Varizes

Vasinhos nas coxas: causas e tratamento

Vasinhos nas coxas são uma das queixas mais comuns no consultório. Vasos finos, vermelhos ou azulados, que aparecem na parte interna ou lateral da coxa e, para muita gente, viram motivo para deixar o short no armário por anos. O que eu sempre explico é que eles não são só uma questão estética: fazem parte de uma doença venosa progressiva, e tratar cedo é o que dá os melhores resultados. Aqui explico por que aparecem, como evoluem e como tratamos.

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Dr. Victor explica por que os vasinhos nas coxas evoluem e por que vale tratar cedo.

O que são os vasinhos nas coxas

Vasinhos são pequenas veias dilatadas logo abaixo da pele. Os mais finos, vermelhos, são as telangiectasias; os um pouco maiores, azulados ou esverdeados, são as veias reticulares. Na coxa eles costumam se organizar em redes, na face interna, na lateral e atrás, perto da dobra do glúteo. A classificação CEAP os coloca nos estágios C1 da doença venosa crônica: o começo da história, e não um problema isolado.

Por que aparecem justamente na coxa

Quase sempre existe uma veia por baixo alimentando a rede visível. Pode ser uma veia nutridora, que a gente enxerga com o VeinViewer, uma veia reticular mais profunda ou, em parte dos casos, refluxo na veia safena magna, que desce pela face interna da coxa. Por isso tratar apenas o vaso visível, sem procurar a origem, costuma dar resultado curto. Explico essa relação em vasinhos podem ser safena doente.

Os fatores que favorecem o surgimento são os mesmos das varizes: herança genética em primeiro lugar, hormônios femininos, gestações, excesso de peso e muitas horas paradas em pé ou sentado.

A evolução é progressiva, e não linear

Varizes é uma doença de evolução progressiva, e eu diria até exponencial: quanto mais veias doentes a pessoa tem na perna, mais rápido novas veias aparecem, porque cada veia com refluxo aumenta a pressão sobre as vizinhas. Recebo com frequência pacientes que passaram anos com receio de usar uma roupa mais curta e foram adiando o tratamento, até chegar em um momento em que ficou insustentável.

Um exemplo é o tipo de caso que mostro no vídeo: muita veia fina que, com o tempo, evoluiu para vasos com relevo, que a gente chama de venulectasia. Antigamente esses vasos manchavam muito a perna quando tratados. Hoje, mesmo casos assim, com 20 ou 30 anos de evolução, a gente consegue tratar, inclusive as manchas, dentro de um acompanhamento planejado.

Vasinhos nas coxas são só estética?

Não. Varizes é uma doença que pode levar a complicações, e elas vão das menores, como manchas e fibrose da pele, até úlceras venosas. Como é crônica e progressiva, quem começou a ter vasinhos cedo na vida tem décadas pela frente para essa evolução acontecer. Quando a gente intervém no começo, evita um problema lá na frente e também evita anos de limitação, seja por dor, peso e cansaço nas pernas, seja pela limitação estética de se incomodar com a aparência das pernas. Explico esse percurso em o que acontece se eu não tratar as varizes.

Como avaliamos: Doppler e VeinViewer na consulta

Na consulta, aqui em Fortaleza, faço o exame em pé e o ultrassom Doppler venoso na hora. O objetivo é descobrir de onde vem a pressão que alimenta os vasinhos: safena, perfurante ou veia nutridora. Em seguida, com o VeinViewer, um aparelho de infravermelho que enxerga veias a até 10 mm de profundidade, mapeio as nutridoras que o olho não vê. Com esse mapa, o diagnóstico e o plano de cuidado saem no mesmo dia.

Tratamento dos vasinhos nas coxas na Clínica VHG

Dentro do Modelo VHG™ a gente combina técnicas conforme o tipo de vaso, sempre em consultório e sem cirurgia:

  • Veias nutridoras e microvarizes: escleroterapia, com glicose ou polidocanol escolhidos caso a caso, tratando primeiro a origem e depois a rede visível;
  • Vasinhos mais finos e vermelhos: laser transdérmico 1064 nm, sozinho ou combinado à escleroterapia (esclerolaser);
  • Venulectasias e veias reticulares calibrosas: escleroterapia ampliada ou espuma densa, conforme o calibre;
  • Refluxo na safena: endolaser, com anestesia local, antes de tratar a rede superficial;
  • Manchas residuais: laser específico para hemossiderina depois de eliminada a causa.

O tratamento é feito em fases: uma etapa intensiva, uma de otimização e um refinamento final, em geral três a quatro vindas, seguidas de manutenção anual. Não prometo perna sem nenhum vaso, porque a tendência genética continua; o que a gente busca é eliminar o que existe, frear a progressão e melhorar o resultado estético a cada etapa.

Quando procurar o cirurgião vascular

Não é preciso esperar dor. Se os vasinhos nas coxas estão aumentando, se surgiram vasos com relevo ou manchas, se você sente peso e cansaço no fim do dia ou se simplesmente deixou de usar short por causa deles, esse é o momento. Quanto mais cedo, mais simples e melhor o resultado. Pacientes de outras cidades podem começar por teleconsulta, como explico em cirurgião vascular no Ceará.

Perguntas frequentes

Vasinhos nas coxas somem sozinhos?

Não. Vasinhos são veias dilatadas e não regridem espontaneamente. Sem tratamento, a tendência é aumentarem em número e calibre, porque cada veia com refluxo aumenta a pressão sobre as vizinhas.

Qual o melhor tratamento para vasinhos nas coxas?

Depende da origem. Veias nutridoras e microvarizes respondem bem à escleroterapia; vasinhos muito finos, ao laser transdérmico; quando há refluxo na safena, ela precisa ser tratada primeiro, com endolaser. Na prática, combinamos as técnicas conforme cada vaso.

Tratar vasinhos na coxa mancha a pele?

Pode haver pigmentação temporária, principalmente em vasos mais calibrosos, que costuma clarear ao longo dos meses. Escalar a potência do tratamento aos poucos e tratar a veia de origem reduz esse risco, e manchas persistentes têm tratamento com laser específico.

Quantas sessões são necessárias?

Em média, três a quatro vindas ao consultório: fase intensiva, otimização em cerca de dois meses e refinamento final, seguidas de manutenção anual. O número exato depende da quantidade de vasos e da resposta de cada pessoa.

Vasinhos na coxa podem virar varizes?

Sim. Eles fazem parte da mesma doença venosa crônica e progressiva. Com os anos, a rede de vasinhos pode evoluir para veias reticulares, venulectasias e varizes maiores, com risco de manchas e fibrose da pele.

Leia também: Venulectasia: o vasinho com relevo · Veias grossas na coxa · Escleroterapia em Fortaleza

Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  2. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168. 2013.
  4. Rabe E, Pannier F. Epidemiology of chronic venous disorders. In: Gloviczki P, ed. Handbook of Venous and Lymphatic Disorders. 4th ed. CRC Press; 2017.

Vasinhos nas coxas aumentando?

Avaliação com cirurgião vascular, ultrassom Doppler e VeinViewer na própria consulta, em Fortaleza: encontramos a veia de origem e montamos o plano de cuidado no mesmo dia.

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