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Trombose em viagem: como prevenir em voo e estrada longa

Viagem longa aumenta o risco de trombose, mas o risco absoluto é baixo para quem está saudável. Uma metanálise de 14 estudos mostrou que viagens longas, de avião, ônibus ou carro, quase triplicam (risco relativo 2,8) a chance de trombose venosa nas semanas seguintes, e que o risco sobe cerca de 18% a cada 2 horas a mais de trajeto. Em números absolutos, um estudo com 8.755 viajantes frequentes encontrou cerca de 1 caso de trombose sintomática para cada 4.650 voos com mais de 4 horas. O perigo se concentra em quem já tem outros fatores de risco.

Quem tem mais risco: quem já teve trombose, fez cirurgia recente, está grávida ou no pós-parto, usa estrogênio, tem câncer em atividade, obesidade, mais de 60 anos, trombofilia, varizes calibrosas ou mobilidade reduzida. O que fazer cabe em três medidas: levantar e caminhar a cada 1 ou 2 horas, mexer as panturrilhas sentado e, para quem tem fator de risco, usar meia de compressão 3/4 durante todo o trajeto. Anticoagulante só entra em situações específicas, avaliadas antes da viagem.

Viagem longa causa trombose?

Pode causar, porque reúne três condições que favorecem o coágulo nas veias profundas da perna: imobilidade prolongada, compressão da parte de trás das coxas pelo assento e, no avião, a pressão mais baixa da cabine, que parece ativar a coagulação em pessoas predispostas. Sentada por horas, a panturrilha não bombeia e o sangue estagna nas veias da perna, onde o coágulo começa.

O risco não é exclusivo do avião: os estudos encontraram aumento semelhante em viagens longas de carro, ônibus e trem. O que pesa é o tempo sentado com as pernas dobradas: 8 horas de estrada valem tanto quanto um voo de 8 horas. A maioria dos casos surge nas 2 primeiras semanas depois da viagem, e o risco só volta ao normal depois de cerca de 8 semanas. Entenda o mecanismo em trombose venosa profunda.

Quem tem mais risco de trombose em viagem?

As diretrizes da ASH (American Society of Hematology) e do CHEST (American College of Chest Physicians) listam fatores que pedem prevenção ativa; os limites numéricos abaixo são o critério prático adotado na Clínica VHG:

  • Trombose ou embolia pulmonar anterior, sobretudo sem causa aparente ou depois de outra viagem.
  • Cirurgia, internação, fratura ou imobilização nas últimas 4 a 8 semanas, cirurgias plásticas incluídas.
  • Câncer em tratamento ou diagnosticado há menos de 6 meses.
  • Gravidez e as 6 semanas após o parto.
  • Estrogênio: anticoncepcional combinado ou reposição hormonal. Veja anticoncepcional e trombose.
  • Trombofilia conhecida ou trombose em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos.
  • Obesidade (IMC acima de 35), idade acima de 60 anos ou mobilidade reduzida.
  • Varizes calibrosas e inchaço crônico, sinais de sangue já represado nas pernas.

Assento na janela, sono induzido por remédio e mais de um voo longo na mesma semana também pesam. Quando dois ou mais fatores se somam, o risco deixa de ser teórico.

O que fazer antes, durante e depois da viagem?

Antes. Se você tem qualquer fator da lista, marque consulta com o cirurgião vascular algumas semanas antes de viajar: o ultrassom Doppler feito na própria consulta mostra se há refluxo, obstrução antiga ou varizes que mudam a orientação. Compre a meia de compressão com antecedência e experimente em casa. Ao reservar o assento, prefira o corredor.

Durante. Levante e caminhe pelo corredor por alguns minutos a cada 1 ou 2 horas. Sentado, a cada 30 minutos faça 20 movimentos de sobe e desce com os pés: isso aciona a panturrilha, a bomba que devolve o sangue ao coração. Não cruze as pernas por longos períodos, beba água com regularidade e evite excesso de álcool e remédios para dormir. Na estrada, quem dirige deve parar a cada 2 horas e caminhar de 5 a 10 minutos.

Depois. Nos primeiros dias, caminhe mais do que o habitual e observe as pernas. Inchaço de um lado só, dor na panturrilha que não passa ou peso diferente entre as duas pernas, em até 8 semanas depois da viagem, pedem Doppler no mesmo dia.

