Saúde Vascular

Pernas e pés inchados na gravidez: o que é normal e quando investigar

Pernas e pés inchados na gravidez são esperados na maioria das gestações, principalmente a partir do segundo trimestre e no fim do dia, e melhoram ao deitar com as pernas elevadas. O inchaço acontece porque o volume de sangue aumenta, os hormônios relaxam a parede das veias e o útero comprime as veias do abdome, o que dificulta o retorno do sangue das pernas. Esse inchaço é simétrico, mole, piora com o calor e com o tempo em pé e some ou diminui pela manhã.

O que precisa ser investigado é o inchaço que foge desse padrão: uma perna só, de repente, com dor na panturrilha (sinal de trombose); inchaço que surge também no rosto e nas mãos, com dor de cabeça ou pressão alta (sinal de pré-eclâmpsia); e o inchaço que não melhora nem com repouso. Este artigo explica o que é normal em cada fase, o que alivia com segurança, qual meia de compressão a gestante pode usar e quais sinais não podem esperar até a próxima consulta do pré-natal.

Pernas inchadas na gravidez é normal?

Sim, na maior parte dos casos. Estima-se que até oito em cada dez gestantes tenham algum grau de edema nas pernas ou nos pés, sobretudo no terceiro trimestre. Três mecanismos se somam. O primeiro é o volume de sangue, que cresce cerca de 40% ao longo da gestação. O segundo é a progesterona, que relaxa a musculatura da parede das veias e deixa as válvulas menos eficientes. O terceiro é mecânico: o útero em crescimento comprime a veia cava e as veias ilíacas, e o sangue das pernas encontra mais resistência para subir. O resultado é líquido que sai dos vasos e se acumula no tornozelo e no pé.

Esse edema fisiológico tem características bem definidas: aparece nos dois lados, é mais intenso no fim do dia e no calor, deixa marca quando se aperta com o dedo e melhora após uma noite de sono. Se o seu inchaço é assim, ele não indica doença, embora possa ser bastante incômodo e mereça medidas de alívio.

Pernas inchadas no início da gravidez: é comum?

No primeiro trimestre, o inchaço nas pernas é pouco comum, porque o útero ainda é pequeno e o volume de sangue começou a subir há pouco. Pernas cansadas, sensação de peso e dor nas pernas no início da gravidez costumam vir do efeito hormonal sobre as veias, e não de retenção importante de líquido. Inchaço significativo nas primeiras semanas, principalmente em uma perna só, deve ser avaliado, porque a gravidez aumenta o risco de trombose desde o primeiro trimestre.

Pernas inchadas no final da gravidez: 8 e 9 meses

É o período de maior inchaço. Aos 8 e 9 meses o útero está no tamanho máximo, o peso corporal é o maior da gestação e a compressão sobre as veias do abdome é mais intensa. Pés que não cabem mais no sapato, tornozelos que somem e marca do elástico da meia são frequentes. O que diferencia o normal do que precisa de atenção é o padrão: inchaço nos dois pés, que melhora ao deitar, é esperado; inchaço que surge de um dia para o outro no rosto e nas mãos, ganho de peso rápido, dor de cabeça forte, visão embaçada ou dor na parte alta da barriga são sinais de pré-eclâmpsia e exigem avaliação obstétrica no mesmo dia.

Pernas inchadas na gravidez: o que fazer?

As medidas que funcionam agem contra os três mecanismos do edema:

  • Elevar as pernas acima do nível do coração por 15 a 20 minutos, duas ou três vezes ao dia, e dormir de lado, de preferência o esquerdo, o que reduz a compressão do útero sobre a veia cava.
  • Caminhar e fazer exercícios de panturrilha: a contração do músculo empurra o sangue para cima. Hidroginástica e caminhada na água são especialmente boas, porque a pressão da água ajuda a drenar o líquido.
  • Evitar ficar muito tempo em pé ou sentada sem se mexer: a cada hora, levante e ande por alguns minutos; sentada, mexa os pés para cima e para baixo.
  • Meia de compressão colocada pela manhã, antes de o inchaço se formar. É a medida com mais respaldo na literatura para reduzir sintomas venosos na gestação.
  • Hidratação e sal moderado: beber água normalmente e evitar excesso de sal. Não é para cortar água nem para tomar diurético por conta própria: diuréticos não são indicados para o edema normal da gravidez.
  • Roupas e sapatos confortáveis, sem elásticos apertados na cintura, na virilha ou na panturrilha.

