Como funciona o tratamento de varizes passo a passo? Essa é uma das perguntas que mais recebo, e a melhor forma de responder foi abrir as portas da clínica. No vídeo abaixo mostro as salas onde os procedimentos acontecem e uma paciente muito especial em dia de manutenção: minha mãe. A partir dela, explico como avaliamos, por que combinamos técnicas e quais são as fases do tratamento, do primeiro dia até o acompanhamento anual.
Onde o tratamento acontece
A Clínica VHG, em Fortaleza, tem duas salas dedicadas ao tratamento de varizes. Nelas ficam todos os equipamentos que permitem tratar sem necessidade de cirurgia: ultrassom Doppler, VeinViewer, laser transdérmico, material de escleroterapia e espuma densa, além da estrutura para o endolaser com anestesia local. No dia do vídeo, a Dra. Gabriela Bernhardt estava em uma das salas atendendo a paciente que eu conheço há mais tempo.
Um caso de décadas: minha mãe
Minha mãe tem varizes há muito tempo. Na minha adolescência inteira eu lembro dela em casa com a perna enfaixada, depois de mais uma cirurgia. Foram quatro ao longo da vida, e as duas safenas foram retiradas cirurgicamente. Desde que me formei cirurgião vascular, a gente cuida dela sem operar: pelo menos uma vez por ano ela faz o acompanhamento e trata os vasinhos mais finos que vão aparecendo com o tempo.
Naquele dia ela se queixou de uma dor na virilha, e apareceram alguns vasos perto dessa região. Por isso, antes de tratar, a gente fez um Doppler para ver se havia alguma alteração na circulação associada à dor. É assim que funciona sempre: primeiro o mapa, depois o tratamento. Explico esse tipo de situação em as varizes voltaram depois da cirurgia.
Primeiro passo: avaliação com Doppler na consulta
Todo tratamento começa pela avaliação. Faço o exame em pé, para ver as veias sob a pressão real do dia a dia, e o ultrassom Doppler venoso na própria consulta. Ele mostra se existe refluxo na safena, em veias perfurantes ou em veias nutridoras, e é isso que define qual técnica vai ser usada em cada veia. Nos vasinhos, o VeinViewer, um aparelho de infravermelho, mostra as veias nutridoras que o olho não enxerga. Com o mapa pronto, o diagnóstico e o plano de cuidado saem no mesmo dia.
Por que combinamos técnicas: o tratamento híbrido
Uma mesma paciente pode ter vasos finos e vasos grossos, superficiais e profundos, na coxa e no pé, azuis e vermelhos. Cada tipo de vaso tem um tratamento mais adequado, e por isso, dentro do Modelo VHG™, a gente sempre associa técnicas diferentes para chegar ao melhor resultado possível. No caso da minha mãe, por exemplo, a combinação é o laser transdérmico, que tem ação térmica e cauteriza o vaso por fora da pele, junto com a escleroterapia, a famosa aplicação, em que a gente pode usar substâncias diferentes conforme o vaso.
Um detalhe importante: quando começo o tratamento de alguém pela primeira vez, vou escalando a potência do tratamento de acordo com a necessidade. Isso evita complicações e dá um resultado estético melhor. Com a minha mãe, como acompanho há muitos anos, já sei o que responde bem para ela. Comparo as técnicas em laser transdérmico ou endolaser e em escleroterapia: espuma ou glicose.
Fase 1: intensiva, no primeiro dia
Todo paciente que inicia o tratamento passa pela fase intensiva. No primeiro dia a gente trata tudo o que aquele paciente tem, dentro do que o Doppler mostrou: safena com endolaser quando há refluxo, veias calibrosas com espuma densa, veias nutridoras e microvarizes com escleroterapia, vasinhos mais finos com laser transdérmico. É a etapa em que acontece a maior parte do tratamento, e muitas vezes ela pode ser feita já na primeira consulta, como explico em tratar varizes na primeira consulta.
Fase 2: otimização, em cerca de dois meses
O retorno costuma acontecer com uns dois meses. Nesse intervalo a perna responde: as veias tratadas vão sendo absorvidas, o inchaço some e os pontos de pigmentação inicial começam a clarear. Na otimização a gente reavalia com o Doppler, trata o que ficou parcialmente fechado e ajusta a potência, agora com a informação de como aquela perna respondeu à primeira etapa. Explico o que esperar nesse período em como fica a perna durante o tratamento de varizes.
Fase 3: refinamento final
Cerca de três meses depois da otimização vem o refinamento final. É a etapa dos detalhes: vasinhos residuais, pequenos pontos de mancha, um ou outro vaso que apareceu enquanto o restante era tratado. Em média, portanto, um tratamento completo pede três a quatro vindas ao consultório: uma fase intensiva, uma de otimização e uma de refinamento. O número exato depende da quantidade de veias e da resposta de cada pessoa; não existe promessa de sessão única.
Manutenção: uma vez por ano
Terminado o tratamento, entra a manutenção. Varizes é uma doença crônica com forte componente genético, e novas veias podem surgir ao longo dos anos. Por isso a gente combina um acompanhamento anual, em que o Doppler é repetido e os vasos novos são tratados enquanto ainda são pequenos. É exatamente o que a minha mãe faz hoje: já concluiu o tratamento dela e, uma vez por ano, vem manter. Detalho essa lógica em as varizes voltam depois do tratamento?.
Quando procurar e como começar de outra cidade
Se você tem varizes, vasinhos ou veias saltadas e quer entender o seu caso, o primeiro passo é a avaliação com Doppler. Recebemos pacientes de Fortaleza, do interior do Ceará e de estados vizinhos; quem mora longe pode começar por teleconsulta e concentrar as etapas presenciais em poucas vindas, como explico em cirurgião vascular no Ceará.
Perguntas frequentes
Quantas vezes preciso ir ao consultório para tratar varizes?
Em média, três a quatro vezes: uma fase intensiva no primeiro dia, uma etapa de otimização em cerca de dois meses e um refinamento final cerca de três meses depois. O número exato depende da quantidade de veias e da resposta de cada pessoa.
O tratamento de varizes começa na primeira consulta?
Pode começar. Como o ultrassom Doppler é feito na própria consulta, o diagnóstico e o plano saem no mesmo dia e, quando o caso permite, a fase intensiva já é realizada nesse primeiro encontro.
O que é tratamento híbrido de varizes?
É a combinação de técnicas diferentes na mesma perna, de acordo com cada tipo de veia: endolaser para a safena, espuma densa para veias calibrosas, escleroterapia para nutridoras e microvarizes e laser transdérmico para os vasinhos mais finos. É a base do Modelo VHG™.
Precisa de cirurgia com cortes?
Não. Na Clínica VHG todos os procedimentos são feitos em consultório, com anestesia local quando necessário e sem internação. A safena doente é tratada por dentro, com endolaser.
Depois do tratamento, as varizes voltam?
As veias tratadas não voltam, mas novas veias podem surgir ao longo dos anos porque a tendência genética permanece. Por isso fazemos um acompanhamento anual, tratando os vasos novos enquanto ainda são pequenos.