Meia de compressão em viagem: qual usar?

A revisão Cochrane de 2021 reuniu ensaios clínicos com cerca de 2.900 passageiros de voos com mais de 4 horas e concluiu, com evidência de alta certeza, que a meia de compressão graduada reduz a trombose assintomática de cerca de 10 para 1 a 2 casos a cada 1.000 viajantes de baixo risco. É a medida com melhor evidência para viagem.

O modelo indicado é a meia 3/4 (até o joelho), de compressão graduada, com a pressão informada em mmHg no tornozelo. Quem não tem doença venosa pode usar 15-20 mmHg. Quem tem varizes, trombose prévia, inchaço crônico, sobrepeso, está grávida ou usa hormônio deve usar 20-30 mmHg, após avaliação que afaste doença arterial. A meia branca antitrombo de hospital foi feita para quem está deitado e não serve para horas sentado. Calce em casa, mantenha durante todo o trajeto, incluindo conexões, e escolha o tamanho pela tabela do fabricante, medindo tornozelo e panturrilha. Reunimos as dúvidas de compra em qual meia de compressão comprar e a técnica em como calçar meia de compressão.

Quais sinais exigem atendimento?

A trombose venosa profunda quase sempre dá sinais em uma perna só:

  • Inchaço de uma perna ou de um tornozelo que não existia antes da viagem.
  • Dor ou aperto na panturrilha, pior ao ficar em pé ou ao dobrar o pé para cima. Veja dor na panturrilha.
  • Panturrilha mais quente, avermelhada ou arroxeada, ou veia endurecida e dolorida ao toque.
  • Peso ou câimbra persistente de um lado só, sem melhora com repouso.

Nesses casos, procure o cirurgião vascular no mesmo dia para fazer o Doppler, sem massagear nem aplicar calor na perna. Falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, palpitação ou desmaio são sinais de embolia pulmonar: não espere consulta, ligue para o SAMU (192) ou vá à emergência. Inchaço nas duas pernas ao descer do avião, que não dói, costuma ser só retenção de líquido pelo tempo sentado; veja as diferenças em pernas inchadas.

Quem tem varizes ou lipedema precisa de cuidado extra?

Varizes. A veia dilatada com refluxo já guarda sangue parado, e grandes estudos populacionais mostram mais trombose venosa profunda em quem tem varizes. O aumento é modesto isoladamente, mas cresce quando se soma a hormônio, sobrepeso, gravidez ou viagem longa. Para quem tem varizes, meia 20-30 mmHg durante toda a viagem, caminhada a cada hora e exercícios de panturrilha deixam de ser opcionais. Quem viaja muito pode tratar o refluxo antes: na Clínica VHG, a safena e as tributárias são tratadas com endolaser em consultório, com anestesia local. Saiba mais em varizes: causas, sintomas e tratamento.

Lipedema. O lipedema em si não é considerado fator de risco direto para trombose, mas costuma vir com inchaço, dor ao toque e menos mobilidade. A regra é simples: o lipedema é simétrico e afeta as duas pernas; a trombose muda uma perna só. Se depois da viagem uma perna ficou mais inchada, quente ou dolorida do que a outra, é Doppler no mesmo dia. Veja lipedema: o que é, sintomas e tratamento.

Preciso de anticoagulante para viajar?

Na grande maioria dos casos, não. As diretrizes da ASH e do CHEST são claras: para viajantes sem fator de risco, não se recomenda anticoagulante nem aspirina, porque o risco de sangramento supera o benefício. Para quem tem risco alto, como trombose anterior, câncer em atividade ou cirurgia de grande porte recente, a diretriz sugere meia de compressão graduada ou uma dose preventiva de anticoagulante injetável antes do embarque, conforme o risco individual de trombose e de sangramento. Aspirina não é o substituto: as diretrizes não a recomendam como primeira opção.

Quem já toma anticoagulante por outro motivo mantém o remédio no horário habitual, ajustado pelo fuso, sem dose extra. Em nenhum cenário o anticoagulante deve ser tomado por conta própria: a decisão é do médico.