Como aliviar pé inchado na gravidez

Para o pé, além das medidas acima, ajudam banhos de imersão em água fria ou morna até a panturrilha por 15 a 20 minutos, sapato com meio número maior e sola firme, e evitar chinelo rasteiro por longos períodos, que sobrecarrega a musculatura da perna. Drenagem linfática manual feita por profissional habituado a gestantes é segura e alivia bastante, embora o efeito seja temporário. Massagens vigorosas na panturrilha não devem ser feitas quando há suspeita de trombose.

Meia de compressão para gestante: qual a melhor?

Gestante pode e, se tem sintomas, deve usar meia de compressão graduada. A escolha segue três critérios:

  • Compressão: 15-20 mmHg para inchaço e cansaço leves; 20-30 mmHg quando há varizes, peso importante ou orientação médica. Compressões maiores só com indicação específica.
  • Modelo: a meia 3/4 (até o joelho) resolve a maioria dos casos de pé e tornozelo inchados. Quando existem varizes na coxa ou na virilha, a meia-calça para gestante, com painel elástico que acompanha a barriga, ou o modelo 7/8 são mais adequados.
  • Tamanho: medido no tornozelo e na panturrilha, pela manhã, na tabela do fabricante. A medida deve ser refeita ao longo da gestação, porque a perna muda.

A meia deve ser colocada logo ao acordar e retirada para dormir. Ensinamos o passo a passo em como calçar meia de compressão e comparamos modelos e marcas em qual meia de compressão comprar.

Trombose na gravidez: sintomas que não podem esperar

A gestação e as seis semanas após o parto aumentam em cerca de quatro a cinco vezes o risco de trombose venosa profunda, e a trombose é uma das principais causas de complicação grave materna. Na gravidez, ela acontece com mais frequência na perna esquerda, por causa da compressão da veia ilíaca esquerda. Os sinais que exigem ultrassom Doppler no mesmo dia são:

  • inchaço que aparece em uma perna só, ou muito maior de um lado;
  • dor na panturrilha ou na coxa que não melhora com repouso, às vezes com sensação de "perna dura";
  • pele mais quente, avermelhada ou arroxeada na perna inchada;
  • dor na virilha ou na parte baixa da barriga de um lado, com inchaço da perna inteira;
  • falta de ar súbita, dor no peito ao respirar ou tosse com sangue, que indicam possível embolia pulmonar e são emergência.

O ultrassom Doppler venoso é seguro na gestação, não usa radiação e é o exame de escolha. Quem já teve trombose, tem trombofilia diagnosticada, está acima do peso, faz repouso prolongado ou teve gestação por fertilização assistida tem risco maior e deve conversar sobre prevenção com o obstetra e o cirurgião vascular. Entenda os sinais em trombose venosa profunda e a diferença para uma veia inflamada em flebite ou trombose.

Dor nas pernas na gravidez é normal?

Peso, cansaço e dor difusa no fim do dia são comuns e têm a mesma origem do inchaço. Cãibras noturnas na panturrilha também são frequentes, sobretudo no terceiro trimestre. O que precisa ser avaliado é a dor localizada e persistente em uma perna só, a dor ao longo de uma veia que ficou endurecida e vermelha (flebite superficial, comum em quem já tem varizes) e a dor que vem acompanhada de inchaço assimétrico. Varizes que aparecem ou pioram na gestação, incluindo as da vulva e da virilha, têm página própria: varizes na gravidez.

Varizes na gravidez pode causar trombose?

Varizes aumentam o risco de flebite superficial e são um dos fatores considerados no cálculo de risco de trombose na gestação, ao lado de idade acima de 35 anos, sobrepeso, gestação múltipla, imobilidade e histórico pessoal ou familiar. Ter varizes não significa que a trombose vai acontecer, mas justifica atenção redobrada aos sinais listados acima e o uso de meia de compressão ao longo da gestação. Depois do parto, entre 30% e 60% das varizes que surgiram na gravidez regridem, e por isso o tratamento é avaliado de três a seis meses após o nascimento.

Como avaliamos pernas inchadas na gravidez na Clínica VHG, em Fortaleza

A gestante é atendida pelo Dr. Victor Hugo ou pela Dra. Gabriela Bernhardt, ambos cirurgiões vasculares, com ultrassom Doppler das pernas feito na própria consulta. O exame diferencia o edema fisiológico da trombose e do refluxo venoso, mapeia as varizes que apareceram na gestação e orienta a compressão certa para cada fase. Dentro do Modelo VHG™, avaliamos circulação, gordura, pele e função, porque a gravidez também é um dos gatilhos do lipedema, e pernas que "incharam e não voltaram" depois do parto merecem esse olhar. Não fazemos procedimentos em veias durante a gravidez: o plano de tratamento, quando necessário, é definido no retorno após o puerpério. O atendimento é no RioMar Trade Center, no Papicu, de segunda a sexta, das 8h às 18h; conheça o exame em ultrassom Doppler venoso em Fortaleza.

