Saúde Vascular

Má circulação nas pernas: sintomas, exames e o que fazer

Má circulação nas pernas não é um diagnóstico, é a forma como as pessoas descrevem um conjunto de sintomas: peso, cansaço, inchaço, dor, cãibra, formigamento, pés frios ou roxos, manchas e feridas. Por trás desses sintomas existem três circulações diferentes, a venosa (o sangue que sobe de volta ao coração), a arterial (o sangue que desce para nutrir a perna) e a linfática (o líquido que drena os tecidos). Cada uma adoece de um jeito, dá sinais diferentes e exige tratamento diferente.

A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, a causa é venosa (varizes e insuficiência venosa) e pode ser tratada. O exame que define de qual circulação vem o problema é o ultrassom Doppler, e o médico que faz essa avaliação é o cirurgião vascular. Esta página funciona como um guia: responde às perguntas mais buscadas e aponta para os artigos de cada sintoma. É do Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051, RQE 9653).

O que é má circulação nas pernas?

É qualquer falha no transporte de sangue ou de linfa nos membros inferiores. Na circulação venosa, o problema é o sangue que não sobe direito: as válvulas das veias falham, o sangue reflui e se acumula, dilatando as veias (varizes) e aumentando a pressão dentro delas. Na circulação arterial, o problema é o sangue que não chega: placas de gordura estreitam as artérias e o músculo recebe menos oxigênio. Na circulação linfática, o líquido dos tecidos não é drenado e a perna incha de forma progressiva (linfedema). Uma pessoa pode ter mais de um desses problemas ao mesmo tempo, e é comum que o lipedema, uma doença do tecido gorduroso, seja confundido com "má circulação".

Quais são os sintomas de má circulação nas pernas?

Os sintomas dependem da circulação envolvida. Use a lista abaixo como orientação, não como diagnóstico:

  • Problema venoso: peso e cansaço nas pernas que pioram ao longo do dia e melhoram deitado, inchaço no tornozelo à tarde, veias dilatadas ou vasinhos, coceira, cãibra noturna, manchas escuras perto do tornozelo (dermatite ocre) e, nos casos avançados, feridas que não cicatrizam.
  • Problema arterial: dor na panturrilha ou na coxa que aparece ao caminhar uma certa distância e passa ao parar (claudicação), pés frios e pálidos, queda de pelos, unhas frágeis, feridas nos dedos ou no calcanhar e, nos casos graves, dor em repouso à noite.
  • Problema linfático: inchaço duro, que não cede totalmente ao deitar, começando pelo dorso do pé e pelos dedos, muitas vezes depois de erisipelas de repetição ou de cirurgias com retirada de gânglios.

Sinais de alerta que pedem avaliação no mesmo dia: inchaço ou dor que começou de repente em uma perna só, perna vermelha e quente com febre, pé pálido e frio com dor intensa, ferida que escurece.

Má circulação: é veia entupida ou artéria entupida?

É a dúvida mais importante, porque o tratamento é oposto. "Veia entupida" na perna quase sempre significa trombose (coágulo dentro da veia), um problema agudo, ou uma veia que já foi obstruída e recanalizou. Já a insuficiência venosa, causa mais comum de sintomas, não é entupimento: é refluxo, a veia está aberta mas o sangue anda no sentido errado. "Artéria entupida" (doença arterial periférica) é o estreitamento por placas de gordura, mais comum em fumantes, diabéticos, hipertensos e pessoas com colesterol alto, e se manifesta pela dor ao caminhar. Vale lembrar que a "safena entupida" da cirurgia cardíaca é outra coisa: é a safena usada como ponte no coração. A safena que dá varizes na perna está com refluxo, não entupida, como explicamos em veia safena magna.

Má circulação nos pés: pés frios, roxos e inchados

Pés frios e arroxeados com o tempo frio ou ao ficar muito tempo sentado, que voltam à cor normal com movimento, costumam ser uma resposta dos pequenos vasos e não uma doença. Preocupa quando o pé fica pálido e frio de um lado só, com dor, ou quando a cor roxa vem com feridas ou dormência: aí é preciso examinar as artérias. Pé inchado ao fim do dia, dos dois lados, é o padrão do problema venoso e da retenção de líquido; inchaço de um pé só e de início recente pede investigação de trombose. Os artigos pés roxos e frios e pé e tornozelo inchado aprofundam cada situação.

