Saúde Vascular

Queimação e formigamento nas pernas e nos pés: é circulação ou nervo?

Queimação nos pés ou nas pernas tem três origens principais: veias, artérias e nervos. O padrão do sintoma já aponta a direção. Queimação que piora no fim do dia, em uma perna só ou mais em uma do que na outra, e que alivia com as pernas para o alto, costuma ser venosa (refluxo nas veias, com ou sem varizes visíveis). Queimação ou dor que aparece ao caminhar e some ao parar, ou que incomoda deitado e melhora com o pé pendurado para fora da cama, sugere arterial. Queimação simétrica nos dois pés, constante, em formato de "meia", com formigamento, dormência ou choques, aponta para nervo (neuropatia).

A boa notícia: as duas causas circulatórias são confirmadas ou descartadas em minutos com o ultrassom Doppler, feito na própria consulta. Se veias e artérias estão normais, a investigação segue para o nervo, com exames de sangue e, quando necessário, avaliação neurológica. Neste artigo você aprende a reconhecer cada padrão, a identificar os sinais de urgência e a saber o que pedir na consulta.

Assista no YouTube

Na imagem térmica, a perna com refluxo venoso literalmente esquenta, o Dr. Victor Hugo explica.

Por que a perna esquenta quando a causa é venosa?

As veias das pernas têm válvulas que impedem o sangue de descer. Quando elas falham, o sangue reflui e fica represado sob pressão nas veias superficiais. Esse sangue parado gera inflamação local e aumenta a temperatura da região, o que o corpo percebe como queimação, ardência ou "esquentamento". É por isso que o sintoma piora depois de horas em pé ou sentado, no calor e à noite, e melhora ao deitar com as pernas elevadas. Em muitas pessoas o refluxo existe antes de qualquer veia aparecer, e a queimação é o primeiro aviso. Veja o quadro completo em varizes: causas, sintomas e tratamento.

Queimação nos pés: o que pode ser?

Pé que queima é a queixa em que a causa neurológica ganha espaço. As principais possibilidades são:

  • Neuropatia periférica: a mais frequente é a diabética, mas também ocorre por falta de vitamina B12, álcool, hipotireoidismo, quimioterapia e doença renal. Queima nos dois pés, de forma constante, começando pelos dedos e subindo, com formigamento, dormência ou sensação de andar sobre algodão.
  • Doença arterial: quando as artérias estreitam, o pé recebe menos sangue. A queimação aparece ao caminhar (claudicação) e, em fases avançadas, à noite, aliviando ao pendurar o pé. Costuma vir com pé frio, pálido ou arroxeado. Detalhamos em pés roxos e frios.
  • Refluxo venoso: menos típico no pé do que na panturrilha, mas frequente no tornozelo, com inchaço e vasinhos. Veja varizes nos pés.
  • Síndrome do túnel do tarso: compressão de um nervo atrás do tornozelo, que queima na planta e piora ao ficar em pé.
  • Eritromelalgia: pés vermelhos, quentes e ardendo em crises, geralmente à noite ou no calor, que melhoram com frio. É rara e merece avaliação clínica.

Se a queimação nos pés vem acompanhada de perda de sensibilidade, a prioridade é proteger a pele: feridas pequenas podem passar despercebidas.

Formigamento e queimação nos pés: é circulação?

Formigamento isolado é, na maioria das vezes, sintoma de nervo, não de veia. O refluxo venoso causa peso, queimação, inchaço e cãibra, mas raramente formigamento puro. Quando o formigamento tem origem circulatória, quase sempre é arterial: aparece com o esforço ou com o frio, junto de dor na panturrilha ao caminhar e de pé frio. Também existe o formigamento posicional, de quem passa horas sentado com as pernas cruzadas ou com a borda da cadeira comprimindo a coxa; ele some ao mudar de posição. Formigamento que sobe pelos dois pés de forma simétrica e progressiva, ou que acomete também as mãos, é neuropatia até prova em contrário.

Queimação nas pernas à noite: o que significa?

O horário ajuda a separar as causas. A queimação venosa aparece no fim do dia porque o dia inteiro de pressão cobra a conta, e melhora nos primeiros minutos deitado com as pernas elevadas. A queimação neuropática também piora à noite, mas não muda com a posição: continua igual deitado, sentado ou com as pernas para cima, e costuma ser simétrica. A dor arterial de repouso piora ao deitar, porque a gravidade deixa de ajudar o sangue a chegar ao pé, e a pessoa acaba dormindo com a perna para fora da cama. Já a síndrome das pernas inquietas causa uma necessidade de mexer as pernas ao deitar, mais do que queimação, e tem tratamento neurológico.

Como diferenciar veia, artéria e nervo em casa?

Ninguém precisa fechar o diagnóstico sozinho, mas observar quatro pontos deixa a consulta muito mais produtiva:

  • Lado: uma perna só, ou uma pior que a outra, favorece veia ou artéria; os dois pés por igual favorecem nervo.
  • Horário e gatilho: fim do dia e calor apontam para veia; caminhar e parar apontam para artéria; constante e sem gatilho aponta para nervo.
  • O que alivia: pernas para cima alivia a veia; pé pendurado alivia a artéria; nada posicional alivia o nervo.
  • Sinais na pele: vasinhos, veias, inchaço no tornozelo e mancha escura sugerem veia; pé frio, pálido, sem pelos e com unhas grossas sugere artéria; pele normal com dormência sugere nervo.

Outros padrões de dor, como cãibra e peso, estão em dor nas pernas e em má circulação nas pernas.

Quando a queimação nas pernas é urgente?

