Queimação nos pés ou nas pernas tem três origens principais: veias, artérias e nervos. O padrão do sintoma já aponta a direção. Queimação que piora no fim do dia, em uma perna só ou mais em uma do que na outra, e que alivia com as pernas para o alto, costuma ser venosa (refluxo nas veias, com ou sem varizes visíveis). Queimação ou dor que aparece ao caminhar e some ao parar, ou que incomoda deitado e melhora com o pé pendurado para fora da cama, sugere arterial. Queimação simétrica nos dois pés, constante, em formato de "meia", com formigamento, dormência ou choques, aponta para nervo (neuropatia).
A boa notícia: as duas causas circulatórias são confirmadas ou descartadas em minutos com o ultrassom Doppler, feito na própria consulta. Se veias e artérias estão normais, a investigação segue para o nervo, com exames de sangue e, quando necessário, avaliação neurológica. Neste artigo você aprende a reconhecer cada padrão, a identificar os sinais de urgência e a saber o que pedir na consulta.
Por que a perna esquenta quando a causa é venosa?
As veias das pernas têm válvulas que impedem o sangue de descer. Quando elas falham, o sangue reflui e fica represado sob pressão nas veias superficiais. Esse sangue parado gera inflamação local e aumenta a temperatura da região, o que o corpo percebe como queimação, ardência ou "esquentamento". É por isso que o sintoma piora depois de horas em pé ou sentado, no calor e à noite, e melhora ao deitar com as pernas elevadas. Em muitas pessoas o refluxo existe antes de qualquer veia aparecer, e a queimação é o primeiro aviso. Veja o quadro completo em varizes: causas, sintomas e tratamento.
Queimação nos pés: o que pode ser?
Pé que queima é a queixa em que a causa neurológica ganha espaço. As principais possibilidades são:
- Neuropatia periférica: a mais frequente é a diabética, mas também ocorre por falta de vitamina B12, álcool, hipotireoidismo, quimioterapia e doença renal. Queima nos dois pés, de forma constante, começando pelos dedos e subindo, com formigamento, dormência ou sensação de andar sobre algodão.
- Doença arterial: quando as artérias estreitam, o pé recebe menos sangue. A queimação aparece ao caminhar (claudicação) e, em fases avançadas, à noite, aliviando ao pendurar o pé. Costuma vir com pé frio, pálido ou arroxeado. Detalhamos em pés roxos e frios.
- Refluxo venoso: menos típico no pé do que na panturrilha, mas frequente no tornozelo, com inchaço e vasinhos. Veja varizes nos pés.
- Síndrome do túnel do tarso: compressão de um nervo atrás do tornozelo, que queima na planta e piora ao ficar em pé.
- Eritromelalgia: pés vermelhos, quentes e ardendo em crises, geralmente à noite ou no calor, que melhoram com frio. É rara e merece avaliação clínica.
Se a queimação nos pés vem acompanhada de perda de sensibilidade, a prioridade é proteger a pele: feridas pequenas podem passar despercebidas.
Formigamento e queimação nos pés: é circulação?
Formigamento isolado é, na maioria das vezes, sintoma de nervo, não de veia. O refluxo venoso causa peso, queimação, inchaço e cãibra, mas raramente formigamento puro. Quando o formigamento tem origem circulatória, quase sempre é arterial: aparece com o esforço ou com o frio, junto de dor na panturrilha ao caminhar e de pé frio. Também existe o formigamento posicional, de quem passa horas sentado com as pernas cruzadas ou com a borda da cadeira comprimindo a coxa; ele some ao mudar de posição. Formigamento que sobe pelos dois pés de forma simétrica e progressiva, ou que acomete também as mãos, é neuropatia até prova em contrário.
Queimação nas pernas à noite: o que significa?
O horário ajuda a separar as causas. A queimação venosa aparece no fim do dia porque o dia inteiro de pressão cobra a conta, e melhora nos primeiros minutos deitado com as pernas elevadas. A queimação neuropática também piora à noite, mas não muda com a posição: continua igual deitado, sentado ou com as pernas para cima, e costuma ser simétrica. A dor arterial de repouso piora ao deitar, porque a gravidade deixa de ajudar o sangue a chegar ao pé, e a pessoa acaba dormindo com a perna para fora da cama. Já a síndrome das pernas inquietas causa uma necessidade de mexer as pernas ao deitar, mais do que queimação, e tem tratamento neurológico.
Como diferenciar veia, artéria e nervo em casa?
Ninguém precisa fechar o diagnóstico sozinho, mas observar quatro pontos deixa a consulta muito mais produtiva:
- Lado: uma perna só, ou uma pior que a outra, favorece veia ou artéria; os dois pés por igual favorecem nervo.
- Horário e gatilho: fim do dia e calor apontam para veia; caminhar e parar apontam para artéria; constante e sem gatilho aponta para nervo.