Cãibra é má circulação?

Nem sempre. A cãibra noturna na panturrilha é muito comum em quem tem insuficiência venosa e varizes, porque o acúmulo de sangue e a inflamação da parede da veia irritam o músculo. Mas ela também aparece por desidratação, esforço, medicamentos (diuréticos, estatinas), alterações de potássio e magnésio, diabetes e gravidez. A dica clínica: cãibra que vem junto com peso, inchaço e veias aparentes aponta para a circulação; cãibra isolada em quem não tem esses sinais raramente é vascular. A doença arterial não costuma dar cãibra, e sim dor ao caminhar. Veja cãibra nas pernas à noite.

Formigamento pode ser circulação?

Pode, mas na maioria das vezes não é. Formigamento, dormência e queimação nos pés e nas pernas são sintomas típicos dos nervos: neuropatia do diabetes, compressão de raiz na coluna (ciática), deficiência de vitamina B12, alcoolismo, hipotireoidismo. A insuficiência venosa dá mais peso, ardor e coceira do que formigamento verdadeiro; a doença arterial avançada pode dar dormência, mas junto com pé frio e dor. Como o Doppler e o exame de pulsos definem rápido se a circulação está envolvida, vale a avaliação vascular antes de atribuir tudo aos nervos. Explicamos as diferenças em queimação e formigamento nas pernas.

Má circulação faz inchar as pernas?

Sim, e o padrão do inchaço ajuda a descobrir a causa. O inchaço venoso é mole, aparece à tarde, começa pelo tornozelo e some ou diminui de manhã. O inchaço linfático é mais duro, inclui o dorso do pé e os dedos e não some com o repouso. O inchaço por lipedema é simétrico, poupa os pés e vem com dor ao toque e hematomas fáceis. Inchaço nas duas pernas que surgiu junto com falta de ar ou diminuição da urina pede avaliação do coração e dos rins. Inchaço em uma perna só, de repente, é trombose até prova em contrário. Leia pernas inchadas e, se for o caso, lipedema, linfedema ou obesidade.

Má circulação faz doer a perna?

Faz, e cada circulação dói de um jeito. A dor venosa é um peso ou queimação difusa, pior no fim do dia, no calor e depois de muito tempo em pé, que alivia com as pernas para cima. A dor arterial é uma dor muscular que aparece ao caminhar sempre a mesma distância e passa em minutos ao parar; quando avança, dói à noite com o pé pendurado para fora da cama. A dor de trombose é contínua, em uma perna só, com inchaço. Dor que muda com a posição da coluna, desce como choque ou vem com dormência costuma ser do nervo. Os artigos dor nas pernas, dor na panturrilha e pernas cansadas e pesadas detalham cada uma.

Má circulação pode dar trombose?

A insuficiência venosa e as varizes calibrosas aumentam o risco de flebite (coágulo em veia superficial) e, por essa via, de trombose venosa profunda, sobretudo quando se somam a imobilização, cirurgia, viagem longa, hormônios ou gravidez. Não é uma consequência inevitável, mas é um dos motivos para tratar varizes grossas e refluxo de safena mesmo quando ainda não doem. Se você tem varizes e notou dor com inchaço em uma perna só, leia agora trombose na perna: sintomas e o que fazer.

Qual exame detecta má circulação nas pernas?

O ultrassom Doppler é o exame central, e existem dois tipos. O Doppler venoso mapeia as veias safenas, perfurantes e profundas, mostra refluxo e trombose e é o exame das varizes e do inchaço. O Doppler arterial, associado à medida do índice tornozelo-braço (a pressão do tornozelo dividida pela do braço), mostra estreitamentos e obstruções nas artérias e é o exame da dor ao caminhar e do pé frio. Exames de sangue ajudam a investigar causas (glicemia, colesterol, função renal e da tireoide, potássio). Angiotomografia e angiorressonância só entram quando se planeja tratar uma artéria obstruída. Entenda como o exame é feito e como ler o resultado em ultrassom Doppler vascular e como ler o laudo do Doppler venoso.

Qual médico trata má circulação nas pernas?

