Muita gente adia o cuidado com as pernas por um motivo só: não pode parar. É comum chegar ao consultório mulheres de 40 a 60 anos que querem um tratamento de varizes sem afastamento do trabalho, sem internação e sem semanas de repouso, porque a rotina delas não comporta isso. A boa notícia é que hoje isso é a regra, não a exceção: a safena e as veias grossas podem ser tratadas em consultório, com anestesia local, e a paciente volta às atividades no mesmo dia. Explico como funciona no vídeo e no texto abaixo.
Por que tanta gente adia o tratamento de varizes
Quem procura a clínica costuma equilibrar três coisas ao mesmo tempo: o trabalho, a casa e a família, e o próprio cuidado com a saúde. Quando o tratamento de varizes é imaginado como "cirurgia, anestesia na coluna, internação e 15 dias de atestado", ele vai para o fim da fila. Esse é o desafio de boa parte das pacientes que atendo em Fortaleza: não é falta de vontade, é falta de espaço na agenda para um afastamento.
O problema é que adiar tem custo. Varizes são uma doença progressiva: o refluxo que hoje causa peso e cansaço no fim do dia tende, com os anos, a produzir inchaço, manchas escuras e, em alguns casos, ferida. Explico isso em detalhe em o que acontece se não tratar varizes.
O que mudou: tratar a safena e as veias grossas sem cirurgia
A imagem de cirurgia com cortes, arrancamento da safena e repouso prolongado vem da técnica antiga. Hoje o endolaser é considerado o padrão-ouro para tratar a veia safena doente: é o tratamento mais indicado pelas diretrizes americana, europeia e brasileira. Em vez de retirar a veia, uma fibra de laser fina é introduzida por uma punção de agulha, guiada por ultrassom, e fecha a safena por dentro.
O que torna isso compatível com a rotina de trabalho:
- Anestesia local tumescente. Não há anestesia geral nem raquianestesia. A paciente fica acordada, conversando, e vai embora andando.
- Feito em consultório. Sem internação hospitalar, sem jejum prolongado, sem centro cirúrgico.
- Sem cortes. A entrada é uma punção de agulha; não há pontos na virilha nem incisões ao longo da perna.
- Alta no mesmo dia. A paciente sai caminhando, com a meia de compressão, e está apta a retomar atividades leves, em casa ou no trabalho.
As veias grossas e tortuosas que dependem da safena, quando não são fechadas pelo próprio endolaser, são tratadas com espuma densa guiada por ultrassom, também em consultório. Na Clínica VHG não fazemos cirurgia convencional com cortes; a alternativa para praticamente todos os casos é essa combinação de endolaser, espuma e escleroterapia.
Como é o dia do procedimento
Para quem precisa encaixar o tratamento entre compromissos, vale saber o que acontece de fato:
- Chegada e marcação. Refazemos o ultrassom Doppler em pé, conferimos a safena e marcamos na pele as veias que serão tratadas naquele dia.
- Anestesia local. O anestésico é infiltrado ao redor da veia, sob visão do ultrassom. É a etapa que a maioria descreve como "picadas" e leve pressão.
- Endolaser. A fibra é posicionada e a safena é fechada de cima para baixo. O fechamento em si leva em torno de 20 a 40 minutos por perna.
- Curativo e meia. Um curativo pequeno no ponto de entrada; a meia de compressão é vestida na clínica.
- Saída caminhando. Orientamos andar 20 a 30 minutos ainda no mesmo dia. Não é preciso ficar deitada.
No total, a paciente costuma passar de duas a três horas na clínica. Muitas voltam para o trabalho no dia seguinte; algumas, dependendo da função, no próprio dia. Detalho semana a semana em recuperação após o endolaser.
E quando o problema são só os vasinhos?
Nem todo paciente com varizes tem problema na safena. Às vezes o que incomoda são os vasos superficiais, aqueles que causam vergonha de usar short ou vestido. Esses casos também são resolvidos em consultório, em sessões curtas que cabem num horário de almoço:
- Laser transdérmico 1064 nm: um aparelho que trata os vasinhos por fora da pele, sem agulha, e também ajuda a fechar as veias que os originaram.