Como orientamos a prevenção na Clínica VHG, em Fortaleza

Na Clínica VHG, a consulta pré-viagem inclui o ultrassom Doppler venoso feito na hora, a avaliação dos quatro domínios do Modelo VHG™ (circulação, gordura, pele e função) e um plano claro de meia, exercícios e, quando indicado, prevenção medicamentosa. Quem tem varizes com refluxo sai com o plano de tratamento das veias doentes. Suspeita de trombose depois de viagem tem encaixe no mesmo dia: mande mensagem no WhatsApp (85) 99104-2483. Atendemos no RioMar Trade Center, Papicu, de segunda a sexta, das 8h às 18h. Quem mora em outro estado ou no exterior pode usar a teleconsulta para orientar a prevenção antes da viagem; exame físico, Doppler e procedimentos são sempre presenciais (Resolução CFM 2.314/2022).

O que você pode fazer hoje

  • Some os seus fatores de risco na lista acima: dois ou mais pedem consulta antes da viagem.
  • Compre a meia 3/4 de compressão graduada com antecedência e teste em casa.
  • Reserve assento no corredor e programe um alarme a cada hora para levantar ou mexer os tornozelos.
  • Na estrada, combine paradas a cada 2 horas e mantenha água ao alcance.
  • Nas 8 semanas depois da viagem, dor, inchaço ou calor em uma perna só é Doppler no mesmo dia; falta de ar ou dor no peito é emergência.

Este artigo tem caráter educativo e não substitui a consulta com o cirurgião vascular.

Perguntas frequentes

A partir de quantas horas de viagem o risco de trombose aumenta?

A partir de 4 horas seguidas sentado, em qualquer meio de transporte, o risco de trombose venosa fica cerca de 2 a 3 vezes maior, e sobe cerca de 18% a cada 2 horas adicionais. Voos de mais de 8 horas e vários voos longos na mesma semana elevam ainda mais o risco, que permanece aumentado por até 8 semanas depois da viagem.

Viagem de carro ou de ônibus também pode causar trombose?

Sim. Os estudos que compararam os meios de transporte encontraram aumento de risco semelhante em viagens longas de carro, ônibus e trem, porque o que importa é o tempo sentado com as pernas dobradas. Quem dirige deve parar a cada 2 horas e caminhar de 5 a 10 minutos; os passageiros podem fazer os exercícios de tornozelo no banco e usar meia de compressão se tiverem fator de risco.

Qual meia de compressão usar no avião?

Meia 3/4 (até o joelho), de compressão graduada, com a pressão informada em mmHg no tornozelo. Quem não tem doença venosa pode usar 15-20 mmHg; quem tem varizes, trombose prévia, inchaço crônico, sobrepeso, está grávida ou usa hormônio deve usar 20-30 mmHg, após avaliação. Calce em casa antes de sair, mantenha durante todo o trajeto e escolha o tamanho pela tabela do fabricante, medindo tornozelo e panturrilha.

Tomar aspirina antes de viajar previne trombose?

Não é recomendado. O efeito da aspirina sobre a trombose venosa é pequeno e ela aumenta o risco de sangramento, por isso o CHEST desaconselha o uso e a ASH só admite aspirina em viajantes de alto risco quando a meia ou a heparina não são viáveis. Quem tem risco alto, como trombose anterior, câncer em atividade ou cirurgia recente, pode precisar de meia de compressão graduada ou de uma dose preventiva de anticoagulante, sempre com prescrição médica individual.

Quanto tempo depois da viagem a trombose pode aparecer?

A maioria dos casos aparece nas 2 primeiras semanas, mas o risco continua aumentado por cerca de 8 semanas. Nesse período, inchaço, dor, calor ou vermelhidão em uma perna só pedem ultrassom Doppler no mesmo dia. Falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio são sinais de embolia pulmonar e exigem emergência imediata (SAMU 192).

Vai viajar e tem varizes, trombose prévia ou usa hormônio?

Na Clínica VHG, em Fortaleza, a consulta pré-viagem inclui o ultrassom Doppler venoso feito na hora e o plano de prevenção para o seu caso. Suspeita de trombose depois de viagem tem encaixe no mesmo dia pelo WhatsApp (85) 99104-2483. Se houver falta de ar ou dor no peito, procure a emergência antes.

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Referências

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