O cirurgião vascular, especialista nas veias, artérias e vasos linfáticos, que diagnostica e trata tanto com medicamentos e compressão quanto com procedimentos. O angiologista cuida da parte clínica das mesmas doenças, sem operar. Um bom sinal ao escolher o profissional: ele faz o Doppler na própria consulta ou trabalha lado a lado com quem faz, porque exame e exame físico se completam. Explicamos a diferença em angiologista ou cirurgião vascular. Diabéticos e hipertensos também podem tratar as varizes, como mostramos em tratar varizes com pressão alta ou diabetes.

Má circulação nas pernas tem cura?

Depende da causa. As varizes têm tratamento eficaz: as veias doentes são fechadas com escleroterapia, espuma, laser ou endolaser, e os sintomas de peso, inchaço e cãibra melhoram de forma consistente; a tendência a formar novas varizes, porém, é genética e exige manutenção. A doença arterial é crônica: o controle dos fatores de risco e a caminhada supervisionada melhoram a distância que se anda, e as obstruções mais graves podem ser desobstruídas. O linfedema não tem cura, mas tem controle com compressão e fisioterapia. Em todos os casos, quanto antes o diagnóstico, maior a chance de evitar as complicações (úlcera, trombose, amputação).

Má circulação nas pernas: o que fazer?

No consultório, o Dr. Victor Hugo explica que tratar as varizes é só um dos quatro pilares de uma boa circulação venosa. Os outros três dependem do paciente:

  1. Tratar as veias doentes identificadas no Doppler, para tirar a pressão do sistema.
  2. Fortalecer a panturrilha, o "segundo coração": caminhada, bicicleta, natação, subir escadas e exercícios de ponta de pé, todos os dias. Veja atividade física e varizes.
  3. Controlar o peso, porque a gordura abdominal comprime as veias e aumenta a pressão nas pernas.
  4. Usar meia de compressão gradativa nos dias de muitas horas em pé ou sentado, com a classe e o tamanho definidos em consulta. Veja meia de compressão: como usar.

Ajudam também: elevar as pernas por 15 a 20 minutos ao fim do dia, evitar calor excessivo nas pernas, hidratar a pele e não fumar. Sobre medicamentos, as diretrizes reconhecem que alguns flebotônicos podem aliviar sintomas venosos, mas não substituem o tratamento da causa; leia remédio para circulação nas pernas e como melhorar a circulação das pernas. Na doença arterial, o essencial é parar de fumar, controlar diabetes, pressão e colesterol e caminhar até o limite da dor, todos os dias.

Má circulação é perigoso?

A maior parte dos quadros venosos evolui devagar e não ameaça a vida, mas pode trazer complicações que mudam a rotina: trombose, flebite, sangramento de variz, dermatite e úlcera. A doença arterial é mais grave, porque as mesmas placas que estreitam as artérias das pernas também estão no coração e no cérebro: quem tem claudicação tem risco maior de infarto e AVC e precisa de acompanhamento clínico. O linfedema traz erisipelas de repetição. Já pressão alta, tontura, dor de cabeça e queda de cabelo, muito pesquisados junto com "má circulação", não são causados por doença das veias das pernas e merecem investigação própria com o clínico.

Má circulação na gravidez: o que fazer?

Na gestação, os hormônios relaxam a parede das veias e o útero comprime as veias do abdome, por isso peso, inchaço, cãibra e varizes são comuns, principalmente no terceiro trimestre. Meia de compressão, caminhada, elevação das pernas e dormir de lado esquerdo aliviam com segurança. Inchaço súbito de uma perna só, dor na panturrilha ou inchaço com pressão alta e dor de cabeça exigem avaliação imediata. Os detalhes estão em varizes na gravidez e pernas inchadas na gravidez.

Como avaliamos a circulação das pernas na Clínica VHG, em Fortaleza

A consulta com o Dr. Victor Hugo ou com a Dra. Gabriela Bernhardt segue o Modelo VHG™, que examina os membros inferiores em quatro domínios: circulação, gordura, pele e função. A circulação é avaliada com exame físico completo (pulsos, cor, temperatura, edema) e ultrassom Doppler venoso feito na hora, pelo próprio cirurgião vascular; quando há suspeita arterial, o Doppler arterial e o índice tornozelo-braço entram na mesma avaliação. O resultado é um diagnóstico claro de qual circulação está envolvida (ou de que o problema é gordura, pele ou nervo) e um plano de tratamento no mesmo dia, que pode combinar técnicas sem corte para as veias, compressão, orientação de exercício e encaminhamento ao especialista certo quando a causa não é vascular. A clínica fica no RioMar Trade Center, em Fortaleza, de segunda a sexta, das 8h às 19h; quem mora no interior encontra orientações em cirurgião vascular no Ceará.