- Escleroterapia ampliada: aplicação de glicose ou polidocanol nos vasinhos e microvarizes de até 3 mm, escolhida caso a caso.
- Veias nutridoras: com o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, enxergamos as veias que alimentam os vasinhos e tratamos a origem, não só o que aparece.
Tratar a veia que alimenta o vasinho é o que dá um resultado mais duradouro do que as aplicações tradicionais isoladas. Comparo as duas tecnologias em laser transdérmico ou endolaser.
Como avaliamos: Doppler na própria consulta
Saber se você precisa de endolaser ou só de tratamento dos vasinhos não é chute: é o ultrassom Doppler, feito em pé, na própria consulta, que mostra se a safena tem refluxo e de onde vem a pressão que dilata as veias visíveis. No mesmo dia você sai com o diagnóstico e o plano de cuidado, com o número estimado de etapas e como elas se encaixam na sua agenda. Pacientes de outras cidades do Ceará podem começar por teleconsulta e concentrar exame e procedimento em uma única vinda a Fortaleza.
Volta ao trabalho: o que esperar nos primeiros dias
"Sem afastamento" não significa "sem nenhum cuidado". O que oriento para quem vai trabalhar logo depois:
- Caminhar faz parte do tratamento: três caminhadas curtas por dia, e levantar da cadeira a cada hora se o trabalho é sentado.
- Meia de compressão nos primeiros dias, conforme a orientação dada na clínica.
- Roxos e sensação de cordão no trajeto da safena são esperados na primeira semana e não impedem o trabalho.
- Esforço pesado, como carregar peso ou treino intenso de perna, fica para depois do retorno de controle, em geral na primeira semana.
- Trabalho em pé o dia todo é compatível, desde que com a meia e com pausas para andar. Se a sua função exige muitas horas parada em pé, a gente ajusta o dia do procedimento para uma véspera de folga.
Cada organismo responde de um jeito, e a decisão de quando voltar é individual. O que posso dizer é que, na prática da clínica, a grande maioria das pacientes não precisa de atestado além do dia do procedimento.
Quando procurar o cirurgião vascular
Se você tem veias saltadas, vasinhos que se multiplicam, peso, cansaço ou inchaço no fim do dia, e vem adiando porque acha que não pode parar, vale marcar a avaliação. Descobrir que o tratamento cabe na rotina costuma ser o que destrava a decisão. E se a sua safena estiver saudável, melhor ainda: o plano será só dos vasinhos, em sessões ainda mais rápidas.
Perguntas frequentes
Dá para tratar varizes sem se afastar do trabalho?
Sim. Endolaser, espuma densa e escleroterapia são feitos em consultório, com anestesia local, e a paciente sai caminhando no mesmo dia. A maioria volta ao trabalho no dia seguinte ou no próprio dia, dependendo da função, sem necessidade de atestado prolongado.
Preciso de atestado depois do endolaser?
Em geral, apenas para o dia do procedimento. Trabalhos sentados ou com deslocamento leve podem ser retomados no dia seguinte, com a meia de compressão e pausas para caminhar. Funções com esforço pesado ou muitas horas parada em pé podem exigir um ajuste de um ou dois dias, definido caso a caso.
O tratamento de varizes sem cirurgia funciona para veias grossas e para a safena?
Funciona. O endolaser é o tratamento de primeira escolha para a safena doente nas diretrizes europeia, americana e brasileira, e as veias grossas dependentes dela são tratadas com espuma densa guiada por ultrassom. Ambos são feitos em consultório, sem cortes e sem internação.
Quantas vezes vou precisar ir à clínica?
Depende do que o Doppler mostrar. Um caso com safena doente costuma ter o endolaser em um dia, um retorno de controle na primeira semana e sessões de espuma ou escleroterapia para as veias restantes ao longo dos meses seguintes. Cada visita é de consultório e não exige afastamento.
Posso dirigir e voltar sozinha depois do procedimento?
Como a anestesia é local e não há sedação, a maioria das pacientes está apta a dirigir. Ainda assim, no dia do endolaser recomendamos vir acompanhada ou de carro por aplicativo, por conforto, e caminhar antes de sentar por muito tempo.