O que você pode fazer hoje

  • Compare as duas pernas na frente do espelho, de manhã e à noite: inchaço só de um lado é motivo de avaliação no mesmo dia.
  • Meça a pressão se o inchaço chegou ao rosto e às mãos, e avise o obstetra.
  • Coloque a meia de compressão logo ao acordar e programe pausas para caminhar a cada hora.
  • Se já teve trombose ou tem casos na família, leve essa informação para o pré-natal e para a avaliação vascular.

Perguntas frequentes

É normal pé inchado na gravidez?

Sim, na maioria das gestações, principalmente a partir do segundo trimestre, no fim do dia e no calor. O inchaço normal é nos dois pés, mole, e melhora ao deitar com as pernas elevadas e após uma noite de sono.

Pernas inchadas na gravidez aos 5 ou 6 meses é normal?

É comum: é a fase em que o útero começa a comprimir as veias do abdome e o volume de sangue já está bem maior. O que precisa ser avaliado é o inchaço em uma perna só, o que surge de repente ou o que vem com dor na panturrilha, rosto e mãos inchados ou pressão alta.

Pé inchado na gravidez: como desinchar?

Eleve as pernas acima do coração por 15 a 20 minutos algumas vezes ao dia, durma de lado, caminhe e mexa os pés quando estiver sentada, use meia de compressão desde a manhã, beba água normalmente e evite excesso de sal e elásticos apertados. Imersão dos pés em água até a panturrilha também alivia. Diurético por conta própria não é indicado.

Qual meia de compressão é indicada para gestante?

Meia de compressão graduada medicinal, 15-20 mmHg para inchaço e cansaço leves e 20-30 mmHg quando há varizes ou sintomas importantes. O modelo 3/4 atende a maioria; com varizes na coxa ou na virilha, a meia-calça para gestante ou a 7/8. As medidas devem ser refeitas a cada trimestre.

Quais são os sintomas de trombose na gravidez?

Inchaço em uma perna só ou muito maior de um lado, dor na panturrilha ou na coxa que não melhora com repouso, pele quente, avermelhada ou arroxeada e dor na virilha de um lado. Falta de ar súbita, dor no peito ao respirar ou tosse com sangue indicam possível embolia pulmonar e são emergência. O ultrassom Doppler deve ser feito no mesmo dia.

Pernas inchadas pode ser sinal de gravidez?

Não é um sinal precoce. O inchaço das pernas costuma aparecer a partir do segundo trimestre, quando o volume de sangue e o tamanho do útero aumentam. No início da gestação, o que algumas mulheres sentem é peso e cansaço nas pernas por efeito hormonal.

Gestante pode fazer ultrassom Doppler das pernas?

Pode. O Doppler usa ondas sonoras, não usa radiação nem contraste e é o exame de escolha para investigar trombose e refluxo venoso na gravidez. Na Clínica VHG ele é feito na própria consulta.

Gestante pode fazer drenagem linfática?

Pode, com profissional habituado a atender gestantes e após afastar trombose quando há suspeita. A drenagem alivia o peso e o inchaço, com efeito temporário; massagens vigorosas na panturrilha devem ser evitadas.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Inchaço de um lado só ou dor na panturrilha na gravidez?

Avaliação com cirurgião vascular em Fortaleza, com ultrassom Doppler das pernas na própria consulta, seguro na gestação.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

Referências

  1. Smyth RM, Aflaifel N, Bamigboye AA. Interventions for varicose veins and leg oedema in pregnancy. Cochrane Database Syst Rev. 2015;(10):CD001066. doi:10.1002/14651858.CD001066.pub3
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists. ACOG Practice Bulletin No. 196: Thromboembolism in Pregnancy. Obstet Gynecol. 2018;132(1):e1-e17. PubMed 29939938
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Hypertension in pregnancy: diagnosis and management. NICE guideline NG133, 2019. nice.org.uk/guidance/ng133
  4. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267. doi:10.1016/j.ejvs.2021.12.024
  5. Rabe E, Partsch H, Hafner J, et al. Indications for medical compression stockings in venous and lymphatic disorders: an evidence-based consensus statement. Phlebology. 2018;33(3):163-184. doi:10.1177/0268355516689631

Artigos Relacionados

Varizes na gravidez

Por que aparecem, como aliviar e quando tratar depois do parto.

Trombose venosa profunda

Sintomas, causas, fatores de risco e tratamento.