Perguntas frequentes

Má circulação é sangue grosso?

Não. "Sangue grosso" não é um diagnóstico médico. Os sintomas de má circulação nas pernas vêm do refluxo nas veias, do estreitamento das artérias ou da falha da drenagem linfática, e nenhum deles é tratado com remédio para "afinar o sangue". Anticoagulante só tem indicação em trombose ou em risco alto de trombose.

Má circulação causa pressão alta?

A doença das veias das pernas não altera a pressão arterial. Já a doença arterial periférica e a hipertensão compartilham as mesmas causas (tabagismo, diabetes, colesterol, sedentarismo) e costumam andar juntas, por isso quem tem uma deve investigar a outra.

Má circulação dá coceira nas pernas?

Sim, a insuficiência venosa causa coceira, principalmente perto do tornozelo, por inflamação da pele causada pelo acúmulo de sangue. Coceira com manchas escuras, pele endurecida ou pequenas feridas é sinal de doença venosa avançada e pede tratamento das veias, não só creme.

Má circulação causa queda de cabelo?

Não há relação entre doença das veias das pernas e queda de cabelo. Na doença arterial avançada, os pelos das pernas podem cair pela falta de oxigênio local, mas isso não afeta o couro cabeludo.

Má circulação em jovens é normal?

Varizes e sintomas venosos podem começar na adolescência, sobretudo em quem tem histórico familiar, usa hormônios ou passa muitas horas em pé. Doença arterial em jovens é rara e sempre exige investigação. Em qualquer idade, dor, inchaço ou veias aparentes justificam uma avaliação com Doppler.

Qual remédio é bom para má circulação nas pernas?

Nenhum remédio fecha varizes ou desobstrui artérias. Alguns flebotônicos podem aliviar peso e inchaço venosos e são usados como apoio, nunca como substituto do tratamento das veias, da compressão e do exercício. Na doença arterial, os remédios controlam colesterol, pressão e diabetes e protegem o coração. Não se automedique.

Má circulação nas pernas pode causar morte?

A doença venosa raramente ameaça a vida, exceto quando evolui para trombose com embolia pulmonar. A doença arterial periférica é mais séria, porque indica placas de gordura também nas artérias do coração e do cérebro; por isso quem tem dor ao caminhar deve fazer acompanhamento clínico e vascular.

Má circulação é genética?

A predisposição a varizes é fortemente hereditária: filhos de pais com varizes têm chance bem maior de desenvolvê-las. A doença arterial depende mais dos hábitos (tabagismo, alimentação, sedentarismo) e das doenças associadas, embora também tenha componente familiar.

Má circulação nas pernas tem cura?

As varizes têm tratamento eficaz e os sintomas melhoram de forma consistente, mas a tendência a formar novas veias doentes é genética e pede manutenção. A doença arterial e o linfedema são crônicos e têm controle, não cura. Diagnóstico precoce é o que muda o resultado.

Qual médico trata má circulação nas pernas?

O cirurgião vascular, que diagnostica e trata doenças das veias, artérias e vasos linfáticos, com ou sem procedimentos. O ideal é uma consulta em que o próprio médico faz o ultrassom Doppler, porque o exame físico e o exame de imagem se completam.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Peso, inchaço, cãibra ou dor nas pernas sem diagnóstico?

Consulta em Fortaleza com ultrassom Doppler feito na hora pelo cirurgião vascular, para saber se o problema é veia, artéria, linfa ou outra causa e sair com o plano definido.

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Referências

  1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. ESVS 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267. doi:10.1016/j.ejvs.2021.12.024
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Varicose veins: diagnosis and management. Clinical guideline CG168, 2013. nice.org.uk/guidance/cg168
  3. Nordanstig J, Behrendt CA, Baumgartner I, et al. ESVS 2024 Clinical Practice Guidelines on the Management of Asymptomatic Lower Limb Peripheral Arterial Disease and Intermittent Claudication. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2024;67(1):9-96. doi:10.1016/j.ejvs.2023.08.067
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes sobre trombose venosa profunda da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2024;23:e20230107. doi:10.1590/1677-5449.202301071
  5. Lurie F, Passman M, Meisner M, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352. doi:10.1016/j.jvsv.2019.12.075

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