  • Perna vermelha, quente, inchada e dolorida de um lado só, de início recente: é preciso descartar trombose, erisipela e flebite no mesmo dia.
  • Pé frio, pálido ou arroxeado com dor forte e súbita, ou perda de força: pode ser oclusão arterial aguda, uma emergência.
  • Queimação com ferida que não cicatriza no pé ou no tornozelo.
  • Pessoa com diabetes que perdeu a sensibilidade nos pés, mesmo sem sentir nada.

O que investigar e quais exames pedir?

O primeiro passo é o exame físico vascular: pulsos, temperatura, coloração, inchaço e trajeto das veias. Em seguida, o ultrassom Doppler venoso, feito com você em pé, mostra se existe refluxo e onde ele nasce; o Doppler arterial e o índice tornozelo-braço avaliam as artérias. Quando veias e artérias estão normais, ou quando o padrão é claramente neuropático, entram os exames de sangue (glicemia e hemoglobina glicada, vitamina B12, TSH, função renal) e, se necessário, a eletroneuromiografia com o neurologista. Duas causas podem coexistir: é comum encontrar refluxo venoso em quem também tem neuropatia diabética, e tratar a veia alivia a parcela venosa do sintoma.

Como investigamos queimação nas pernas na Clínica VHG, em Fortaleza

Na Clínica VHG, no RioMar Trade Center, no Papicu, a consulta com o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular, já inclui o ultrassom Doppler. A avaliação segue o Modelo VHG™, que olha os quatro domínios das pernas: circulação, gordura, pele e função. Se a causa for venosa, o tratamento fecha a veia com refluxo na origem, com endolaser, espuma ou escleroterapia, conforme o mapeamento, e a queimação tende a desaparecer junto com a pressão que a causava. Se for arterial, você sai com o plano de controle dos fatores de risco e de caminhada supervisionada ou, quando indicado, de revascularização. Se for nervo, sai com os exames pedidos e o encaminhamento certo. Quem mora fora de Fortaleza pode começar por uma teleconsulta para organizar a viagem; o exame e o seguimento são presenciais.

O que alivia enquanto você investiga?

Elevar as pernas por 15 minutos ao fim do dia, caminhar todos os dias, hidratar-se e evitar longos períodos parado em pé ou sentado ajudam o retorno venoso. A meia de compressão alivia a queimação venosa, mas não deve ser usada antes de descartar doença arterial, porque a compressão piora a falta de sangue no pé. Quem tem diabetes deve manter a glicemia controlada, olhar os pés todos os dias e usar calçado fechado e macio. Alívio não é diagnóstico: se a queimação volta, ela merece um nome.

Perguntas frequentes

Queimação nas pernas à noite é normal?

Recorrente, não. Queimação que aparece no fim do dia e melhora com as pernas para o alto é o padrão típico do refluxo venoso e merece ultrassom Doppler. Se a queimação é igual em qualquer posição e nos dois pés, a causa mais provável é neuropatia.

Queimação só em uma perna, o que pode ser?

Refluxo venoso costuma ser assimétrico, e uma perna só é a apresentação mais comum. Vermelhidão, calor e inchaço súbitos de um lado só, porém, pedem avaliação no mesmo dia para descartar trombose, erisipela ou flebite.

Queimação do joelho para baixo tem relação com varizes?

É a topografia clássica da insuficiência venosa: a pressão dentro das veias é maior quanto mais baixo na perna, e a panturrilha e o tornozelo concentram o sintoma, mesmo quando as varizes ainda não são visíveis.

Queimação nos pés é sinal de diabetes?

Pode ser. A neuropatia diabética é a causa mais frequente de queimação simétrica nos dois pés, com formigamento e dormência. Quem tem esse padrão deve medir glicemia e hemoglobina glicada, e também vitamina B12 e TSH, porque outras causas produzem o mesmo quadro.

Formigamento nas pernas pode ser trombose?

Formigamento isolado não é sintoma típico de trombose. A trombose venosa profunda costuma causar dor, inchaço e endurecimento da panturrilha de um lado só, às vezes com calor e vermelhidão. Na dúvida, o Doppler venoso resolve a questão em minutos.

Ardência nas pernas e nos braços é vascular?

Quando queima nos quatro membros, o padrão sugere causa neurológica ou metabólica, e não circulatória. A avaliação vascular serve para descartar refluxo associado e direcionar você ao especialista certo.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Sua perna ou seu pé queima no fim do dia?

Na consulta, o ultrassom Doppler das veias e das artérias mostra na hora se a causa é circulatória. Se for nervo, você sai com o direcionamento certo.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

Referências

  1. De Maeseneer MG, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267. doi:10.1016/j.ejvs.2021.12.024
  2. Lurie F, et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352. doi:10.1016/j.jvsv.2019.12.075
  3. Mazzolai L, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of peripheral arterial and aortic diseases. Eur Heart J. 2024;45(36):3538-3700. doi:10.1093/eurheartj/ehae179
  4. Pop-Busui R, et al. Diabetic Neuropathy: A Position Statement by the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2017;40(1):136-154. doi:10.2337/dc16-2042
  5. National Institute for Health and Care Excellence. Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013. nice.org.uk/guidance/cg168

Artigos relacionados

Dor nas pernas: o que pode ser

Dor nas pernas o que pode ser? Cirurgião vascular explica as causas (varizes, má circulação, trombose…

Pernas inchadas: o que pode ser

Pernas inchadas o que pode ser? Cirurgião vascular explica as causas (veias, linfedema, lipedema, coração…

Remédio para circulação

Diosmina, castanha-da-índia, cilostazol: qual remédio para circulação nas pernas ajuda, qual exige receita e…

Pés roxos e frios

Pés roxos ou frios podem ser acrocianose, Raynaud, estase venosa ou falta de sangue arterial. Veja como…