- O que alivia: pernas para cima alivia a veia; pé pendurado alivia a artéria; nada posicional alivia o nervo.
- Sinais na pele: vasinhos, veias, inchaço no tornozelo e mancha escura sugerem veia; pé frio, pálido, sem pelos e com unhas grossas sugere artéria; pele normal com dormência sugere nervo.
Outros padrões de dor, como cãibra e peso, estão em dor nas pernas e em má circulação nas pernas.
Quando a queimação nas pernas é urgente?
- Perna vermelha, quente, inchada e dolorida de um lado só, de início recente: é preciso descartar trombose, erisipela e flebite no mesmo dia.
- Pé frio, pálido ou arroxeado com dor forte e súbita, ou perda de força: pode ser oclusão arterial aguda, uma emergência.
- Queimação com ferida que não cicatriza no pé ou no tornozelo.
- Pessoa com diabetes que perdeu a sensibilidade nos pés, mesmo sem sentir nada.
O que investigar e quais exames pedir?
O primeiro passo é o exame físico vascular: pulsos, temperatura, coloração, inchaço e trajeto das veias. Em seguida, o ultrassom Doppler venoso, feito com você em pé, mostra se existe refluxo e onde ele nasce; o Doppler arterial e o índice tornozelo-braço avaliam as artérias. Quando veias e artérias estão normais, ou quando o padrão é claramente neuropático, entram os exames de sangue (glicemia e hemoglobina glicada, vitamina B12, TSH, função renal) e, se necessário, a eletroneuromiografia com o neurologista. Duas causas podem coexistir: é comum encontrar refluxo venoso em quem também tem neuropatia diabética, e tratar a veia alivia a parcela venosa do sintoma.
Como investigamos queimação nas pernas na Clínica VHG, em Fortaleza
Na Clínica VHG, no RioMar Trade Center, no Papicu, a consulta com o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular, já inclui o ultrassom Doppler. A avaliação segue o Modelo VHG™, que olha os quatro domínios das pernas: circulação, gordura, pele e função. Se a causa for venosa, o tratamento fecha a veia com refluxo na origem, com endolaser, espuma ou escleroterapia, conforme o mapeamento, e a queimação tende a desaparecer junto com a pressão que a causava. Se for arterial, você sai com o plano de controle dos fatores de risco e de caminhada supervisionada ou, quando indicado, de revascularização. Se for nervo, sai com os exames pedidos e o encaminhamento certo. Quem mora fora de Fortaleza pode começar por uma teleconsulta para organizar a viagem; o exame e o seguimento são presenciais.
O que alivia enquanto você investiga?
Elevar as pernas por 15 minutos ao fim do dia, caminhar todos os dias, hidratar-se e evitar longos períodos parado em pé ou sentado ajudam o retorno venoso. A meia de compressão alivia a queimação venosa, mas não deve ser usada antes de descartar doença arterial, porque a compressão piora a falta de sangue no pé. Quem tem diabetes deve manter a glicemia controlada, olhar os pés todos os dias e usar calçado fechado e macio. Alívio não é diagnóstico: se a queimação volta, ela merece um nome.
Perguntas frequentes
Queimação nas pernas à noite é normal?
Recorrente, não. Queimação que aparece no fim do dia e melhora com as pernas para o alto é o padrão típico do refluxo venoso e merece ultrassom Doppler. Se a queimação é igual em qualquer posição e nos dois pés, a causa mais provável é neuropatia.
Queimação só em uma perna, o que pode ser?
Refluxo venoso costuma ser assimétrico, e uma perna só é a apresentação mais comum. Vermelhidão, calor e inchaço súbitos de um lado só, porém, pedem avaliação no mesmo dia para descartar trombose, erisipela ou flebite.
Queimação do joelho para baixo tem relação com varizes?
É a topografia clássica da insuficiência venosa: a pressão dentro das veias é maior quanto mais baixo na perna, e a panturrilha e o tornozelo concentram o sintoma, mesmo quando as varizes ainda não são visíveis.
Queimação nos pés é sinal de diabetes?
Pode ser. A neuropatia diabética é a causa mais frequente de queimação simétrica nos dois pés, com formigamento e dormência. Quem tem esse padrão deve medir glicemia e hemoglobina glicada, e também vitamina B12 e TSH, porque outras causas produzem o mesmo quadro.
Formigamento nas pernas pode ser trombose?
Formigamento isolado não é sintoma típico de trombose. A trombose venosa profunda costuma causar dor, inchaço e endurecimento da panturrilha de um lado só, às vezes com calor e vermelhidão. Na dúvida, o Doppler venoso resolve a questão em minutos.
Ardência nas pernas e nos braços é vascular?
Quando queima nos quatro membros, o padrão sugere causa neurológica ou metabólica, e não circulatória. A avaliação vascular serve para descartar refluxo associado e direcionar você ao especialista certo.