem em uma safena ou em uma veia perfurante com refluxo. Parecem o caso mais difícil, mas é o contrário: quando a fonte é tratada, a expectativa de melhora é muito alta, chegando perto de 100%.
O tratamento é o endolaser da safena, com anestesia local e sem internação, seguido de espuma densa nas veias calibrosas restantes. Depois disso, os vasinhos que dependiam daquela pressão murcham ou ficam muito mais fáceis de tratar.
Como avaliamos e tratamos cada tipo
A avaliação é o que separa os grupos. Na consulta, examino a perna em pé, faço o ultrassom Doppler venoso da virilha ao tornozelo e uso o VeinViewer nas áreas de vasinhos. Com esse diagnóstico integrado, montamos o plano de cuidado na ordem certa:
- Safena e veias calibrosas com refluxo: endolaser;
- Varizes grossas sem dependência da safena: espuma densa guiada por ultrassom, em consultório;
- Veias nutridoras e vasinhos até 3 mm: escleroterapia ampliada, com o esclerosante escolhido por caso;
- Vasinhos finos e vermelhos: escleroterapia e laser transdérmico 1064 nm, combinados no esclerolaser quando indicado.
Tudo é feito em Fortaleza, na Clínica VHG, sem internação. Quem mora em outra cidade do Ceará pode começar por teleconsulta e vir para o Doppler e as sessões; veja em cirurgião vascular no Ceará.
Alinhar a expectativa na primeira consulta
A gente conversa muito sobre isso aqui no consultório. Saber que tipo de vasinho você tem é saber o que esperar: quantas sessões, quanto de melhora, quanta manutenção. Quem entra no tratamento com a expectativa alinhada ao seu tipo de vaso quase sempre termina satisfeito. Quem espera que um vasinho fino suma como uma variz grossa costuma se frustrar, mesmo com um bom resultado. Por isso a primeira consulta com o seu cirurgião vascular é o momento mais importante de todo o processo.
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de vasinhos nas pernas?
Na prática, quatro grupos: vasinhos finos e vermelhos (telangiectasias), vasinhos um pouco mais grossos e pigmentados, em tons roxos ou azulados (venulectasias), veias esverdeadas sob a pele, que são as veias nutridoras, e varizes grossas, saltadas, que em geral vêm de uma safena doente. Cada grupo tem um tratamento e uma expectativa de melhora diferentes.
Vasinhos finos somem completamente com o tratamento?
Os vasinhos mais finos são os que têm a expectativa de melhora mais modesta e a maior tendência a surgir novamente com o tempo, por predisposição genética. Melhoram bastante com escleroterapia e laser transdérmico, mas costumam exigir mais sessões e manutenção periódica. Por isso alinhamos essa expectativa antes de começar.
O que são as veias verdes nas pernas?
Quase sempre são veias nutridoras: veias reticulares que alimentam os vasinhos vermelhos e roxos da superfície. Tratar só o vasinho sem tratar a nutridora faz ele voltar rápido. Com o VeinViewer, aparelho de infravermelho, enxergamos essas veias mesmo quando não são visíveis a olho nu.
Varizes grossas são mais difíceis de tratar que os vasinhos?
Ao contrário do que parece, não. As varizes grossas que dependem da safena costumam ter a expectativa de melhora mais alta, chegando perto de 100%, porque tratar a fonte de pressão com endolaser e espuma resolve o conjunto. O que exige mais paciência é o vasinho fino.
Como o médico define o tratamento para cada tipo?
Com o exame em pé, o ultrassom Doppler e o VeinViewer, feitos na consulta. Eles mostram se existe refluxo na safena ou em perfurantes, quais nutridoras alimentam os vasinhos e o calibre de cada veia. A partir desse mapa definimos a ordem e a técnica: endolaser, espuma densa, escleroterapia ou laser transdérmico.